Variedades 2 anos atrás | Diogo Amorim

Nos bastidores da semana de moda

Zé Takahashi apresenta sua visão sobre fotografia e sobre o mundo da moda

por Revista FHOX

zé-moda-5Fotógrafo de fashion week é uma mistura de fotojornalista com fotógrafo de moda. Quem diz isso é Zé Takahashi, que clica o ramo fashion há 15 anos e sabe da necessidade de analisar, registrar e estar sempre pronto para fazer a imagem. Começou em 1995, como assistente em diversos segmentos fotográficos, sobreviveu à transição do analógico para o digital e hoje é o fotógrafo principal da agência Fotosite, responsável pela cobertura do principal evento de moda do Brasil, a São Paulo Fashion Week, que neste ano aconteceu de 27 a 31 de agosto.

Takahashi conta que Fernando Louza, o último fotógrafo para quem trabalhou como assistente, entre 2001 e 2002, foi a grande influência para entrar de vez na carreira fashion, principalmente na fotografia de passarela. Em 2006 foi convidado para cobrir o “The Big Four”, como são conhecidas as semanas de moda de Nova York, Londres, Milão e Paris. No Brasil, participou de todas as edições paulistas, acompanhando o evento desde muito pequeno e sem estrutura, até o florescer da ideia no País e os tempos áureos, assim como suas crises, sejam elas financeiras ou de estilistas.

zé-moda-6Zé Takahashi

A rotina na SPFW é insana, afirma o fotógrafo. Tem que chegar duas horas antes do primeiro desfile, para poder assistir ao ensaio, fazer teste de luz e saber como vai funcionar o show: por onde as modelos vão entrar e por onde vão sair, quantos looks são e quais os principais. Quanto mais informação o fotógrafo conseguir sobre o desfile, melhor para a edição do produto, entregando assim o que é mais importante para o estilista e para a marca. Para fazer a cobertura do evento de modo competente e completo, uma equipe de até sete fotógrafos, além dos editores, é formada.

E o trabalho não para por aí. A Fotosite tem clientes distintos e é necessário agradar a ambos durante as semanas de moda. A própria SPFW, o site Fashion Forward (FFW) e as principais revistas e portais de moda precisam da informação instantânea, para que possam fazer a cobertura do evento em suas plataformas digitais. São necessárias fotos criativas e que apresentem tudo o que está acontecendo no show, desde passarela até detalhes de roupas e bastidores. Quando o cliente é a marca ou o estilista, a cobertura é um pouco mais específica, para atender às necessidades deles. Takahashi conta que precisa estar preparado para fazer de tudo: foto lateral, foto geral de cima, foto das costas, ter todos os looks e tudo que for possível.

zé-moda-8Zé Takahashi

Para conseguir suprir todas as necessidades, é preciso ter um bom equipamento. Takahashi conta que para cobertura de eventos de moda, conseguir fazer o trabalho de modo rápido e eficiente é mais importante do que uma qualidade de impressão de grandes banners, por exemplo. O fotógrafo carrega consigo durante o show vários equipamentos, como lentes para todos os tipos de situação, flash, baterias e cartões de memória com mais de 30 gigas, além de duas câmeras com formatos de sensores diferentes – uma Nikon D5 full frame e uma Nikon D500 cropada. A primeira se equivale ao antigo filme, então uma lente 50mm é uma 50mm. Na segunda, de formato DX, o sensor é menor, como se desse um crop na foto full frame. Takahashi explica que o fator de crop é de 1.5x, o que faz com que uma 50mm vire, na verdade, uma 75mm.

O fotógrafo conta que costuma fotografar em JPEG pela necessidade de velocidade, mas que em alguns casos, quando a luz é crítica e é necessário uma uma foto mais elaborada, acaba fotografando também em RAW.

zé-moda-10Zé Takahashi

Questionado sobre incômodos, Takahashi fala sobre o uso excessivo do celular e da preocupação em registar para as mídias sociais. Ele cita o fato de que, na primeira fila, quando as pessoas levantam o telefone para fazer uma selfie, acabam interferindo na imagem dos profissionais, que como fotojornalistas, registram a cena. “Nesse momento você não cria”, você registra, afirma o fotógrafo, reiterando a importância de saber um pouco de moda e das tendências.

É saber a modelo que está entrando na passarela, quais são as tops do momento, qual está despontando, quais são promessas. E entender o diferencial que seu trabalho proporciona, principalmente na hora de editar uma imagem, em que você escolhe editar uma modelo porque vai ser a próxima top do mercado, ou colocar uma roupa da cor azul porque azul vai ser a próxima cor do mercado, ou alguma peça de roupa específica, porque é o que as pessoas vão usar.

Apaixonado pelo que faz, Takahashi conta que gosta de saber tudo o que passa para criar uma coleção e entender do estilista, que a cada seis meses tem que criar toda uma coleção. Segundo ele, essa loucura toda é apaixonante e é o que incentiva e motiva a continuar trabalhando neste segmento.