Família 2 anos atrás | Leo Saldanha

Alain Laboile, o mestre da fotografia documental de família, é atração da Fotografar 2018

O francês já esteve no Brasil, um país de muita beleza e muitos contrastes sociais, na visão dele.

por Revista FHOX

Por Leo Saldanha

Alain Laboile começou clicando as esculturas que ele criava em casa, em 2004. A ideia era ter um portfólio daquelas obras em fotografias. Comprou uma compacta de bolso e a partir dali mergulhou na documentação. “Estudei o modo macro da fotografia e foquei na entomologia”, diz ele. Mas foi com o nascimento da sexta filha em 2008 que ele começou a série “The Family”.

Assim como outros fotógrafos celebrados, Laboile tem com frequência seu trabalho reconhecido e compartilhado pelas redes sociais. Ele é tema de inúmeras matérias sobre fotografia documental. “Devo minha notoriedade às redes sociais, mas não fotografo com smartphone. Não imaginava que a fotografia faria o que fez por mim. Eu me tornei fotógrafo por acidente e nunca imaginei que retrataria minha família no jardim de casa.”

Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)

O fotógrafo não clica outras famílias, só a sua. “Tenho uma prática muito pessoal, exclusivamente no meu ambiente, não fotografo nem quando viajo. A documentação diária da minha família é um trabalho em tempo integral, não precisei de outras inspirações até agora.” Ele já esteve no Brasil, um país de muita beleza, muitos contrastes sociais, em sua visão.

“Gostei do lado selvagem do Rio e da selva de pedra interminável de São Paulo. Sinto o mesmo com a arte brasileira: diversidade, contraste, poder emocional.” Laboile destaca o trabalho de Sebastião Salgado. “Estou muito orgulhoso porque compartilharemos a mesma galeria em Bruxelas. Descobri recentemente o trabalho fotográfico de Julio Bittencourt, pois participamos de uma mostra coletiva em Paris. Cara legal e excelente trabalho!”, comenta.

“Não bloqueie influências e fique longe das tendências. O mais importante é encontrar a própria personalidade, criar o próprio estilo. A técnica e o equipamento não são importantes, somente a emoção é importante”.

Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)
Fotografia documental. (Foto: Alain Laboile)

Sobre seu grande sonho, Laboile é direto: “Estou fazendo uma vida digna graças à minha arte, cercada por uma família amorosa, não preciso de mais nada”. Sua fotografia nasceu na era digital, nunca fotografou com filme e hoje é patrocinado pelo programa Leica Academy em exposições, oficinas e publicação de livros.

A foto no papel é importante para Laboile, que faz questão de imprimir. “Gosto de ver minhas imagens impressas, têm uma dimensão mais profunda do que na tela do computador; tenho certeza de que os amantes da fotografia e os colecionadores precisarão sentir o papel, o grão das imagens por um longo tempo”, diz. Sobre o mercado, ele crê que a fotografia documental de família não tem tantos fotógrafos no mundo porque existem outros assuntos em destaque. “Talvez seja melhor comercialmente trabalhar em um projeto conceitual do que em uma série documental mais ancorada na realidade social”, diz.

Alain Laboile é uma das principais atrações do Congresso Fotografar 2018 (com palestra e workshop). Confira em Superquarta: http://fotografar.fhox.com.br/superquarta-familia/ 

Ou o workshop: http://fotografar.fhox.com.br/workshop/workshop-com-alain-loboile/