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Sebastião Salgado: nova exposição, livro e o título de doutor honoris causa em Harvard

Referência mundial, o fotógrafo apresenta novo trabalho impactante com o livro “Amazônia” e acaba de receber o título de Doutor Honoris Causa em Harvard

Sebastião Salgado parece incansável na valorização da natureza. Seja com o trabalho do Instituto Terra e agora com seu novo projeto “Amazônia”. A exposição apresentada essa semana em Paris é uma jornada na selva na maior selva tropical do mundo. O projeto é resultado de sete anos e a inauguração na capital francesa é só o começo da trajetória de mais uma exposição que vai viajar o mundo. Entre as cidades previstas estão São Paulo, Rio de Janeiro, Londres e Roma. Isso só para citar as já confirmadas. No fim, segue o mesmo itinerário mundial da última exposição fotográfica com Gênesis. Se naquela vez a ideia era mostrar os pontos mais inóspitos da natureza, dessa vez o fotógrafo mergulha em um tema de preocupação recorrente. Afinal, a pandemia é reflexo direto da interferência do homem no meio ambiente. E a representação em imagens da Amazônia traz esse debate e sua importância para que todos vejam e reflitam. 

Trabalho mais pessoal – Em entrevistas recentes para publicações internacionais, Salgado diz que esse é seu trabalho mais pessoal e de extrema urgência. A ideia do fotógrafo é abordar as lideranças indígenas (no pós-pandemia) para entender melhor o que elas têm a dizer sobre o que vem acontecendo na floresta. Segundo a imprensa que visitou a exposição, trata-se de uma verdadeira experiência. Até porque é acompanhada pela trilha sonora de Jean-Michel Jarre, pioneiro da música eletrônica. 

A viagem é acompanhada por música composta para a ocasião pelo compositor francês Jean-Michel Jarre, um dos pioneiros da música eletrônica. “A Amazônia é a pré-história da Humanidade, o paraíso na Terra” disse Salgado na apresentação à imprensa da mostra.

A exposição mostra em 200 fotos os dez grupos de indígenas que ele conviveu nos sete anos retratando a selva. Aliás, a última vez que ele esteve por lá foi em fevereiro passado. Isso inclusive chama muita atenção. Da vitalidade de um fotógrafo com quase 80 anos que segue com sua missão de forma consistente por tantos anos. Na matéria da Exame recente publicada os detalhes da passagem pela exposição: 

Indígenas yanomamis, marúbos, yawanawás… o fotógrafo os convida para seu “estudo” entre as árvores: um lençol branco pendurado ao fundo e um plástico no chão pronto para ser enrolado após a irrupção de uma chuva.

Alguns se vestem para a ocasião, pintando o corpo e usando um cocar de penas. Salgado espera que sejam eles que tomem a iniciativa, da mesma forma que só chegou a essas comunidades depois de obter sua autorização e no dia que determinaram, graças à mediação da Fundação Nacional do Índio (Funai).

As 200 fotografias que compõem a exposição imaginada e montada pela esposa do fotógrafo, Lélia Wanick Salgado, são acompanhadas pela música de Jarre, que também fez uso dos arquivos sonoros da Amazônia que estão no Museu de Etnografia de Genebra.

“Nem Salgado nem eu queríamos música ambiente ou exclusivamente étnica. Uma floresta é muito barulhenta, tem sons independentes, não é como uma orquestra”. E ainda “é harmoniosa para o ouvido humano”, disse o compositor.

Para Jarre, “a exposição poderia ter sido fruto de um documentarista, mas é obra de um artista. Salgado nos convida a um passeio místico, que é o que precisamos agora que começamos a sair desta pandemia”.

Com passagem por mais de 100 países, e fotografando e fotografando desde 1973, Salgado foi agraciado nos últimas dias com uma grande honraria. Na última quinta-feira ele recebeu o título de doutor honoris causa em Harvard. Um reconhecimento de uma das instituições de ensino mais importantes do mundo sobre a contribuição do fotógrafo para o mundo das artes. E a julgar pelo novo livro e exposição, Salgado vai além da arte com uma causa justa em defesa da natureza. 

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