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Brasil meu refúgio: fotografias sobre imigração congolesa no Rio de Janeiro

Desde janeiro de 2017, mais de 1,9 milhão de pessoas fugiram da República Democrática do Congo por conta da violência e das perseguições provocadas pela guerra no país. Parte da população foi forçada a buscar abrigo em Angola, Zâmbia e outros países em desenvolvimento para sobreviver.

Segundo o relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o Acnur, que foi divulgado em junho de 2018, em um ano mais que dobrou o número de estrangeiros que buscam asilo no Brasil. Só  no Rio de Janeiro, 943 congoleses receberam o status de refugiados. Outros 658 aguardam resposta, mais do que qualquer outra nacionalidade.

Brasil meu refúgio
Fábio Teixeira

E é na zona norte e pobre do Rio de Janeiro, nas favelas, que muitos congoleses encontraram abrigo, apesar de, ao mesmo tempo, grandes dificuldades. Acompanhado a trajetória de alguns imigrantes desde julho de 2016, o fotojornalista Fábio Teixeira, 35, registra a rotina de homens e mulheres que carregam no peito a esperança de dias melhores e o amor pelo País que os acolheu.

Na série fotográfica Brasil meu refúgio, Teixeira apresenta o dia a dia de 12 refugiados. As fotografias trazem desde rotinas domésticas, momentos em família, celebrações religiosas até interações com a comunidade.

O fotojornalista relata que mesmo com as dificuldades, como  tiroteios, racismo, falta de assistencialismo, saúde e trabalho, os imigrantes resistem e mantém suas tradições intactas para lembrar de sua terra natal.

Brasil meu refúgio
Fábio Teixeira

“Eu cresci muito com esse trabalho, como profissional e como pessoa”, conta.

Teixeira diz que construiu uma relação de amizade com os imigrantes ao longo do tempo. Ele reforça que a fotografia, independente de classificações, deve ser sempre humana.

“Procuro não só fazer a foto, mas também me aproximar da pessoa que está ali. A fotografia não pode machucar a imagem da pessoa. É preciso ter cuidado, pois você está registrando a realidade de alguém”.

Para ele, uma das coisas que mais ficaram explícitas ao realizar o trabalho foram as questões de preconceito que os imigrantes sofrem no Brasil. E é a denúncia de tais situações que move o seu trabalho e faz com que ele siga adiante.

Thalita Monte Santo
É jornalista e integra a redação da Revista FHOX. Escreva para: thalita@fhox.com.br