Fotojornalismo 1 ano atrás | Redação

“Pescadores”

Cezar Magalhães narra a vida em Castelo, uma vila de pescadores no Pará

por Revista FHOX

Castelo é uma vila de pescadores, às margens do Rio Taperaçú, Bragança, Pará. Homens simples, que vivem da pesca para sobreviver, sofrem com a exploração dos grandes comerciantes de peixe na região Bragantina, além das precárias condições a que são submetidos para garantir a fartura deste alimento nos grandes centros comerciais.

Homens que carregam as marcas da árdua batalha diária em alto mar trabalham como mão de obra barata, para que os grandes comerciantes enriqueçam a custa de seu suor. Em sua maioria, analfabetos, que, preocupados em manter a subsistência de suas famílias, passam até dez dias em alto mar, em pequenas embarcações, enfrentando a fúria da natureza para cumprir sua missão, a sobrevivência do pescador.

Vila do CasteloFotos: Cezar Magalhães
Vila do Castelo[/caption]

Comunidade com cerca de mil habitantes, a vila ainda mantém o charme e saudosismo dos tempos antigos, com pequenas modernidades. Conta como uma escola, uma igreja à frente da cidade, e sua orla, que, além de servir para o desembarque da produção, serve para que os moradores e visitantes se deliciem com as belezas que a natureza oferece.

Mas, nem tudo na comunidade é alegria. A luta diária para alguns moradores começa bem cedo, já por volta das três horas da manhã. São os responsáveis pelo tratamento do bem maior do pescador, as redes de pesca. Estes trabalhadores são responsáveis em consertar e fabricar o artefato. Enquanto uns consertam (remendam), outros tecem, e outros fazem o entralhamento (colocam as redes em grandes gordas e boias) das grandes redes para que tudo saia bem durante a jornada.

Para melhorar o modo de vida dos moradores, em 13 de agosto de 1989, foi criada a Associação de Pescadores, visando orientar e fortalecer a prática da pesca, e seus benefícios para a comunidade. Hoje, a associação conta com vinte e uma embarcações de grande e pequeno porte, e cem associados, que partem diariamente do porto da vila, em direção do mar para exercer seu ofício, alguns, passam até dez dias, longe de suas famílias e amigos.

Igreja da Vila do Castelo
Igreja da Vila do Castelo

Esta cadeia de trabalho tem sua organização. Depois de consertadas e preparadas, embarcações e redes, estes bravos guerreiros do mar partem, cada um com sua obrigação. Os barcos maiores se deslocam com suas grandes redes (Malhão), em busca do pescado maior em alto mar, enquanto, embarcações de pequeno porte, exercem seu ofício nas praias e rios da região. Pescadores que usam a rede de malha fina costumam passar de três a oito dias pescando, enquanto, que o pescador de espinhel, retorna diariamente com a produção para abastecer o comercio local, e, até de fora da região (em sua maioria).

Antonio Castro Correa Borges, 66, pai de dez filhos, conhecido como “Castro do Castelo”, é o atual presidente da Associação de Pescadores. Pessoa de bom trato, e admirado pelos moradores, nos falava que a Vila de Castelo, foi fundada há 42 anos, quando, pescadores que moravam na Praia do Picanço, que, ao terem suas terras destruídas pela fúria do mar, se instalaram às margens do Rio Taperaçú, dando origem a conhecida Vila de Castelo.

Ao falar sobre seu trabalho a frente da Associação, conta que, ao assumir a quatro anos, conseguiu melhorar muita coisa em benefício dos trabalhadores. “Neste período, nós conseguimos alguns avanços, que antes não tínhamos”. Hoje, nossos pescadores contam com cursos de aperfeiçoamento de manejo e tratamento do pescado. “Fizemos vários cursos de peixe defumado, conservação, especificação de conserto e confecção de redes, em outros”. Dizia sorrindo.

Vila do Castelo
Vila do Castelo

Mesmo com estas melhorias, mesmo assim, ainda padecem com a dificuldade de possuir um fundo de reserva para implementar mais e dar uma vida melhor aos moradores. “Ainda sentimos não ter um fundo de reserva, para podermos colocar à disposição de nossos moradores, para podermos produzir e comercializar nossa produção”. Infelizmente, como a maioria das comunidades pesqueiras, sofremos do mesmo mal, nosso produto é levado para os grandes centros de comercialização, seja local ou externo. Falava com um tom de tristeza.

DE acordo com “Seu Castro”, a produção da pesca no vilarejo, no período de janeiro a setembro, foi de 124 toneladas, sendo a Pescada, o carro chefe da produção local. “O nosso peixe, quando desembarca, já está todo destinado”. “Os atravessadores compram nossa produção, que vai para a cidade de Bragança, onde, também, na maioria das vezes, e exportado para outros estados, ficando só a produção miúda para nossa subsistência”. Lamentava.

Mas, “Seu Castro do Castelo” não perde a esperança de conseguir manter sua produção comercializada diretamente pela associação. “O nosso sonho, é conseguir uma fábrica de gelo para conservarmos nosso produto, e comercializarmos diretamente, sem atravessador, bem como, conseguir um trapiche para desembarque do nosso pescado e melhor comodidade para os nossos pescadores”. Finalizou esperançoso.

Calafetador
Calafetador
A COMUNIDADE

Mãos que consertam, mãos que costuram, mãos que tecem, mãos que pescam. Assim é a vida na Vila de Pescadores de Castelo, em Bragança-Pará. Um lugar que, mesmo com a modernidade das casas, hoje, em sua maioria de alvenaria, não perde seu charme de interior.

Banhada pelo Rio Taperaçú, que deságua no Oceano Atlântico, é um convite à contemplação da natureza. Ao amanhecer, o sol, com toda sua beleza e esplendor, aos poucos vai mostrando sua beleza por trás da vegetação de manguezais, o voo de Guarás, Garças e outros pássaros, emolduram a beleza do lugar. E quando é época de lua cheia, no mesmo instante, ela se põe por detrás da pequena igreja, na frente do vilarejo. No final da tarde, o espetáculo se repete com a inversão do astro rei.

Para agradecer as bênçãos pela fartura da produção, os moradores de Castelo, não se esquecem de suas tradições religiosas e festas tradicionais. A maior homenagem, é para São Pedro, no mês de julho, que, sendo padroeiro dos pescadores, merece todo o agradecimento, com uma procissão fluvial pelas águas do rio que banha a vila. No mês de julho, se comemora o Festival de Verão, terminando em outubro, com o Círio em homenagem à Nossa Senhora das Graças.

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Calafetador
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Castro do Castelo
Castro do Castelo
Conserto de rede
Conserto de rede
Entralhador
Entralhador
Pescadores de Castelo
Pescadores de Castelo

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