Variedades 5 dias atrás | Colaboradores

Arte Na Fotografia, por Maíra Erlich

“Após as primeiras críticas descobri que meu desafio ali era conseguir criar algo que fosse tão honestamente meu que poderia surpreendê-los”

por Revista FHOX

Por Maíra Erlich

Há algum tempo venho mudando a minha forma de tomar decisões. O racional vai saindo e deixando espaço ao instinto. Aquela coisa lá dentro que você não sabe bem o que é, mas resolve obedecer e ver no que vai dar. Numa dessas lutas internas, tomei uma decisão que nunca imaginei ser uma possibilidade: me inscrevi para participar de uma competição de fotografia na televisão. Adoro desafios. Mergulhei de cabeça e decidi viver aquilo, sem saber no que ia dar. Essas foram as sensações antes do início das gravações do Arte Na Fotografia, mescladas com um pouco de “onde foi que eu me meti?”.

Foto: Camila Kinker

O que a princípio parecia uma competição entre 6 fotógrafos, ia se revelando ser, a cada desafio, uma competição de cada um consigo mesmo. Do que sua fotografia é capaz quando te impõem desafios e limites? Com 12 anos de experiência, me senti iniciante de novo. Que delícia! Descobri que sempre seremos iniciantes. A fotografia não tem limites, salvo os que você mesmo se coloca.

Cheguei à primeira prova do programa sentindo que eu não sabia nada, que era uma farsa e seria eliminada na primeira oportunidade. Ou desistiria por não aguentar a pressão. Nessa crise que me bloqueava, entraram os outros. As avaliações dos mentores Cláudio Feijó e Eder Chiodetto eram sempre certeiras. Até quando discordavam entre si era possível compreender e aceitar suas palavras como gatilhos para crescimento.

Foto feita durante o desafio do episódio 5, no cemitério da Consolação. O ‘desafio concreto’ tinha como objetivo registrar a arquitetura.

O convívio com os outros 5 participantes (e agora amigos) Fred, Leonil, Maria Isabel, Nego Júnior e Nicole, foi leve e bonito. Estávamos no mesmo barco. Compartilhamos cansaço, medos e alegrias. Torcemos e ajudamos no que fosse possível para o outro se sair bem. Nos divertimos muito. Cada um deles foi essencial e nunca senti que estava numa competição, mas numa experiência única com amigos talentosos. Que sorte a nossa.

Resultado do desafio do episódio 8, que tinha como tema uma cidade do futuro.

Após as primeiras críticas, descobri que meu desafio ali era conseguir criar algo que fosse tão honestamente meu que poderia surpreendê-los. Me esforcei para me libertar de algumas amarras e viver a fotografia de uma maneira diferente. A gente nunca sabe o que vai encontrar e como vamos reagir. Somos e fotografamos aquilo que vivemos ao longo da vida. Senti isso em cada prova, quando as coisas que vi, vivi e ouvi, voltavam à tona e me davam uma luz. Às vezes, a luz não chegava e eu deixava a pressão e nervosismo tomar conta. Perder-se e se permitir falhar também faz parte.

Imagem feita durante o desafio do episódio 6, onde os participantes tiveram que explorar toda a criatividade em um clube de hipismo.

“Se não te desafia, não te transforma”, essa frase jamais fez tanto sentido. Entrei com vontade de vencer, mas nunca tive certeza de que isso aconteceria. Hoje, sei que venci todas as etapas, desde aquela primeira, quando decidi me inscrever no programa. Em cada uma, aprendi e conquistei algo que vou levar comigo. Vou precisar de um tempo para me acostumar com a ideia de que venci um reality show. Mas pra mim foi muito mais que isso. Vivi um processo de transformação, libertação e redescoberta cujos os efeitos ainda não posso prever. Uma coisa é certa: essa coisa de desafios vicia. Qual será o próximo?