Variedades 1 ano atrás | Redação

Claudia Andujar é uma das ganhadoras da medalha do Goethe-Institut

As medalhas Goethe, neste ano de 2018, são dedicadas ao lema “Uma vida depois da catástrofe”

por Revista FHOX

A fotógrafa suíço-brasileira e ativista dos direitos humanos Claudia Andujar foi uma das ganhadoras da medalha do Goethe-Institut, que  atribui a condecoração da República Federal da Alemanha, todos os anos à personalidades que tenham se empenhado especialmente em prol do intercâmbio cultural internacional.

No dia 28 de agosto de 2018, Klaus-Dieter Lehmann, presidente do Goethe-Institut, entregará os prêmios no Residenzschloss Weimar. Os discursos serão feitos pelo autor teatral e ensaísta Deniz Utlu, pelo antropólogo e ativista Stephen Corry e pelo escritor e dramaturgo Albert Ostermaier.

 

Claudia Andujar
Senac/Div.

As medalhas Goethe, neste ano de 2018, são dedicadas ao lema “Uma vida depois da catástrofe”. Serão premiadas quatro personalidades que representam exemplarmente uma conduta construtiva frente a rupturas e censuras ameaçadoras da existência, tanto na vida pessoal quanto pública.

Além de Claudia, Heidi e Rolf Abderhalden, do Mapa Teatro, e Péter Eötvös serão premiados. Todos eles empenharam-se por um recomeço depois de uma “catástrofe” – seja depois de uma guerra, de uma derrocada política ou de destruições ambientais.

Claudia Andujar
Foto: Claudia Andujar

A fotógrafa documental suíço-brasileira Claudia Andujar empenha-se, desde os anos 1970, pelo povo indígena Yanomami, que vive na região amazônica. Sem sua atuação incansável, não apenas com a câmera, o lugar onde vivem os Yanomami talvez até hoje não tivesse sido transformado em área de proteção ambiental. Ela é uma das mais importantes representantes da fotografia artístico-documental na América do Sul.

A fotógrafa

Depois de sua fuga do nazismo, ela optou por uma carreira como fotojornalista, através da qual se envolveu no combate à ditadura e à violência. No contexto de seu engajamento pela proteção dos Yanomami, o maior povo indígena do Brasil, surgiram mais de 60 mil fotografias, feitas a partir dos anos 1970.

Suas impressionantes séries de imagens são ao mesmo tempo artísticas e políticas: elas compõem um panorama do Brasil que oscila entre o espaço urbano e a natureza. A maior influência sobre sua vida e atuação artística se deu através do encontro com os Yanomami, ameaçados pela destruição do espaço no qual viviam em função de interesses econômicos.

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Em 1971, Andujar viajou pela primeira vez para a região amazônica como fotógrafa da revista “Realidade”, tendo ficado fascinada com a forma de vida dos Yanomami. Cada vez mais ela foi se distanciando do fotojornalismo, para se dedicar a seu projeto de vida: a proteção dos Yanomami.

Claudia Andujar
Foto: Claudia Andujar

Entre 1971 e 1978, Andujar viveu com eles na Amazônia, até que o governo militar a expulsou de lá. Depois disso, ela fundou, junto com o missionário Carlo Zacquini, o antropólogo Bruce Albert e outros ativistas, a Comissão Pró-Yanomami (CCPY), uma ONG que se empenhou pela criação de um parque para os Yanomami e para a natureza que os cercava.

Foi também em função desse empenho que essa região da Amazônia foi declarada, em 1992, área de proteção ambiental. A convivência entre os Yanomami foi registrada pela fotógrafa, entre outros em uma de suas mais importantes séries: “Marcados”, produzida nos anos 1980. Os retratos em preto e branco dos Yanomami foram feitos por Andujar durante uma campanha de vacinação destinada a melhorar as condições de saúde desta população indígena.

Artista e ativista, Andujar é até hoje, aos 87 anos de idade, uma voz importante na América do Sul.