News 4 anos atrás | Diogo Amorim

Selo editorial pretende viabilizar novas formas de consumo e linguagem na fotografia

Editora independente aposta na força do trabalho coletivo

por Revista FHOX
Edição do Fotodobras. Créditos: Divulgação/Beira - Movida Editorial.
Edição do Fotodobras. Créditos: Divulgação/Beira – Movida Editorial.

A FHOX entrevistou a Beira – Movida Editorial, editora e selo porto-alegrense criado pelos fotógrafos Camila Domingues, Cristiano Sant”Anna, Eduardo Seidl e a jornalista Clarissa Pont.
O projeto aposta na pesquisa de novas formas de financiamento, linguagem fotográfica e na realização de edições independentes em pequenas tiragens.

Com cinco títulos editados pela casa e um projeto financiado coletivamente, o Fotodobras, a
Beira revela novas formas de compreensão fotográfica com o viés coletivo.

“Normalmente, a fotografia é um trabalho solitário. O fotógrafo lida sozinho com o tema,
edição e resultado. Há necessidade de ter o olhar e a crítica do outro, construir juntos. E o
Fotodobras é um projeto que se encaixa neste olhar coletivo”, explica Cristiano Sant’Anna.

O Fotodobras é um projeto viabilizado por 169 pessoas através do site de financiamento
coletivo Catarse.me. Em ensaios sobre o urbano, ele compõem uma coletânea de pequenos livros-dobraduras confeccionados a partir de uma página frente e verso de tamanho A3, que,
dobrada, resulta em um livro de oito páginas.

Fotodobras. Créditos: Divulgação/Beira - Movida Editorial.
Fotodobras. Créditos: Divulgação/Beira – Movida Editorial.

O primeiro Fotodobras teve a participação de Joana França, que explorou a textura urbana ao
catalogar a arquitetura de Brasília. Já Cristiano Sant’Anna caminhou para o olhar rudimentar e
documental do gueto invisível em São Paulo usando pinholes. Camila Domingues , por sua vez,
clicou o desperdício na distribuição de alimentos. Eduardo Seidl vagou pelas luzes do
amanhecer do centro de Porto Alegre e Mateus Bruxel trabalhou com as margens do urbano na mesma cidade.

Fotografia que faz parte do Fotodobras. Créditos: Mateus Bruxel.
Fotografia que faz parte do Fotodobras. Créditos: Mateus Bruxel.

O trabalho foi editado sobre uma mesa onde todos colaboraram, além de mais dois fotógrafos
convidados. Foi um “exercício de desapego”, comenta Cristiano. A Beira acredita que é
necessário um respiro e um olhar de fora para enxergar e contar o que a fotografia revela.

Além de tocar coletivamente a Beira, todos trabalham em outros espaços. Sabendo como o
mercado fotográfico pode se revelar caro, seja em material ou colocando projetos para
funcionar, os integrantes se debruçam na ideia de ampliar o consumo da fotografia.

Evento NoaNoa que a Beira participou. Créditos: Divulgação/Beira - Movida Editorial.
Evento NoaNoa que a Beira participou. Créditos: Divulgação/Beira – Movida Editorial.

“Dentro do Fotodobras é possível viabilizar a ideia de circulação da fotografia e estimulo do
colecionismo. Fazemos um trabalho de qualidade e que pode ser barateado. Assim cada vez
mais pessoas poderão consumir o produto fotográfico”, conta Eduardo Seidl.

Novos caminhos por vir

Mesmo com pouco tempo de casa, a editora independente se organiza para colocar mais
projetos na praça. Entre eles um ensaio latino-americano, ainda em processo para a segunda
edição do Fotodobras. Além disso, participarão da Feira do Livro de Fotografia de Lisboa, a
Lisbon’s Photobook Fair, no final de novembro deste ano. A Beira terá uma banca no espaço dos expositores e na exposição de Fotolivro Brasileiro com o Fotodobras.