Portfólio 8 meses atrás | Thalita Monte Santo

Alexandre Augusto apresenta o livro “Mulheres de Pedra”

Livro reproduz exposição fotográfica apresentada em Salvador e São Paulo

por Revista FHOX

Stone Women (Mulheres de Pedra), livro de Alexandre Augusto, chegou às livrarias esse mês. Ele, lançado em versão bilíngue (português e inglês), é o resultado da exposição fotográfica Mulheres de Pedra, que atraiu grande público às suas duas edições em 2017, na Unibes Cultural, em São Paulo, e no Teatro Gregório de Matos, em Salvador.

Durante dois anos, o jornalista e escritor baiano fotografou o cotidiano de trabalhadoras da Chapada Diamantina, região do interior da Bahia, que ganham a vida quebrando blocos de pedras. Editando o material, Alexandre percebeu que ali havia uma narrativa do universo feminino e decidiu montar a exposição.

Mulheres de Pedra

 

Fugindo dos estereótipos ou mesmo da vitimização, as imagens apresentam mais do que a realidade das mulheres cortadoras de pedra da região Coloca-nos diante de algo que não está apenas nas pedreiras, mas na grandeza do feminino.

São 46 imagens – a exposição mostrou 22 delas de mulheres unidas por um sentimento: dignidade. O livro traça uma trilha visual por cidades perdidas no meio do nada, onde a chuva não cai e as cores no cinza quem dá são as mulheres com camisas enroladas no rosto e no pescoço, esmaltes nos pés descobertos e combinações de roupas que soariam fashion em qualquer editorial de moda mais despojado.

Mulheres de Pedra

O prefácio foi escrito pelo jornalista e escritor Roberto Pompeu de Toledo. Ele conta que as mulheres retratadas no livro ganham R$ 55,00 por cada mil paralelepípedos talhados. E mesmo nessa dura realidade, conseguem equilibrar força e delicadeza.

“Eloquente é o detalhe do esmalte nas unhas das trabalhadoras. Uma das fotos mostra a mulher de costas, o braço direito levantado, a talhadeira na mão, prestes a dar o golpe – e faz vislumbrar a unha do polegar pintada de vermelho. O esmalte trabalha contra a lógica da pedra, da dureza e da pobreza, e berra aos céus que se trata de mulheres”. 

Alexandre Augusto conta que seu primeiro sentimento foi achar aquilo tudo uma exploração, mas foi repreendido por uma das senhoras mais velhas da pedreira, que disse: ‘Moço, meu pai foi cortador de pedras e eu faço isso desde menina. Agradeço a Deus todos os dias pela pedra. Foi com a pedra que criei meus filhos. É com a pedra que hoje eles criam meus netos’”.

Mulheres de Pedra

O autor explica que as mulheres da Chapada trabalham de sol a sol para botar comida na mesa. “Mesa que de noite elas vão arrumar para os maridos e filhos. É isso que quero mostrar com as minhas fotos. Foi isso que os meus olhos viram. A dignidade dessas mães, esposas e filhas. Mulheres de Pedra tanto no sentido mais literal quanto no mais poético. Força, beleza, aridez, delicadeza… tudo junto”, diz Alexandre.

Sobre Alexandre Augusto

Mulheres de Pedra

Alexandre Augusto sempre foi um profissional da palavra escrita. Formado em jornalismo pela UFBA, escreveu, ainda na faculdade, a biografia do cantor carioca Moreira da Silva, indicada ao prêmio Jabuti. Morou na África, em Angola, escrevendo reportagens sobre a guerra do país, dormindo em trincheiras e acompanhando os conflitos de perto.

Em Mulheres de Pedra, sua estreia como fotógrafo, Alexandre Augusto troca as palavras pelas imagens com a habilidade de um contador de histórias. Cada foto é como um capítulo de uma narrativa que nos transporta para a realidade dos personagens. Exercendo a sua paixão por fotografia, o jornalista Alexandre Augusto prova mais uma vez que fotografar é, antes de tudo, a arte de contar histórias.

Mais informações sobre o livro em: www.editoranoir.com