Autoral 1 ano atrás | Thalita Monte Santo

Conheça “Era uma vez no México”, série de Fernando Lago

por Revista FHOX

Dizem que ingressar na fotografia pode ser um caminho sem volta. E o fotógrafo Fernando Lago é a prova de que quando a paixão nasce (ou é redescoberta), fica difícil não se entregar a ela.

Lago sempre gostou de imagens. Quando criança, observava o mundo ao seu redor através do visor das câmeras analógicas de seus pais (uma Kodak e uma Yashica) e gostava de “brincar de fotografar”. Com o tempo, seus registros foram compondo os álbuns da família. Na adolescência, ajuntou dinheiro e comprou uma Cybershot da Sony, porém sem nenhuma pretensão de se aprofundar em técnicas.

Mas foi apenas ao sair do país, em 2006, durante um intercâmbio no México – com a mesma Cybershot -, que ele passou a enxergar a fotografia de outra maneira. Na época, ele cursava design gráfico.

“Era uma vez no México” – Fernando Lago

“Fui morar seis meses em Querétaro, onde fica a faculdade. Uma das minhas aulas era de fotografia, lá usava câmeras analógicas profissionais, comecei a aprender os controles manuais das câmeras e revelar as fotos no quarto escuro. Aquilo era terapêutico para mim, ajudava muito a lidar com meus problemas de ansiedade”, relembra.

Ele deixou design de lado para se dedicar e aprender mais sobre a fotografia. Descobriu grandes referencias e inspirações, como Helmut Newton, Robert Mapplethorpe, Ruth Gruber, Robert Capa, Cartier-Bresson, Vivian Maier, Boris Kossoy, Claudio Feijó, Nair Benedicto, Claudia Andujar, entre outros. Hoje, Lago trabalho com fotografia documental de rua.

Entre junho e julho de 2017, o fotógrafo retornou ao México e passou por Puebla de Zaragoza, Cholula e San Lucas el Grande. Foi durante a viagem que ele decidiu criar a série “Era uma vez no México”, com imagens do cotidiano de cada cidade visitada.

“Era uma vez no México” – Fernando Lago

“Fazer esses registros foi mágico, voltar ao país que me motivou a aprender fotografia, agora com um pouco mais de experiência e conhecimento, e poder registrá-lo com meus olhos de hoje foi como uma retribuição ao que foi me dado há quase 12 anos. Como sempre o que me chama a atenção são as cores e os aromas e claro as pessoas e o meio em que vivem”, conta.

“Era uma vez no México” – Fernando Lago

Para ele, a fotografia documental exige atenção com o mundo ao redor, respeito e comprometimento com o tema documentado e, em boa parte dos casos, uma boa dose de empatia.

“Era uma vez no México” – Fernando Lago
“Era uma vez no México” – Fernando Lago
“Era uma vez no México” – Fernando Lago

O que Lago mais gosta de fotografar é a rua, seja a sua ou as de suas viagens. “É onde as pessoas estão, interagindo entre elas, com a cidade e sua arquitetura e natureza. Fotografar pra mim é terapia, mas também um pouco de obsessão, falo isso, pois estou boa parte dos meus dias olhando para o mundo com olhar fotográfico, por mais que não esteja com a câmera na mão em alguns momentos”, explica.

“Era uma vez no México” – Fernando Lago

Para quem está começando na fotografia documental e de rua, ele deixa um conselho: “Mantenha a mente, o coração e os olhos abertos, valorizem os pequenos momentos únicos que a vida propícia, mantenha sua indignação com as injustiças do mundo e o amor e a curiosidade da criança que tem dentro de você, assim será mais fácil descobrir o momento certo do click”.

“Era uma vez no México” – Fernando Lago

O tempo, segundo Lago, é o grande segredo da captura das imagens, assim como em outras áreas e na vida.

“Era uma vez no México” – Fernando Lago
“Era uma vez no México” – Fernando Lago
“Era uma vez no México” – Fernando Lago
“Era uma vez no México” – Fernando Lago
“Era uma vez no México” – Fernando Lago

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