Variedades 4 meses atrás | Thalita Monte Santo

Pierre Fatumbi Verger e o seu olhar sobre os povos

O francês conseguiu fazer da fotografia um ofício capaz de inseri-lo em aglomerações raciais. Percorreu quilômetros à pé fotografando e registrando seus trajetos com uma Rolleiflex.

por Revista FHOX

Falar da fotografia de Pierre Fatumbi Verger sem mencionar sua visão etnográfica e sua relação com a realidade social de povos distintos é praticamente impossível.

Francês, nasceu em 1902 em berços de uma família de classe social elevada. Mas foi ao longo da vida que descobriu, na simplicidade de diversas culturas, seu amor pelo ser humano no mundo, inclusive no Brasil.

Pierre Fatumbi Verger e o seu olhar sobre os povos

Conseguiu fazer da fotografia um ofício capaz de inseri-lo em aglomerações raciais. Percorreu quilômetros à pé fotografando e registrando seus trajetos com uma Rolleiflex.

Em um desses percursos, Verger conhece Marc Chadourne, repórter da revista francesa Paris-Soir, que o convidou a trabalhar como repórter-fotográfico. O jovem, perdido até então em seus enigmáticos rumos, aceitou o convite e passou a registrar as comunidades negras americanas e conflitos no Japão e China.

Pierre Fatumbi Verger e o seu olhar sobre os povos

Em 1935, Verger chegou a ser preso em Sevilha acusado de espionagem. Após ser solto, começou a ilustrar alguns livros do editor Paul Hartmann – entre estes trabalhos – um deles marcaria profundamente Verger, o livro Dieux d’Afrique.

O fotógrafo tinha uma forte ligação com a diáspora africana e isso fica claro na maioria de seus trabalhos. O contato com a cultura, a história dos povos africanos, foi fundamental para a construção da carreira e do olhar profundo de Verger.

Pierre Fatumbi Verger e o seu olhar sobre os povos

Por passar por diversos países, como Mali e Mauritânia, conheceu rituais, etnias, manifestações populares, guerreiros, tribos e religiões, além das condições políticas da sociedade.

Depois de uma intensa imersão na cultura de povos distintos, o fotógrafo voltou a Paris e posteriormente, Londres. Porém, Verger seguiu absolutamente autônomo, recusando contratos em nome da arte fotográfica.

Pierre Fatumbi Verger e o seu olhar sobre os povos

Passou pelas Antilhas Francesas e depois pela República Dominicana, onde foi proibido de fotografar pela ditadura local. Ao passar por Cuba e México, estas importantes experiências, transformou seus registros em uma mostra chamada “Exposição Universal”, organizada pela Arts et Metiers Graphiques.

Por de 1935, quando o romancista brasileiro Jorge Amado lançou uma de suas obras, Jubiabá, Verger ficou fascinado e instigado a conhecer Salvador e acabou desembarcando no Brasil.

Pierre Fatumbi Verger e o seu olhar sobre os povos

Seus registros são a prova de que sem dúvidas, o fotógrafo foi um mensageiro entre mundos, que desvendou o âmago de diversas culturas e os revelou em imagens inexauríveis como a cultura e a arte são patrimônios de todas as gerações.

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