Autoral 2 meses atrás | Flávio A. Priori

Uma Crônica Munduruku, por Marcelo Oséas

Trabalho traz fotos de aldeia na Amazônia, com imagens colorizadas manualmente com pigmentos naturais

por Revista FHOX

O fotógrafo Marcelo Oséas apresenta a série “Uma Crônica Munduruku”, resultado de uma viagem ao coração da Amazônia. Na aldeia localizada no Baixo Tapajós, Marcelo estabeleceu uma relação prévia com a comunidade, respeitando as regras, instituições locais e principalmente, o tempo das pessoas. As fotografias transmitem os valores da aldeia que sofre pressão para a mudança de seu cotidiano. Com essa luta dos indígenas para a preservação de seus valores e forma de vida, Marcelo construiu imagens em tons de crônica, simples e diretas.

Munduruku

Como faz da fotografia uma forma de contribuir para a preservação e divulgação das comunidades tradicionais, os registros da aldeia deram origem à série com uma meta de vendas para ajudar a construir a Escola de Cultura, Floresta e Medicina Munduruku. Essa escola atende a manutenção do ambiente de floresta da aldeia, assim como da cultura tradicional.

“É impossível mensurar o quanto um trabalho fotográfico realmente contribui para algum tipo de preservação (quando ele tem esse objetivo). E isso sempre me incomodou. Por isso entendo que para um trabalho fotográfico estar completo, ele necessita propor uma contrapartida direta, que gera uma preservação visível e, dentro das possibilidades, mensurável. E o projeto da Escola de Cultura, Floresta e Medicina Munduruku atende totalmente essa premissa”. diz o fotógrafo.

Outro destaque da coleção é a colorização manual das fotografias. “Neste trabalho eu aprofundei a pesquisa de materiais, trazendo para a estética das imagens a negação da nitidez, valores tipicamente comerciais no campo da fotografia, e incluindo elementos que convergem para o etéreo, valor muito presente na realidade indígena”.

As imagens foram impressas em Fine Art em P&B, em papel Hahnemühle Photo Rag, gramatura 308 e para a coloração Marcelo usou as quatro cores da escala CMYK, extraídas de pigmentos naturais. O preto vem do carvão e açaí; o magenta vem da folha de um cipó, o crajiru, muito encontrada na floresta Amazônica. Já o amarelo será extraído da cúrcuma, também conhecida como açafrão brasileiro ou ainda mangarataia. E, por fim, o azul que vem do índigo natural.

Marcelo Oséas

Fotógrafo autoral, Marcelo reside na cidade de São Paulo. Estudou Ciências Econômicas pela Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP) e atuou por nove anos em grandes companhias brasileiras, assim como no terceiro setor. Migrou integralmente para a fotografia em 2012. Sua produção está relacionada às expressões artísticas autóctones Latino-americanas, assim como culturas tradicionais, como a indígena, caiçara e andina. Mantém como campo de pesquisa os processos de assimilação da sociedade de consumo dos elementos culturais nativos, com sua consequente integração ou eliminação.

Foi convidado a manter um portfólio vitalício no LensCulture Street Photography Awards. Em
2017 lançou seu primeiro livro, uma auto publicação intitulada “O Agridoce Agrestino”. Em
2018 foi finalista do Prêmio Paraty em Foco com a fotografia intitulada “Iluminação”,
componente do livro.