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Por trás da icônica imagem de Che Guevara

Em Havana, 4 de março de 1960, o navio belga “La Coubre” explodiu em Cuba (trazia armamento para a Revolução Cubana) e mais de cem tripulantes morreriam — ferindo a explosão outras centenas mais. Fidel Castro atribuiu a responsabilidade da explosão à CIA, descrevendo-a como um “ato terrorista” dos norte-americanos. O funeral das vítimas contou com a presença dos principais ideólogos da Revolução, como Castro e Che Guevara, ladeados por personalidades internacionais assumidamente comunistas, como os escritores e filósofos Jean Paul Sarte e Simone de Beauvoir.

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Quem também estava presente era o fotógrafo cubano Alberto Korda, responsável por uma das fotográficas mais icônicas de Che – imagem qual a revista Time considera uma das fotografias mais “influentes” da história mundial. Como é que esta surgiria? Na biografia de Che Guerra, “La Vida en Rojo”, o próprio Korda relata na primeira pessoa o momento que descreve como “uma casualidade”.

Encontrava-me num plano mais baixo em relação à tribuna, com uma câmara fotográfica Leica de 9mm. Em primeiro plano estavam Fidel, Sartre e Simone de Beauvoir; Che estava parado atrás da tribuna. Houve um instante em que passou por um espaço vazio, estava numa posição mais frontal, e foi aí que em segundo plano emergiu a sua figura. Disparei. Em seguida, percebo que a imagem é quase um retrato, sem ninguém atrás. Volto a câmara na vertical e disparo segunda vez. Isto em menos de dez segundos. Che afasta-se então e não regressa aquele lugar. Foi uma casualidade…”, explicou o fotógrafo cubano.

Durante meses, a fotografia (que receberia o nome de “Guerrilheiro Heroico”) não seria revelada por Alberto Korda. Foi utilizada pela primeira vez em 1961, no anúncio das jornadas sobre a industrialização em Cuba daquele ano e não se tornaria popular de imediato. Isso só aconteceria após o assassinato de Che Guevara, em 1967, depois de ser publicada na revista Paris Match.

O editor italiano Giacomo Feltrinelli o converteu num símbolo dos movimentos sociais de 1968 na Europa, imprimindo a fotografia de Korda em cartazes que ocupariam as ruas. Depois, em um contrassenso histórico (Che era comunista mas tornou-se produto do capitalismo), a imagem de Ernesto Guevara de la Serna chegaria à cultura pop, que associou-se à imagem do revolucionário argentino — ou vice-versa –, quando Jim Fitzpatrick (em 1968) criou uma imagem de alto-constraste a partir da fotografia de Korda.

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