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Recém-nascidos: sejam bem-vindos ao mundo com fotos inesquecíveis

BOI BUMBA
Novidade: elementos da cultura regional aproveitados nos ensaios newborn; ideia vem de Manaus. Foto: Juliana Cavalcante

O núcleo da fotografia de recém-nascido, ou newborn, expande-se ano a ano. Do lado dos fotógrafos, o esforço é grande na inovação dos ensaios uma vez que o posicionamento do bebê não permite muitas variações de pose.

Nessa busca, uma das novidades vem do norte brasileiro. Juliana Cavalcante é autora do ensaio “Filhos da Amazônia” que se transformou em exposição itinerante e chama atenção do público pelos 14 painéis medindo 1,30 m por 1,90 m cada. Já esteve até no aeroporto e shoppings de Manaus e no início de julho foi para o Shopping Garden, em Boa Vista. “

Nossa cultura é muito rica, por que não mudar esse tipo de ensaio?”, justifica a fotógrafa que é integrante da Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos (ABFRN) e comanda o estúdio Faz Foto. “Um nome fácil”, segundo ela, de as pessoas memorizarem”, diz.


Para Daniela Margotto, vice-presidente da ABFRN, o segmento se mostrou sólido desde o início, ou seja, em 2012 quando os ensaios de recém-nascidos começaram a aparecer pelo País. Hoje a associação, ela nota, tornou-se referência para pais e grande imprensa, quando tem dúvidas sobre bebezinhos em set.

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Roni Sanches auxiliado pela mulher fisioterapeuta Adriana

Mas antes desse marco tinha gente se firmando no segmento. É o caso de Roni Sanches, em São Paulo. Ele lembra que fotografava bebês em 2009 em casa. “Naquela época não se sabia ao certo o conceito de fotografia newborn, feita até 15 dias de idade.” Entre seus clientes, vários notáveis que fazem questão dos primeiros retratos de seus herdeiros, feitos e impressos por um profissional.

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A mãe Amanda e Maria Luiza, de oito dias, na sessão de Carlos Torres

Estúdios que se dedicavam apenas à fotografia social passaram a oferecer a sessão newborn no portfólio, como Carlos Torres, em São Paulo. Ele é auxiliado pela mulher Janina, que é fisioterapeuta, e responsável pelo posicionamento do bebê para as fotos.

“Pesquisei pela internet e conheci o estúdio dele. Primeiro fiz ensaio de gestante e hoje trouxe minha filha Maria Luisa, de oito dias de vida”, conta a mãe Amanda Marques Lima, encantada com o tratamento que a bebê recebeu durante a sessão, em uma tarde bem fria e chuvosa de junho.

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Cris Inamassu: “olhar especial” nas palavras de Dorival Moreira

Um equipamento básico e uma lente podem produzir um trabalho muito bom. Quem comenta é o fotógrafo autoral Dorival Moreira que conheceu o estilo de Cristiane Inamassu pelo Facebook, seis anos atrás. “Ela tem um olhar especial. Tenho orgulho de ter acompanhado o trabalho dela e ver o quanto conseguiu crescer na área de newborn”, diz. “Ainda tenho de aprender muito”, avalia a ‘afilhada’, que vai à casa dos bebês em São Paulo, com uma Canon 60D.

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Pufe idelizado por Paloma Schell: produto exportado para mais de 50 países
Potencial

Por ano nascem 2,8 milhões de pessoas no Brasil (500 novas carinhas em média por município a cada ano). Ainda assim, continua um bom nicho porque a fotografia pode acompanhar o desenvolvimento do bebê mensalmente até chegar ao primeiro aniversário – uma data simbólica para a família e amigos –, pelo menos.

Da parte dos laboratórios, precisou de alguns anos para que constatassem que não era mais uma moda e, sim, um novo segmento com potencial para explorar e contribuir no faturamento. Para isso necessitavam de linhas específicas, muitas delas desenvolvidas a partir de sugestões dos fotógrafos. O Só Click ilustra o caso: formou parceria com Paloma Schell, pertencente à primeira leva de fotógrafos newborn na Região Sul, e criou uma linha de álbuns, caixas e estojos assinados pela catarinense.

