Natureza 2 anos atrás | Redação

Revolução preto e branco

Como Ansel Adams tornou-se um dos mestres da fotografia do século XX.

por Revista FHOX

Sistema de zonas – Como se­ria a exposição e o proces­samento ideal de um filme preto e branco? O fotógrafo e am­bientalista norte-americano An­sel Adams ajudou a solucionar esse dilema. Em mais de 60 anos de carreira (entre os anos 20 e os anos 1980), o fotógrafo respondeu progressivamente a questão atra­vés da prática. Ao lado de Fred Ar­cher, Ansel Adams desenvolveu o chamado Zone System, uma for­ma de determinar a exposição ideal e o ajuste de contraste per­feito para a imagem final. A pro­fundidade e claridade resultan­tes dessa técnica caracterizam o charme especial de suas fotogra­fias. Com esse conhecimento em mãos, registrou como ninguém o oeste dos Estados Unidos, e dei­xou para as futuras gerações um legado de valor inestimável.

Adams sempre teve um cari­nho especial ao oeste america­no, com suas formas e relevo exu­berantes. Seu primeiro portfólio, Parmelian Prints of the High Sier­ras, editado em 1927, traz uma de suas fotos mais conhecidas, e a primeira a dar grande visibilidade a seu trabalho: Monolith, the Face of Half Dome. No artigo ‘A histó­ria por trás da fotografia que tor­nou Ansel Adams Famoso’, para o site Artsy, a autora Abigail Cain traz detalhes de uma das primeiras ex­pedições fotográficas daquele que mais tarde seria consagrado como um dos fotógrafos mais influen­tes da história. Tudo aconteceu há mais de 80 anos, no dia 10 de abril de 1927, quando Adams tinha ape­nas 25 anos. Ao lado de quatro amigos, partiu para o Parque Na­cional Yosemite na Califórnia.

O principal atrativo do Parque é a famosa Half Dome, uma cú­pula de granito que fica há qua­se 1500 metros acima do nível do vale. “O aspirante a fotógrafo já ha­via feito esse caminha antes. Uma vez com o tio, e mais tarde com um conhecido pintor, que quase quebrou o pescoço no percurso de volta – uma traiçoeira descida do estreito barranco”, conta Abi­gail. Desta vez, no entanto, o obje­tivo de Adams era mais específico que nunca: colocar em prática a tão pensada cereja do bolo em sua galeria de êxitos, algo que mostras­se a verdadeira grandiosidade de Half Dome. “Ele tinha a intenção de capturar a foto perfeita do Half Dome para adicionar ao portfólio – uma foto que lançaria sua carrei­ra como um dos mais importantes fotógrafos do século passado”.

Antes de conseguir realizar a foto que o imortalizou, Adams ti­nha outras pretensões artísticas. “Na maioria dos seus 25 anos, Adams considerava-se mais mú­sico que fotógrafo. Ele era um pia­nista dedicado, e havia passado um inverno em São Francisco le­cionando música e performando como parte do Milanvi Trio. Mas para ele, logo ficou claro que seu nível de talento seria suficiente apenas para que ele fosse reco­nhecido regionalmente”. Depois de abandonar o sonho musical, decidiu encarar um curso de fo­tografia. Recebeu de seu mentor, Albert Bender, um patrono das artes de São Francisco, encarre­gou-lhe da missão de produzir um portfólio largo, com fotos de montanhas em preto e branco, sendo o êxito de Adams uma con­dição de patrocínio.

A EXPEDIÇÃO

No momento da proposta, Adams já possuía boa parte das fotografias para preencher o por­tfólio, mas ainda não sentia-se sa­tisfeito com os registros de Half Dome que já tinha. “Ele já tinha feito algumas fotos do Half Dome antes. Algumas eram resultado de suas primeiras experiências com uma câmera, depois de ter sido presenteado com uma Kodak Brownie quando tinha 14 anos du­rante uma viagem para o Parque Yosemite”, explica Abigail Caim. Ele também já havia fotografado o efeito do luar na montanha, em um local do parque chamado Gla­cier Point, famoso por sua versão panorâmica. Mas, segundo a au­tora, “na foto resultante, com a face da rocha encapuzada pela sombra, ainda faltava o drama das fotogra­fias posteriores de Adams”.

Durante a expedição, uma mu­dança de planos fez com que a missão se tornasse ainda mais di­fícil. “Ele concluiu que precisaria chegar mais perto do Half Dome. Assim Adams e seus amigos saí­ram rumo ao Diving Board, uma laje de pedra pendurada a cerca de 3500 pés acima do vale. Não foi uma caminhada fácil, e Adams carregava o peso de uma bagagem de 18 quilos, contendo sua câmera, um punhado de filtros e lentes, e 12 negativos de placa de vidro”. A di­ficuldade e o êxito que ela propor­cionou determinariam o compor­tamento profissional de Adams até o fim de sua carreira. “Essa dedi­cação única tornaria-se típica nos processos futuro do fotógrafo, nos quais ele passaria, algumas vezes, semanas nas montanhas, procu­rando pelo local ideal para uma única fotografia”.Luar, a face de Half Dome – fotografia que tornou Adams conhecido mundialmente

Nas alturas do vale Yosemite, 1927
Close em folhas no Parque Nacional Glacier (1942)
The Tetons and the Snake River (1942
Tempestade de inverno (1937)