Variedades 3 anos atrás | Redação

A verdadeira faceta do fotógrafo nazista tido como vítima do Holocausto

Stapf cobriu a guerra como fotojornalista, mas no braço esquerdo levava a suástica nazista

por Revista FHOX

Suposta vítima dos nazistas, o nome do fotógrafo Franz Anton Stapf está no monumento dedicado aos judeus no Hollandsche Schouwburg e também no Yad Vashem, o Centro Mundial para a Recordação do Holocausto, em Jerusalém. Um erro gigante. Nascido em Frankfurt, Stapf não era judeu, mas simpatizante de Hitler. Suas imagens da cidade holandesa ocupada apareceram na imprensa antissemita e ele lutou com o exército alemão.

Franz Anton StapfFranz Anton Stapf

Como Franz Anton Stapf pôde passar por morto nos campos de concentração? Uma confusão administrativa levou à conclusão, em 1960, que ele havia desaparecido na guerra. “Em 1950, o processo de Stapf estava como finalizado, o que foi interpretado no pós-guerra como desaparecido ou morto. Uma década depois, foi elaborada uma lista oficial para homenagear os judeus mortos, com 100.000 nomes a se verificar, entre eles o dele. Seu passado foi pesquisado, mas não se encontrou nada. De modo que encerraram o caso”, diz Erik Somers, pesquisador do Instituto para o Estudo da Guerra, o Holocausto e o Genocídio, que junto com seu colega, René Kok, assina o livro que acompanha a exposição.

Para complicar mais as coisas, ao erro humano se somou o impulso de um soldado canadense que fazia parte das tropas libertadoras e levou 5.000 negativos de Stapf ao seu país, fazendo com o que ficasse difícil reconstruir a trajetória do fotógrafo. “Em 1981, um professor da universidade British Columbia, no Canadá, os devolveu.

Saiba mais sobre Franz Anton Stapf

Stapf foi um imigrante que deixou a Alemanha por motivos econômicos e na Holanda abriu uma agência de fotografia, a Stapf Bilderdienst. Com sua câmera, percorreu Amsterdã entre 1935 e 1941 sem chamar a atenção. Sua crônica urbana não teria se destacado sem a invasão nazista em 1940.

Franz Anton Stapf 1Franz Anton Stapf

“Durante a década de 1930, não exibiu sua ideologia política. Mas a partir de 1941 veste o uniforme do ocupante e seu olho profissional muda”, diz Somers. Em uma foto incrível, de 1941, caminha uniformizado por uma rua de Amsterdã, durante os confrontos entre os integrantes do braço armado do partido nazista holandês e os moradores judeus.

Stapf compareceu como fotojornalista, mas no braço esquerdo levava uma suástica. Seu trabalho apareceu à época em veículos de comunicação nazistas da Holanda e Alemanha, onde estimulava o antissemitismo, mostrando os bairros judeus como sujos e atrasados.

Fonte: El País.