Por ser uma das desbravadoras do mercado, tornou-se também palestrante requisitadíssima pelo País e exterior. Em fim de junho estava no SC Photoshow, em Chapecó (SC), evento patrocinado pelo laboratório. Um dos trunfos de Paloma é ter desenvolvido um pufe que conquistou mundo afora: está em mais de 50 países. Um orgulho para a fotografia newborn brasileira.

Outro laboratório na mesma trilha é o Viacolor, em Porto Alegre. Aproveitou as sugestões de fotógrafos, entre eles Marcia Beal, para desenvolver a linha “Love Baby”. Hoje o tíquete médio dos laboratórios para o segmento está na faixa de 170 a 600 reais.

Tecido, couro e acrílico são alguns dos materiais utilizados pela Digipix no desenvolvimento de capas e estojos para o segmento. O produto campeão é o Álbum 180º Flat, com miolo lustre e capa impressa ou revestida em tecido.

Na opinião de Manoela Giacomini, da Área de Marketing da empresa, a profissionalização é a chave para que o segmento continue sustentável. “Percebemos o interesse dos fotógrafos em aprender, pois os congressos e palestras dedicadas ao tema possuem grande interesse. Desenvolvemos materiais exclusivos, trazemos palestrantes especialistas no segmento em nossos eventos, além de treinar nossa equipe para ajudar os fotógrafos a escolher as melhores soluções para entregar seus ensaios, seja em um álbum ou a melhor foto em destaque decorando o quarto do bebê.”

Caixa Newborn 17 0 photoalbum

Preço

É fato que muitas mamães incluem o ensaio newborn no enxoval do bebê, o que não implica em fazer um álbum ou fotolivro; preferem fotos avulsas, reveladas na hora pelo estúdio e ensacadas em albunzinhos. “Ainda vendemos muitos deles, principalmente para localidades que têm dificuldades de logística”, constata o executivo Paulo Câmara, da Photoalbum Universal, que nos últimos tempos tem desenvolvido uma linha variada de caixas, estojos, álbuns encadernados, para o segmento, o que permitiu aumento de 22% no portfólio com base em junho de 2016. “O que mais se destaca nas vendas é o álbum encadernado 20 por 25 cm, de 50 páginas”, diz.

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Hoje o newborn já representa 5% do faturamento da empresa. “Parece pouco, mas se considerarmos que estamos trabalhando com um novo negócio que há tão pouco tempo não fazia parte de nosso faturamento, consideramos um excelente upgrade.” Em sua opinião, a fotografia newborn trouxe uma avalanche de oportunidades e ideias, além de alavancar outros segmentos, como acessórios e cursos. “Ao conquistar a confiança dos pais, a fotografia newborn proporcionou ao fotógrafo maior proximidade com as famílias, possibilitando a realização de novas frentes de trabalho, como o acompanhamento do bebê, smash the cake, aniversários e comemorações”, completa.

O gosto dos fotógrafos pelos álbuns varia de região. Em Salvador, o formato quadrado são os mais pedidos. “Como não são caros, trazem uma boa contribuição no faturamento do laboratório e encadernadora e são importantes para os pais”, comenta Carlos Ferrari, do Salvador Daqui.

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Simone Silvério. Agora com novo canal no YouTube
Na ponta do lápis

Precificar uma sessão newborn é um problema para a maioria dos iniciantes. “É sempre uma coisa difícil e que pede o desenvolvimento do lado administrador do fotógrafo”, diz Simone Silvério, presidente da ABFRN e uma das precursoras do segmento no Brasil. Geralmente eles querem saber quanto o concorrente cobra, quando na verdade o preço nasce de “dentro para fora”.

“É preciso saber quanto aquela sessão custa para você, considerando desde o investimento em equipamentos e sua vida útil, acessórios, custos fixos e variáveis e a sua remuneração. A resposta é complexa, porque em fotografia tudo é caro. Exemplo: você não vai usar um software pirata para tratar as imagens, e assim por diante”, diz.

Um termômetro da popularidade das sessões newborn que Simone descobriu por acaso foi o seu perfil Facebook. “Quando posto algo que não tem a ver com o assunto, as curtidas ou os compartimentos são poucos; mas se for algo do universo newborn, bomba.”

