Variedades 3 anos atrás | Diogo Amorim

Pesquisadora da Unifesp analisa relação de transexuais com suas fotos de infância

Estudo acompanhou três casos de pessoas que passaram por transição corporal

por Revista FHOX

transexualidade1Na pesquisa, Marcela Vasco analisou a história de vida de três pessoas: Carla, Leo e Júlia. Os entrevistados relataram a trajetória de suas vidas desde a infância, por meio da relação com as fotografias da época, até os dias atuais.

Os relatos incluíam as memórias familiares, brincadeiras de criança e o processo de transição corporal pelos quais passaram, utilizando-se de cirurgias e hormônios, com o intuito de aproximarem seus corpos à forma como se identificavam.

Ao se deparar com as fotos de infância, Leo as classificou como um documento histórico que atesta suas mudanças corporais e afirmou que se sente como se estivesse em pedra sendo esculpindo com o cinzel e o martelinho. Júlia viu nas imagens uma parte de seu tesouro e a ligação afetiva com sua família e com a memória de seu pai, já falecido. Já para Carla, a única entrevistada que não possuía fotos de infância, essas memórias remetiam a ela a ligação com uma família que ela pretende esquecer.

Em seu estudo, Marcela diz que “Nesse sentido, a fotografia não é apenas um processo físico e químico de registro. Para além desse aspecto, ela é ainda um processo mental. A imagem desencadeia em nós todo um processo de pensamento.”

Ela concluiu que, da mesma forma como o corpo de seus interlocutores passou por uma transformação, as fotos, consideradas como objetos imutáveis, também poderiam sofrer intervenções. “Se o assombro inicial da pesquisa residia no fato da fotografia ser imutável, enquanto o corpo era passível de transição por meio de cirurgias, hormônios e inúmeras outras intervenções, por fim se pode perceber que a fotografia costurada também passa por suas transformações específicas”, finaliza a pesquisadora.

Para ter acesso à dissertação na íntegra, basta acessar o link.

*Os nomes dos entrevistados foram modificados para que não houvesse exposições.