Variedades 2 anos atrás | Diogo Amorim

Fotógrafo judeu denuncia o caos do Nazismo em suas fotos escondidas

Henryk Ross registra momentos de terror no gueto de Lodz e ajuda na reconstituição da história sobre o terror do Holocausto

por Revista FHOX

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O Polonês Henryk Ross trabalhava como fotojornalista antes da eclosão do Nazismo, em 1939, que acarretou em uma série de tragédias. Em fevereiro de 1940, os alemães criaram um gueto no setor nordeste de Lodz e mais de 160 mil judeus foram forçados a viver confinados naquele local sem o mínimo de infraestrutura.

O gueto foi separado do resto da cidade por cercas de arame farpado e Henryk ficou do lado de dentro, junto à sua esposa.  A princípio, sua câmera havia sido confiscada, mas com o passar do tempo, os alemães começaram a utilizar as habilidades de Ross para tirar fotos para os documentos de identidade dos judeus confinados no gueto e registrar a realidade que os nazistas queriam mostrar ao mundo: judeus trabalhando e mostrando como o isolamento em Lodz era produtivo.

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Apesar dos privilégios que Ross havia garantido por conta de seu cargo, ele ainda vivenciava o terror do gueto de Lodz e não se sentia confortável em ver determinadas situações, sem poder ajudar, foi aí que decidiu arriscar a sua vida e registrar o cotidiano do local, secretamente. Graças à ajuda de sua mulher, que ficava de guarda para evitar que ele fosse descoberto, o fotógrafo conseguiu fazer cerca de 6 mil imagens.

Na primavera de 1944, os rumores de que o gueto seria destruído começaram a circular pelo local. Lodz era o último gueto ativo da Polônia, com uma população aproximada de 75 mil judeus. Em 23 de junho do mesmo ano, os alemães reiniciaram as deportações e mandaram mais de 7 mil pessoas para Chelmno, exterminando-os. Em Julho e Agosto, a maioria da população remanescente do gueto foi deportada para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau.

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Nesse contexto, Henryk, sem informações concretas sobre o seu futuro, o de sua esposa e o de todos aqueles que ali habitavam, o fotógrafo decidiu enterrar as imagens e os negativos que possuía. O material ficou enterrado por sete meses até que, em 1945, quando o exército soviético libertou Lodz da ocupação nazista, Henryk Ross e a esposa, que ainda estavam entre os menos de mil sobreviventes do local, desenterraram os registros.

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Mais da metade das fotografias acabaram perdidas por conta da umidade, mas, mesmo assim, as images que restaram acabaram ajudando como prova para condenação de Adolf Eichmann, tenente-coronel da SS e um dos principais organizadores do Holocausto, em 1961.

Henryk mudou-se para o Israel e mais tarde morou no Canadá até a data do seu falecimento, em 1991. Suas fotografias fazem parte da coleção da Galeria de Arte de Ontário e fazem parte de uma importante documentação sobre o terror e o caos do Holocausto.

Imagens de Henryk Ross/Galeria de Arte de Ontário