Variedades 2 anos atrás | Redação

Câmera fotográfica pode ajudar no tratamento do Alzheimer

Estudo foi dividido em três partes e publicado na revista Current Alzheimer Research

por Revista FHOX

Universitários da Universidade de Coimbra, em Portugal, e de Leeds, no Reino Unido, montaram uma câmera fotográfica intitulada SesenCam, que pretende ajudar na melhoria da doença de Alzheimer. Os estudos começaram em 2011, denominado “Estimulação da memória na Doença de Alzheimer em fase inicial. O papel da SenseCam no funcionamento cognitivo e no bem-estar”, e recomenda o uso deste método como complemento ao tratamento farmacológico da doença.

Alzheimeroneinchpunch/iStock

Partindo de estudos anteriores, onde é evidenciado que a visualização de imagens estimula as zonas do cérebro responsáveis pelas memórias autobiográficas, os cientistas estudaram, na fase inicial da doença, a eficácia da SenseCam como ferramenta de estimulação cognitiva.

Na primeira fase do projeto, a equipe realizou um estudo piloto com um grupo de 29 pessoas, 15 jovens e 14 idosos saudáveis, para explorar os efeitos da SenseCam em testes de cognição global e analisar em que medida este instrumento poderia ser útil para os pacientes com Alzheimer. Identificadas as potencialidades do método no funcionamento cognitivo global, eles avançaram para o estudo principal com 51 idosos, na sua maioria mulheres, diagnosticados com Doença de Alzheimer em fase inicial.

Os idosos, com idades entre os 60 e 80 anos de idade, foram divididos em três grupos e sujeitos a estratégias de estimulação cognitiva diferentes durante seis semanas: um grupo foi intervencionado com o uso da SenseCam que captou imagens quotidianas vivenciadas pelos pacientes, outro com um treino convencional ativo, como exercícios de memorização de listas de compras, e o terceiro grupo registou o seu dia-a-dia num diário.

“No final das seis semanas, os investigadores observaram que a intervenção baseada na SenseCam foi mais eficaz no desempenho cognitivo comparativamente com o programa de treino cognitivo ativo e com o diário escrito”, afirma Ana Rita Silva, cientista principal do estudo, cujos resultados já foram aceitos para publicação na revista Current Alzheimer Research.

A investigação demonstrou, também, que este método de ajuda passiva, já que não implica esforço ou motivação por parte do paciente, “aumenta o bem-estar geral do paciente e diminui a sintomatologia depressiva que afeta cerca de 40% de doentes com Alzheimer na fase inicial. Ao fim de seis semanas de intervenção, o grupo que utilizou a SenseCam foi o que apresentou maior redução da sintomatologia depressiva”, observa a investigadora da UC.

As conclusões deste estudo, do qual resultou a tese de doutorado de Ana Rita Silva, reforçam a importância do desenvolvimento de intervenções não farmacológicas para pacientes com DA em fase inicial, porque, segundo a cientista, “embora a primeira linha de atuação nesta doença, após o diagnóstico, seja o tratamento farmacológico, há um consenso crescente relativamente à urgência de complementar esta atuação com a implementação de intervenções não farmacológicas, de modo a reduzir o impacto da doença.”