Variedades 2 meses atrás | Flávio A. Priori

Especial: De pai para filho

Celebrando o dia dos Pais, FHOX trouxe histórias de pais e filhos que dividem a paixão pela fotografia

por Revista FHOX

O sonho de todo pai, que zela pelo futuro de seus filhos, é garantir que eles trilhem um caminho de sucesso na vida. Às vezes, isso significa garantir que tenham oportunidades que ele próprio não teve. Por outro lado, alguns filhos acabam trilhando a mesma estrada e passam a dar continuidade a projetos iniciados pela geração anterior.

Na fotografia, tanto ela como arte ou negócio, isso não seria diferente. A FHOX mesmo é um exemplo disso. Fundada por Carlos Dreher, em 1989, na cidade de Curitiba, era inicialmente uma escola de fotografia. Começando como um boletim informativo para alunos, cresceu e virou uma publicação maior.

FHOX
Carlos Dreher, 2010

Seus filhos, Mozart Mesquita e Leo Saldanha, sempre estiveram próximos da revista. Após seu falecimento, 2012, os irmãos assumiram a liderança do grupo e mantêm o legado criado pelo seu pai e fundador.

Para homenagear os pais do mercado fotográfico, a FHOX reuniu histórias inspiradoras que possuem algo em comum: o amor pela fotografia.

Três gerações por trás das câmeras

Manuk Poladian, 83, é uma referência no ramo de casamentos há décadas e possui diversas premiações em seu currículo. Mas sua história na fotografia começa com seu pai, Harutiun, que veio da Armênia em 1928.

Flávio A. Priori | defaultcredit
Manuk e seus filhos Artur (esquerda) e Ricardo (direita)

Em 1936, Harutiun Poladian abriu um estúdio fotográfico no bairro da Mooca, ao mesmo tempo que também trabalhava com cinema. No entanto, ele desejava que o filho tivesse outra profissão.

“Ele queria que eu estudasse direito. Fiz um ano, mas desisti. A família toda era artista, meus tios eram atores de cinema, minha irmã pintava quadros e meu irmão fotógrafo. No meio de tanta coisa de arte, entrei para a foto”, diz.

Reprodução
Harutiun Poladian

Manuk começou a trabalhar com seu pai em uma época na qual os noivos iam até o estúdio tirar as fotos. “Antigamente os filmes eram só três fotos. Pegávamos uma chapa de 18×24 e fazíamos meia dúzia de cada retrato. Iam somente os noivos e os pais. Não se ia na igreja naquela época, os noivos iam ao estúdio”. Ele explicou que chegavam a fazer 90 casamentos por final de semana. As pessoas faziam fila de carros no Largo da Mooca e o trabalho ia até às 22h.

“Eu aprendi muito com ele essa parte de portret de estúdio. Depois eu comecei a entrar na reportagem. Quando fotografava ia para igreja e para a festa. Foi um divisor de águas entre o que se fazia fora e no estúdio, e o que era a reportagem fotográfica”, conta.

Manuk também teve uma passagem pela TV, como câmera e diretor em algumas emissoras, mas nunca largou da fotorreportagem em casamentos. Da mesma forma em que seguiu os passos do pai, seus dois filhos, Artur e Ricardo Poladian, também mantiveram o ofício, ainda que formados em outras áreas.

“O Ricardo foi para a computação gráfica e o Artur para a revelação de filme, com uma loja de shopping. Mas nunca saíram da foto. E já faz algum tempo que os dois entraram definitivamente como fotógrafos. Para meu orgulho são excelentes fotógrafos, melhores que o pai até”, brinca.

“Pedestres” por Ricardo Poladian

Para Arthur, manter o nível do pai e todo esse legado é uma responsabilidade muito grande. As principais lições que aprendeu com Manuk foram as técnica e a forma como ele dirige as noivas. “É preciso estudar o perfil de cada uma delas. Saber quem elas são e o que elas querem para fazer um bom trabalho”.

Lição de pai para filho

Em 1992, André Bezerra de Moura e a esposa, Miriam Godoy Lobo de Moura, compraram a Photobril, em Cotia, na Grande São Paulo. O filho, Tiago Godoy, aos seis anos, já o ajudava na loja. Quando completou 11 anos fez seu primeiro curso de fotografia no Senac. Conforme o tempo foi passando, seu interesse por fotografia só aumentou.

Luciana Pires
Tiago Godoy (direita) e seu pai

“Aos 19 anos assumi uma das lojas com estúdio e ainda fazia eventos. Algum tempo depois parei com os eventos e com o estúdio. Foquei no varejo e em fotopresentes, e é assim até hoje”, conta Godoy.

Segundo o empresário, foi o pai que lhe ensinou muita coisa nessa convivência dentro da loja, tanto as relacionadas ao varejo como na vida em geral. “Minha vida toda foi ali atrás do balcão. Meu pai me ensinou a ver as horas no relógio de ponteiro, calcular porcentagem e consertar Mini Lab.”.

Godoy relembra algumas das “aventuras” que passava ao lado do pai. Quando sua rotina era estudar e trabalhar o dia inteiro, acontecia de emendar a balada após a aula na sexta. Mas ele tinha que chegar cedo no dia seguinte para trabalhar em algum evento. “Era casamento no cartório aos sábados e batizado aos domingos. A gente chegava cedo e deixava o equipamento no jeito, então meu pai me deixava dormir no carro e me acordava um tempo antes, para eu lavar o rosto e começar a filmagem. Não sei como eu conseguia”, explica.

Arquivo Pessoal

Mas o que mais inspira Godoy é saber que seu pai era um exemplo como profissional. Quando ele assumiu os negócios e foi conhecendo mais pessoas e empresas do ramo, só ouvia falar bem de seu pai, tanto pelo caráter como pelas negociações e vendas que fazia. “Meu pai me ensinou na prática que sempre vale a pena ser honesto e trabalhar pelo que eu quiser”.