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“Salve o que você não pode substituir”

Em caso de incêndio, salve as memórias. Colunista do Washington Post comprova na prática o que já foi demonstrado em pesquisas. Em caso de incêndio, as famílias buscam suas memórias e documentos importantes

A colunista Petula Dvorak traz um relato muito pessoal do que nos é mais valioso. Os pais enfrentaram uma calamidade dos incêndios na Califórnia. Ela conta de uma forma muito humana e próxima. Os pais discutindo o que pegar. A mãe dela dizendo: e as fotos? O pai respondeu que era apenas uma impressão que todos da família tinham uma cópia. Daí do desapego e da decisão de deixar lá para o fogo quem sabe consumir a lembrança. Não foi a mesma coisa com relação aos álbuns (muitos deles). A família dela decidiu que iria salvar o que não teria como ser substituído. Pesquisas de anos atrás indicavam que as famílias portuguesas e japonesas em caso de terremoto, tsunami ou incêndio faria o mesmo que os pais de Petula. 

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O relato da jornalista é forte porque nos conecta com esses tempos de tudo conectado. Ela ouviu os pais discutindo sobre o que ficaria ou não enquanto acompanhava tudo no viva-voz do smartphone. “Foi doloroso ouvi-los debater o valor de todas as coisas que enchiam sua humilde casa, e o que deixar, o que levar. Seus suéteres angorá. Seu equipamento de pesca. Suas modestas joias. O cristal checo. O delicado jogo de chá, as bonecas de palha de milho” conta na matéria. “Pegue as coisas que você não pode substituir, mãe”, eu disse a ela, concordando (pela primeira vez) com meu pai. Petula trouxe ainda outra lembrança da tradição de “salvar memórias” em outra ocasião: quando um furacão se aproximava da casa da família em 1998.

“Colocamos todos os nossos papéis e fotos importantes em banheiras de plástico, carregamos no carro e pegamos compensado para as janelas de nossa casa. Tínhamos apenas algumas horas para decidir o que levar antes de sairmos”

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Petula mergulhou no drama de famílias norte-americanas agora assoladas por um furacão (Ida) e também sobre os refugiados afegãos. São famílias que precisam (guardadas as devidas diferenças) fazer escolhas rápidas e deixar quase sempre tudo para trás. Não é uma decisão fácil, na verdade é bem doloroso e traumático. As fotos serem lembradas em momentos como esses é sobre o que não podemos substituir e sobre nosso passado, legado de verdade. Pode ser pouco, mas é muito importante. Ou como a própria jornalista disse: “Não era muita coisa. A evacuação é uma arte de eficiência e pragmatismo”. 

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