Fotojornalismo 7 meses atrás | Thalita Monte Santo

Repórteres da Reuters, presos há 490 dias em Mianmar, vencem Pulitzer

O brasileiro Ueslei Marcelino está entre os fotógrafos na fronteira dos EUA que também foram premiados por registros da trajetória de migrantes da América Central

por Revista FHOX

No inicio da semana, a Reuters venceu dois prêmios Pulitzer: um de reportagem internacional – pela investigação que revelou a execução de 10 muçulmanos rohingyas por camponeses budistas e forças de segurança de Mianmar -, e outro sobre a fotografias de migrantes na fronteira dos Estados Unidos.

Esse é o segundo ano consecutivo que a agência vence dois Pulitzers, considerado o mais prestigioso prêmio do jornalismo nos EUA. Entretanto, dois dos premiados neste ano estão presos há 490 dias em Mianmar, por seu papel na revelação dos assassinatos.

“Enquanto é gratificante ser reconhecido pelo trabalho, a atenção pública deve estar focada mais nas pessoas sobre as quais reportamos do que sobre nós: nesse caso, os rohingya e os migrantes da América Central”, disse o editor-chefe da Reuters, Stephen J. Adler.

Maria Meza, migrante de Honduras, carrega suas filhas gêmeas de cinco anos para escapar de gás lacrimogêneo em Tijuana, na fronteira entre México e Estados Unidos, em 25 de novembro de 2018 — Foto: Reuters/Kim Kyung-hoon/File Photo

Uma reportagem, que revelou a execução de 10 rohingyas por camponeses budistas e forças de segurança de Mianmar no vilarejo de Inn Din, no centro do conflito no Estado de Rakhine, inclui a participação da Reuters. Os dois jovens repórteres Wa Lone e Kyaw Soe Oo, ambos cidadãos de Mianmar, encontraram uma cova coletiva repleta de ossos que saíam pela superfície. Eles, então, passaram a levantar informações, testemunhas, familiares de vítimas e depoimentos de executores.

Os dois conseguiram três fotografias avassaladoras com alguns aldeões. Duas delas mostravam os 10 rohingyas ajoelhados. Já a terceira expunha corpos mutilados e baleados dos mesmos 10 homens na cova rasa.

Imigrante hondurenho protege filha durante caravana até a fronteira sul dos Estados Unidos Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS

Porém, eles foram presos em dezembro de 2017, antes que pudessem concluir sua investigação. Fato que observadores internacionais têm criticado como um esforço de autoridades para impedir a reportagem. Entretanto, a matéria, “Massacre em Mianmar”, foi concluída pelos colegas Simon Lewis e Antoni Slodkowski e publicada em fevereiro passado.

Em setembro, Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram condenados a 7 anos de prisão por violar a Lei de Segredos Oficiais do país.

Fotógrafos na fronteira dos EUA

Já na categoria fotografia breaking news, 11 fotógrafos da Reuters, incluindo o brasileiro Ueslei Marcelino, que trabalharam no projeto “Na Trilha de Migrantes à América”, fotografaram uma série de imagens de imigrantes da América Central à fronteira dos EUA.

Uma delas, de Kim Kyung-Hoon, traz migrantes fugindo de gás lacrimogêneo disparado por autoridades norte-americanas para o lado do México na fronteira San Diego-Tijuana. Nela, uma mãe carrega suas filhas gêmeas pelo braço, enquanto latas de gás soltam fumaça ao redor. Em outra foto, uma aérea, Mike Blake foi o primeiro a fotografar o centro de detenção de Tornillo, no Texas, onde crianças andavam enfileiradas, como prisioneiras.

Já Goran Tomasevic fez uma imagem na cidade hondurenha de San Pedro Sula, onde um galo anda ao lado do corpo de um membro assassinado de uma gangue. Tomasevic já havia sido finalista do Pulitzer por suas fotografias da guerra na Síria.