Variedades 2 anos atrás | Diogo Amorim

As fotografias de guerra de Catherine Leroy

O legado de uma fotógrafa que foi à Guerra do Vietnã para trazer uma perspectiva mais humana na cobertura jornalística

por Revista FHOX

 

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Educada em um convento de Paris, Catherine Leroy tinha objetivos além do seu território nacional. Nascida em 1945, em uma época de pouca visibilidade para as mulheres na sociedade, ela tinha dois sonhos audaciosos: Tornar-se pianista clássica e Fotógrafa de Guerra.

Em 1966, aos 21 anos, decidiu comprar uma passagem para Laos, para realizar uma cobertura jornalística mais humanística da Guerra do Vietnã, demonstrando, através das imagens feitas pela sua Leica, as dificuldades vividas pelos soldados e por toda a população do local.

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Sua carreira fotojornalística começou quando conseguiu vender suas imagens para agências, como a Associated Press. Destacando-se como uma das únicas mulheres a cobrir momentos perigosos do Conflito no Vietnã, Catherine passou por diversas dificuldades. Em 1967, foi ferida em uma cobertura e, no ano seguinte, foi capturada e mantida como prisioneira do exército vietnamita.

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Após ser libertada, Catherine escreveu uma reportagem e virou capa da Revista Life. A partir daí, sua voz passou a ser ouvida, suas fotos, que mostravam um viés mais humanos e o triste cotidiano das guerras, ganharam reconhecimento no mercado mundial.

A imagem que mais marcou a sociedade na época é intitulada “Corpsman In Anguish”, retrata um jovem da marinha americana, no Vietnã, em 1967. Apesar do grande marco, Catherine se preocupava em retratar o cotidiano de um país em guerra. Mais do que corpos ensanguentados e a tragédia em si, ela capturava momentos, sensações e expressões que falavam por si.

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Após cobrir a guerra do Vietnã, ela fotografou conflitos na Irlanda do Norte, Somália, Afeganistão, Iraque, Irá e Líbia. Em sua última cobertura, realizada no Líbano, Catherine foi sequestrada, mas saiu com vida.

Além de guerras, Catherine também fez alguns trabalhos com o segmento da moda. Faleceu em Loa Angeles, aos 61 anos, em 2006. Segundo seus amigos do sul da França, a fotógrafa estava enfrentando um tratamento contra o câncer e acabou não resistindo.

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Além das grandes fotografias, Catherine deixou também duas obras escritas: escreveu um livro sobre os grandes fotógrafos do Vietnã, publicado pela Random House e o livro God Cried sobre a cidade de Beirute, em 1982, em parceria com o jornalista britânico Tony Clifton.