Portfólio 5 meses atrás | Gabrielle Cesaretti

O Coletivo Afrotometria e a luta contra o racismo no meio fotográfico

Juntos desde 2018, o coletivo busca espaço e visibilidade para fotógrafos negros no meio fotográfico

por Revista FHOX
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Coletivo Afrotometria

Nesse último mês de fevereiro, em alguns países, é celebrado o Black History Month, ou o Mês da História Negra. Assim, essa data comemorativa busca retratar pessoas que são e foram importantes para a História Afro-Americana, por exemplo. Em homenagem a esse mês tão importante para a história negra, nós apresentamos o Coletivo Afrotometria, que aqui no Brasil, mais especificamente na capital paulista, buscam ocupar espaço e representatividade na fotografia.

Conheça um pouco mais sobre eles: 

O Afrotometria é um coletivo de São Paulo formado por seis fotógrafos negros que se uniram em 2018, com o objetivo de combater o racismo dentro do meio fotográfico. Como resultado, se aproximaram de outros fotógrafos negros de São Paulo e do Brasil. Além disso, desenvolveram projetos e exposições.

Em entrevista para a FHOX, o integrante Sergio Fernandes disse que não existia a ideia inicial de formar o coletivo, porém foi algo que surgiu naturalmente. “Ninguém teve a ideia sozinho, eu pesquisei alguns fotógrafos negros na internet e a gente se encontrava de vez em quando em eventos de fotografia”.

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Foto: Sergio Fernandes – @sergiofe.z

Como o Coletivo Afrotometria surgiu?

Tudo começou na saída de um bloco de maracatu Ilu Inã, que é caracterizado por ser um bloco afirmativo negro. Como resultado haviam mais de 20 fotógrafos, e todos eles eram negros. Como os próprios integrantes do coletivo afirmam, houve uma troca sincera e de muito respeito pelo trabalho do outro. Depois desses episódio eles tiveram a ideia de criar um grupo de fotógrafos negros no Facebook.

Mariana Ser, integrante desse grupo, foi convidada para participar da 1ª Exposição Fotográfica de Paranapiacaba de São Paulo. Ela então entrou em contato com outros fotógrafos e fez o convite para que também participassem com ela. E foi assim, após esse primeiro projeto juntos, que finalmente o Coletivo Afrotometria surgiu.

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Foto: Mariana Ser – @marianaser

O que é a Afrotometria?

Para Sergio Fernandes a Afrotometria é um lugar onde pessoas negras do meio fotográfico podem se conectar e se encontrar. “A esperança é que o coletivo traga respeito e reconhecimento de fotógrafos negros dentro mercado fotográfico e que até lá não tenha a necessidade de existir um coletivo para conscientizar as pessoas dentro esse meio a respeito dessa inclusão”.

Em contraste sobre uma possível reinvenção ou novos objetivos a serem seguidos, o integrante do coletivo, diz que tudo depende das mudanças que surgirem do posicionamento do mercado sobre fotógrafos negros. “Sempre existirá um objetivo coletivo diferente de acordo com as mudanças que vão surgindo. O que vem depois da conquista de espaço e visibilidade são as novas narrativas que poderão surgir.”

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Foto: Iná Henrique Dias – @inahds

Temática

Ainda que cada integrante tenha uma temática individual, em comum ambos buscam trazer a beleza da movimentação preta e acabar com o estereótipo da imagem que foi construída em cima do racismo.

 Tem esse esquema de como tratamos os temas, o nosso diálogo com a movimentação no contexto que a gente está inserido na cidade. Da movimentação periférica e a movimentação preta. E a gente assimila e soma como contribuição dentro desse espaço. Seja a gente fotografando o cenário de carnaval preto, por mais isso entra em questão, a gente soma nesse lugar. Nos trampos de cultura da cidade, nesse movimento de que a juventude preta está tomando na cidade, e tem o nosso lugar de denúncia”, explica Fernando Solidade, fotógrafo e integrante do coletivo.

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Foto: Fernando Solidade – @fernandosolidade

FOTOPRETA na Casa Elefante

Em 2018, a Afrotometria organizou a exposição FOTOPRETA, que aconteceu no mês de outubro na Casa Elefante em São Paulo. O projeto independente contou com 29 fotógrafos negros. Pelo conhecimento da curadoria essa pode ter sido a primeira exposição de fotografia que contou apenas com fotógrafos negros. O que os deixou orgulhosos pelo trabalho realizado. Porém, mostrou como a cultura fotográfica negra tem pouco espaço pra exposição e pouca visibilidade.

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Foto: Tiago Santana – @tiagosantanafoto

Conheça mais sobre o coletivo acessando sua página no Facebook.