Retrato 3 anos atrás | Diogo Amorim

Apaixonado por Paris, Brassaï registrou a cidade de forma irreverente

Nenhuma de suas fotos foram por mero prazer estético, mas se destacaram por uma confissão de humanidade

por Revista FHOX

Um dos fotógrafos mais célebres de seu tempo, Brassaï registrou Paris de forma irreverente. A noite parisiense exerceu um enorme fascínio sobre ele, que não cansou de fotografá-la. Nenhum outro fotógrafo foi capaz de lançar tanta luz sobre a vida cotidiana de Paris como ele, que perambulava pelas ruas e cafeterias parisienses em busca de imagens vivas.

À noite capturou cenas pitorescas, incluindo ruas e edifícios, a estação de Saint-Lazare deserta, luzes sobre as fontes na Place de la Concorde, gatos ambulantes, sem-teto, vigilantes, prostitutas exaustas, bordéis, clubes de gays e lésbicas, trabalhadores, grafites nas paredes, dentre outras. Em cada gesto que observava buscava a intensidade do momento.

brassai-11Brassaï

 

Histórico

Nascido como Julius Halasz em 1899, em Brasso, na Transilvânia (parte da Romênia que estava sob o domínio austro-húngaro), Brassaï, pseudônimo que utilizava como estandarte, sonhava com a França, conheceu Paris quando tinha 4 anos.

Após servir no exército austro-húngaro na Primeira Guerra Mundial, ele, como todos os cidadãos de países inimigos, foram proibidos de morar na França. Então em 1921 foi para Budapeste, onde frequentou a Academia de Belas Artes para estudar desenho, pintura e escultura.

brassai-20Brassaï

Chega à França em 1924 acreditando que seus talentos serão desenvolvidos em Paris. Para resolver seus problemas financeiros, faz charges para jornais franceses e alemães, além de enviar com frequência para revistas húngaras, austríacas ou romenas colunas sobre assuntos como críticas de exposições, análises de concertos, artigos sobre o Salão da Agricultura, entre outros. Os redatores-chefes dos jornais para os quais colaborava começam a pedir imagens que acompanhem suas crônicas. As primeiras imagens feitas por Brassaï foram realizadas em 1929, quando o artista percebe que esta mídia permite expressar emoções estéticas que ele não atingiria através da figura.

Brassaï então passa a desenvolver um gosto pelo estranho, pelo diferente e pela vida noturna. Lança o livro com suas 64 fotografias em 1932 e logo torna-se uma verdadeira revelação, colocando-o em contato com revistas de arte e publicações de renome internacional.