Fotojornalismo 10 meses atrás | Colaboradores

O que a fotografia traz e até onde ela nos leva

Ela, para mim, é uma ferramenta de comunicação única. Mais pessoalmente, uma ferramenta de conhecimento

por Revista FHOX

Texto e fotos por Felipe Paiva 

Meu nome é Felipe Paiva, mas eu sou mais que isso. Sou paulistano, irmão de dois, filho, biólogo, namorado, apaixonado por jornalismo e fotógrafo. A vida me surpreendeu e fez com que a fotografia me transformasse completamente.

Durante a faculdade de biologia, fiz um curso de fotografia de natureza durante uma edição do Paraty em Foco. Logo comecei a me interessar por fotografia. Clicava plantas, animais e paisagens. Não gostava de imagens de cidade ou pessoas, apenas o que era “natural”.

Felipe Paiva, por Jimena Huesca

Já nos últimos meses da faculdade comecei a me envolver com os protestos contra a construção da barragem de Belo Monte. E o fator humano, social e político entrou na minha vida. Me joguei na fotografia, passando por estúdio de still, onde aprendi muito, até chegar finalmente no fotojornalismo, que é minha paixão.

Hoje, moro em Paris e estou tentando realizar minhas aventuras particulares através da fotografia. Ela, para mim, é uma ferramenta de comunicação única. Mais pessoalmente, uma ferramenta de conhecimento.

Minhas referências vêm desde colegas, que me inspiram muito, até grandes nomes como Bresson, Capa e Sebastião Salgado, esse que, assim como eu, é apaixonado pela natureza. Não posso deixar de mencionar que as composições de Andreas Gursky e Alex Webb, as histórias de James Nachtwey, as cores do Steve McCurry e as loucuras de Bruce Gilden também me influenciam.

Zaitsevo Irina

 

Mas, mais próximos a mim, também tenho como inspiração meus colegas do R.U.A Foto Coletivo (Registro Urbano Autoral), como a Isabella Lanave que possuí um trabalho extremamente pessoal e o Felipe Dana, quem considero o melhor fotojornalista brasileiro vivo.

Jornadas de junho

R.U.A

O R.U.A surgiu em 2013 por pressão profissional e financeira que é exercida sobre os fotojornalistas. A grande maioria é ligada às agências que reúnem as fotos de todos os fotógrafos e, então, as distribuem para os jornais. O problema é que o valor que chega ao fotógrafo é muito baixo, muitas vezes não cobrindo nem os gastos diários para realizar uma pauta.

Iraq Kasim

Com isso, alguns profissionais começaram a tentar fazer a distribuição independentemente e, assim, alguns coletivos começaram a surgir. É uma forma informal, no sentido legal, de cooperação e com uma pitada de ativismo. Foram os fotógrafos Rodrigo Zaim, Tércio Teixeira e Jardiel Carvalho que fundaram o coletivo.

Logo percebi que havia algo interessante se formando ali. Entrei em contato, nos conhecemos de verdade – pois já havíamos nos encontrado em diversas pautas – e comecei a integrar o grupo. No começo não sabíamos o que iríamos fazer. Ao longo de 4 anos nós começamos a produzir nosso próprio material fotográfico e alguns artigos para veículos, principalmente brasileiros.

Iraq Al Tanak Girl

O meu papel no coletivo foi um pouco de organizar as ideias e estruturar um pouco a execução, porém é sempre difícil, pois nenhum de nós nunca aprendeu de fato a gerenciar nada além da nossa própria vida. Mas o bom de trabalhar como um coletivo é que aprendemos muito a cooperar, gerenciar as relações, egos e etc. Isso é difícil pois fotógrafos normalmente possuem um trabalho mais solitário.

Ele Não

Eu, pessoalmente, uso a fotografia para conhecer novos mundos. Eu jamais teria ido para a Ucrânia, em 2014, se não fosse para fotografar. Só a fotografia para me fazer chegar em uma cidade praticamente em guerra, sem conhecer ninguém e com temperaturas que chegam a -20ºC. Ou até mesmo ter partido para o Iraque ou Síria, em momentos como os de hoje. Mesmo no Brasil, conheci lugares como Duque de Caxias, algumas regiões da periferia de São Paulo e Curitiba só por causa da fotografia. Ela é como um combustível.

Kiev

Hoje, os últimos trabalhos que fiz estão mais ligados ao vídeo do que a fotografia. Não que eu goste mais de vídeo, mas ele se tornou uma demanda cada vez mais presente. Fui para o Iraque algumas vezes esse ano para filmar, mas claro que uma vez lá eu aproveitei para documentar tudo em fotos. A retomada da vida em Mosul e arredores foi o foco de tudo.

Também estive em Donetsk no leste da Ucrânia para documentar o conflito entre ucranianos e russos. Para 2019, espero conseguir realizar alguns projetos que estou planejando no continente africano.