Variedades 3 anos atrás | Redação

Depois que a sua fotografia vira arte

Opinião de Felipe Tazzo sobre a difícil arte de viver da arte

por Revista FHOX
felipe tazzo por Denise Maher
Cred: Denise Maher

Veja se soa familiar: após muito trabalho você abre uma exposição. Impressões e molduras custam uma grana, porém se você vender apenas três ou quatro quadros já paga os custos. Mas não vende. E você não vai ter fôlego para uma segunda exposição.

É, ganhar dinheiro com arte é bem difícil.

E aí você se pega planejando fotografar casamento só para ganhar o suficiente para outra exposição. Casamento é fácil, você pensa, ignorando o esforço hercúleo que fazem os fotógrafos de casamento. Ou os de família. Ou os de moda.

Ganhar dinheiro com uma exposição de fotografia parece ser um corolário de más notícias. A boa notícia é que dá para viver de arte no Brasil, sim. Mas viver de arte no Brasil envolve justamente isso: viver de arte. Só arte. Uma exposição aqui ou ali não é a forma de se pensar uma carreira. O fotógrafo, como qualquer artista, tem que assumir essa realidade: a arte não é um bico.

Qualquer outra profissão exige intensos anos de treinamento e depois oito horas por dia de dedicação, todos os dias. Por que arte seria diferente?

Há uma diferença: você não tem nenhuma esperança de um dia ter patrão e carteira assinada. Poucos artistas têm. Talvez atores de TV ou músicos de orquestra. Mas fotógrafos? Isso faz com que o desafio de crescer seja ainda maior. Nunca haverá alguém propondo novas metas, novos desafios, buscando expandir o seu mercado.

Essa bronca é toda sua, da hora que acorda até cair na cama novamente. Todo dia você tem que buscar novas metas, novos desafios. Todo dia você tem que treinar insanamente. Todo dia você tem que experimentar até cansar, jogar tudo fora e começar de novo no dia seguinte.

Isso é viver de arte.

Mas nem sempre a conta fecha. Por mais que se dedique, ainda assim não consegue os resultados de que precisa. Às vezes, nem pagar as contas do mês.

Mas mesmo assim, é possível viver de arte no Brasil. Aliás, é possível fazer sucesso!

Para tanto, o artista precisa desenvolver habilidades que não vêm naturalmente com a produção artística; são habilidades do empreendedor artístico. Empreender não significa fazer qualquer porcaria que venda muito. Empreender nas artes significa trilhar o longo caminho entre conceber um bom projeto de fotografia e entregar um quadro ao cliente.

Por sorte, o longo caminho não é um deserto. Ferramentas de produção e divulgação das artes que antes eram restritas aos produtores, editores, marchands, hoje estão disponíveis para todos. Basta colocar para funcionar a seu favor. Funcionou durante anos para o entretenimento. Por que não funcionaria para a sua carreira?

Uma das ferramentas mais eficazes para começar são as leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet e o ProAC. Acessíveis e democráticas, permitem ao artista criar um projeto único e levantar patrocínio para realizar o seu trabalho com a qualidade requerida.

Além disso, um projeto de lei de incentivo pode conter outras das ferramentas que tornam um artista um empreendedor: marketing, marketing digital, contabilidade, distribuição…

As inscrições são gratuitas e on-line e os resultados podem ser exatamente aqueles que você esperava.

Felipe Tazzo é profissional de marketing, produtor executivo consultor de carreira artística desde 2005, e ainda escritor e segundo fotógrafo de Denise Maher.