Autoral 2 meses atrás | Thalita Monte Santo

Quem é Felipe C. Souza e por que você precisa conhecê-lo

Quando nos deparamos com as imagens do jovem fotógrafo, duas coisas chamam a atenção: o protagonismo negro e as cores vivas

por Revista FHOX

Felipe C. Souza, 28, descobriu sua ligação com a fotografia ainda na escola, durante um trabalho sobre o tema, no terceiro ano do ensino médio. Mas sua curiosidade por imagens surgiu antes mesmo da pesquisa escolar, aos 14 anos, quando conheceu um fotógrafo de Skate. Em 2011 ele já sabia o que queria: ingressou na faculdade para cursar fotografia; e foi aí que tudo começou, de fato.    

Quando nos deparamos com as imagens do jovem fotógrafo, duas coisas chamam a atenção: o protagonismo negro e as cores vivas, que estão presentes no cenário, roupas ou em detalhes de acessórios dos modelos. Segundo Souza tudo ali, na imagem, é intencional. 

Felipe C. Souza
Foto: Felipe C. Souza

“Minha fotografia nasceu com a carência de representatividade que eu tinha desde pequeno. Eu pouco me via como pessoa negra e quase não via pessoas negras em diversas peças de publicidade, filmes e afins”, conta. Sua força motor é a vontade de trazer à tona reconhecimento e representatividade. “É o registro a fundo do que eu sou e de como eu me sentia, eternizando sorrisos que eu pouco vi e causando reflexões que eu sempre tive, meio difícil resumir tantos sentimentos da minha motivação”, explica. 

Segundo ele, a ideia do protagonismo negro que coloca em suas fotos vem de entender a sua necessidade na fotografia, um lugar que encontrou para falar mais, entender-se como fotógrafo negro e colocar mais pessoas negras em visibilidade, da forma mais natural possível. 

Já sobre as cores, Souza diz que se inspira no trabalho de Walter Firmo, fotógrafo autodidata, jornalista e professor, que iniciou sua carreira como repórter fotográfico no jornal Última Hora, no Rio de Janeiro, em 1957. Ele tem como tema principal a figura humana em seus trabalhos. 

“Uma referência gritante nas minhas fotos, por seu trabalho com cores na fotografia. Fora isso, também foi algo que nasceu pouco a pouco e nem mesmo eu havia percebido ser tão fissurado em cores”, conta.

Ainda falando em inspirações, além de Firmo, Jamel Shabazz e Gordon Parks também são grandes referências para ele. Quando questionado sobre o que a fotografia lhe representa, o fotógrafo conta que ela significa a extensão do que se é e do olhar. “O registro que permanece, o que você leva para as pessoas, ela pode ser arte, pode ser tudo que toca uma parte do mundo. Para mim, fotografia é isso.”.

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Felipe C. Souza