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Estilo Laura Alzueta conquista fotógrafos uruguaios

A fotógrafa Laura Alzueta, em São Paulo, também se impressiona positivamente com a força das redes sociais. Ela conta que ministrava um curso on-line quando comentou que adora retratos de bebê e crianças, pois cresceu olhando as fotos dela e dos irmãos que seus pais têm na parede do quarto, feitas por uma famosa fotógrafa de Montevidéu.

Bastou mencionar a cidade para que três fotógrafas uruguaias formalizassem imediatamente um convite para ela dar workshop na capital daquele país (leia mais na seção “Latino” desta edição). “Na hora elas me mandaram uma mensagem pelo Facebook. Nasci lá, minha mãe é uruguaia e meu pai argentino. Sou neta de espanhóis e vim para o Brasil com cinco anos de idade. Falo fluentemente espanhol, o que é um facilitador”, detalha a fotógrafa que tem um dos estúdios mais badalados da fotografia newborn paulistana. Seu primeiro workshop em terra natal acontecerá 9 e 10 de setembro.

Laura observa que algumas fotógrafas argentinas, chilenas e espanholas estão se movimentando pela América Latina, ao realizar workshops. “O mercado de fotografia newborn na Argentina, Uruguai e Chile já está bastante aquecido, próximo do que estava o Brasil dois ou três anos atrás.”

Foto de Maria Fonseca
Newborn fashion. Foto de Maria Fonseca

Ideias não faltam para diferenciar a sessão de retratos dos bebês. Maria Fonseca, em Itaperuna (RJ), por exemplo, criou a “newborn fashion” para sua marca Maricota, inspirada no figurino da boneca Barbie. “Minha grande paixão é o newborn, mas eu precisava de algo que representasse de verdade as fotos da Maricota. Também sou amante de bonecas, até hoje paro em lojas e fico babando em todas, principalmente em Barbies”, justifica.

Envolvimento

Encontrar colegas de profissão pelas redes sociais e promover encontros para discutir o segmento têm funcionado em muitas localidades. Em Campinas (SP), Karina Brandão prepara o terceiro encontro de fotógrafos da cidade e região, em 12 de agosto. Além do aprimoramento técnico, esta edição vem com uma ação comunitária. “Lançaremos o Projeto Sorria em que cada fotógrafo participante fará um ensaio cujo valor será revertido para instituições que cuidam de pessoas em situações de vulnerabilidade social”, explica Karina.

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Newborn inspira abertura de estúdio pelo País, como a de Camila Stuart em Floripa.

Quando inaugurou oficialmente seu estúdio em junho, em Florianópolis, Camila Stuart foi além de apresentar seu portfólio de gestantes e newborn. Promoveu palestras sobre amamentação, saúde mental e um workshop sobre papinhas de bebê. Assim como o dela, muitos estúdios têm sido inaugurados pelo País, conforme FHOX acompanha. Estão em cidades de todos os tamanhos e investindo na fotografia impressa. Um deles é de Andréa Leal, inaugurado no início do ano, em Recife (leia mais na seção “Especial”).

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Estúdio de Andréa Leal em Recife. Um dos mais belos e completos do Brasil

Em cena

Se fotógrafos, laboratórios, empenham-se em manter a fotografia newborn sustentável, fornecedores de acessórios vão no mesmo ritmo. A quantidade de produtos que eles oferecem, tomando como base apenas algumas marcas. Há cinco anos, por exemplo, a grande maioria dos fotógrafos recorria a importação de props, peças, etc.

Parte desse material estará em exposição durante o FHOX Newborn, que acontece em 6 de outubro, no Allianz Parque, em São Paulo. O evento vem acompanhado de palestras que prometem fornecer mais conhecimento para que fotógrafos do segmento aprimorem suas técnicas e a gestão de seus negócios.

Vale a pena trancar a agenda para mergulhar um dia inteiro nesse universo. Não esqueça seu cartão de visita, porque o networking será intenso. E prepare-se ainda para a segunda edição do “Prêmio Cultural Newborn Brasil”, que estreou em grande estilo no primeiro quadrimestre. As fotos premiadas e classificadas puderam ser apreciadas pelo grande público nas dependências do Shopping Frei Caneca, em São Paulo. Mais uma evidência da presença da fotografia profissional no cotidiano das pessoas, começando pelos bebês.