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Pesquisadora da Unifesp analisa relação de transexuais com suas fotos de infância

transexualidade1Na pesquisa, Marcela Vasco analisou a história de vida de três pessoas: Carla, Leo e Júlia. Os entrevistados relataram a trajetória de suas vidas desde a infância, por meio da relação com as fotografias da época, até os dias atuais.

Os relatos incluíam as memórias familiares, brincadeiras de criança e o processo de transição corporal pelos quais passaram, utilizando-se de cirurgias e hormônios, com o intuito de aproximarem seus corpos à forma como se identificavam.

Ao se deparar com as fotos de infância, Leo as classificou como um documento histórico que atesta suas mudanças corporais e afirmou que se sente como se estivesse em pedra sendo esculpindo com o cinzel e o martelinho. Júlia viu nas imagens uma parte de seu tesouro e a ligação afetiva com sua família e com a memória de seu pai, já falecido. Já para Carla, a única entrevistada que não possuía fotos de infância, essas memórias remetiam a ela a ligação com uma família que ela pretende esquecer.

Em seu estudo, Marcela diz que “Nesse sentido, a fotografia não é apenas um processo físico e químico de registro. Para além desse aspecto, ela é ainda um processo mental. A imagem desencadeia em nós todo um processo de pensamento.”

Ela concluiu que, da mesma forma como o corpo de seus interlocutores passou por uma transformação, as fotos, consideradas como objetos imutáveis, também poderiam sofrer intervenções. “Se o assombro inicial da pesquisa residia no fato da fotografia ser imutável, enquanto o corpo era passível de transição por meio de cirurgias, hormônios e inúmeras outras intervenções, por fim se pode perceber que a fotografia costurada também passa por suas transformações específicas”, finaliza a pesquisadora.

Para ter acesso à dissertação na íntegra, basta acessar o link.

*Os nomes dos entrevistados foram modificados para que não houvesse exposições.