Autoral 2 anos atrás | Thalita Monte Santo

Projeto fotográfico faz resgate histórico sobre povos negros em Rondônia

por Revista FHOX

A vontade de encontrar respostas sobre as linhas da história que não conhecia surgiu quando a fotógrafa Marcela Bonfim mudou-se de São Paulo para Rondônia, na Amazônia. Ela, que também é formada em economia, migrou para o novo estado em busca de uma oportunidade de trabalho.

“Minha chegada a Rondônia foi a mais turbulenta e violenta mistura de sensações que já senti. Eu saía do aprisionador mundo das ilusões, para finalmente experimentar a tão incompreendida realidade. Tudo de uma vez, da mesma forma como se vira um copo d´água de repente. Um esvaziamento completo”, afirma a fotógrafa.

Foi em cima de uma bicicleta, para se habituar aos costumes do novo estado, que ela começou a se misturar aos moradores. Sempre questionada se por acaso era uma Barbadiana, uma Malone, ou até mesmo uma Johnson, a fotógrafa não entendia o porquê das perguntas. Até o dia que uma amiga lhe contou sobre esses nomes.

Eles eram de famílias tradicionais negras de Rondônia, vindos de Barbados, no Caribe, para ajudar na construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, entre 1907 e 1912.

Como nunca havia ouvido falar sobre negros tradicionais, a informação chegou como uma surpresa para Marcela. A partir dessa descoberta ela passou a lidar com o real e, nisso tudo, ao mesmo tempo, com a solidão.

Após ouvir histórias sobre os Barbadianos e entender a influência negra existente no local, decidiu se aprofundar no assunto e usar a fotografia como instrumento na jornada.

O registro de moradores de quilombos, afro-indígenas, barbadianos e haitianos deu início ao processo de ressignificação de suas origens. O projeto fotográfico Reconhecendo a Amazônia Negra nada mais é que o fruto das andanças de Marcela pela região Norte em busca de respostas.

“Me perceber igual a esta Amazônia negra ajudou a estabelecer raízes e uma nova forma de enxergar a mim e, principalmente, este lugar”, conta.

A busca por estas imagens era, na verdade, a busca por uma compreensão de quem se é. E foi pela cor das ruas de Porto Velho, a cor do presídio, a cor dos ciclos econômicos e a própria cor da história de Rondônia que ela se reconheceu.

O resultado são imagens belíssimas, cheias de expressão e cores.

Vale a pena conhecer mais sobre o trabalho de Marcela: www.amazonianegra.com