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Os vários ritmos da fotografia nordestina

A nova visita da FHOX comprova que sobram cases de sucesso na fotografia nordestina

por Revista FHOX

A edição 183 do ano passado trouxe na seção “Especial”, algumas subdivisões do Nordeste brasileiro. Toda a região é tão rica em movimentos na fotografia que FHOX volta seu olhar para lá, pois tem sempre algo novo a se registrar a despeito dos fracos indicadores da economia brasileira apurados no primeiro semestre. Além disso, a revista prepara-se para mais uma edição do FHOX On The Road Recife a ser realizado em novembro, com pautas que dizem respeito ao dia a dia de estúdios, fotógrafos, laboratórios, encadernadoras, varejo, mais a feira de negócios com os principais produtos e serviços oferecidos pelo mercado brasileiro. Incrível como esses eventos têm capacidade de gerar sinergias, surgimento de parcerias e até encontros amorosos (como o de Lamarck Almeida, de João Pessoa, que conheceu sua musa Gabriella Feitosa e a levou ao altar em março passado).

Aerial View of Recife, Pernambuco, Brazil
Aerial View of Recife, Pernambuco, Brazil – foto de Ildo Frazão

Bom encontrar Zulk, em Teresina, falando da evolução de seus negócios em menos de uma década. Ele iniciou na fotografia de casamento e é grato a Nellie Solitrenick por tê-lo “descoberto” entre tantos colegas que se revelavam ao mercado na época. Hoje sua empresa ocupa três andares na capital piauiense, para oferecer reportagens, formaturas, impressão fotográfica, gráfica e jato de tinta, encadernadora e auditório onde são ministrados 20 cursos de fotografia, começando pelo básico, com capacidade para 60 pessoas. Não é pouco. Ele também tem escritório em Versailles, arredores de Paris, para atender casais de vários cantos do mundo, inclusive brasileiros. Em terras francesas quem comanda o espaço é a irmã e fotógrafa Juliana Léa. “Antes fazia mais casamentos por lá, agora estou concentrado em Teresina”, diz ele, destacando que a introdução do segmento formatura no portfólio foi acertada. “No ano passado, o faturamento cresceu 60%! Atendo turmas dos ensinos superior e fundamental.” Seus álbuns de formatura são diferenciados, pois Zulk incorporou elementos da fotografia de casamento às recordações escolares. Outra criação recente do laboratório é o quadro que dispensa moldura cuja técnica foi desenvolvida por ele que já no início de carreira se empenhava por confeccionar seus próprios álbuns, o que lhe permitiu aprimorar suas habilidades e conhecimento técnico dos processos de impressão e encadernação.

Na visão de Tibério Hélio, da TH Vídeo, na mesma cidade, a expressão do momento é “se reinventar”, frente a um mercado “bagunçado, que recebeu muitos profissionais de qualquer jeito”. Na busca por entregar mais serviços aos clientes, no caso, noivos, ele bolou o miniálbum surpresa entregue ao final da festa de casamento. “Os noivos não esperam e o álbum passa a ser objeto de desejo também dos pais, padrinhos e outros familiares”, diz. Para confeccionar a peça, ele leva uma impressora Fujifilm, instrumento fundamental para divulgar seu projeto “Fotografia é no Papel”. Outro produto desenvolvido por ele é a capinha de celular. Ainda assim, ele verifica queda de 50% nos contratos de casamento; para compensar a perda de receitas entraram no portfólio eventos corporativos, fotos de moda, gastronomia e outros, como reeditar álbuns antigos de casamento que são impressos pelo laboratório Viacolor, em Porto Alegre. “É outra maneira de valorizar a fotografia”, resume.

O segmento fotografia de família parece se comportar melhor em Teresina. Paula Moreira, por exemplo, realizou 60 ensaios para o Dia das Mães; no Natal 2016 foram 150. “Meu mercado é crescente, principalmente em datas comemorativas; minha agenda está lotada”, diz. Uma de suas criações é o ensaio “miniestrela”, em que a criança é caracterizada como um astro de Hollywood; pode ser Charles Chaplin, Marilyn Monroe e outros. Entre gestantes, recém-nascidos, crianças, famílias, ela cava tempo para continuar seu projeto pessoal de fotografar paisagens, tendo sido premiada pelo “Projeto Paisagem”, do jornal O Globo, em 2012. Parte dessa produção está em galerias.

Intimista – Enquanto há noivos que adiam a data do casório no aguardo de tempos mais favoráveis economicamente, outros optam pelo Elopement Wedding. Trata-se de uma cerimônia bastante pequena, no máximo de 20 pessoas, ou apenas dos noivos. Wellington Fugisse vê cada vez mais casais em sua cidade, Natal, aderindo à moda. “Pode ser uma tendência”, acredita. Ele acusa decréscimo de 20 a 30% nas reportagens de casamento no primeiro semestre; em contrapartida aumentam os ensaios de família. No ano passado ele fotografou 52 casamentos e realizou vários ensaios de gestantes, retratos de famílias e outros. “Tenho mais casamentos agendados para 2018 do que neste ano”, comenta Fugisse que está no mercado desde 2010.

Em Recife, o estúdio de Bosco Lacerda Filho, o Bosquinho, sempre fez um pouco de tudo, concentrado no casamento. “Mas houve uma mudança grande no segmento, com a chegada de muitos fotógrafos”, constata. No portfólio de seus serviços há o destaque da cabine de fotos que ele mesmo montou cinco anos atrás. No ano passado, seu estúdio que é referência na fotografia social pernambucana foi transferido para a zona norte da cidade. “Isso não impactou os clientes, pois 65% deles são dessa região.” Um fato, porém, que o surpreende é o assédio das encadernadoras. Ele conta diariamente recebe ligações. Seu fornecedor é o laboratório Viacolor.

Magique Filmes - Hugo Veríssimo e Gustavo Sampaio
Hugo Veríssimo e Gustavo Sampaio, da Magique Filmes – foto Magique Filmes

Diferenciação pode ser a chave para fotógrafos de casamento. Ricardo Nascimento, em Recife, está com o projeto “Cápsula do Tempo”. A proposta é acompanhar os noivos vários meses que antecedem o casório de modo a contar a história deles. As fotos que têm caráter de documentação são acompanhadas de um filme feito pela Magique Filmes, dos sócios Gustavo Sampaio e Hugo Veríssimo. A captação é por DSLR cujo resultado é um visual de cinema. Nascimento diz que não fez alterações de preço em seus pacotes. “Continuam os mesmos, mas fiz uma promoção no álbum de 15%.” Seus encadernados também são produzidos pelo Viacolor.

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As cerimonialistas Priscila e Daniella, da Criativa’s Eventos. Foto: Daniel Siqueira

As assessoras e cerimonialistas Daniella Cantarelli e Priscila Borba, da Criativa’s Eventos, comentam que não houve diminuição no número de casamentos em Recife. “O que acontece é encolhimento do orçamento da festa, da ordem de 30%”, diz Priscila. Sua empresa organiza muitos casamentos em locais paradisíacos como Praia dos Carneiros, Porto de Galinhas, Fernando de Noronha. Geralmente são casais de outras regiões do País e até do estrangeiro. “Hoje os noivos preocupam-se em conhecer a história do profissional de foto e vídeo antes de contratar; para isso as redes sociais ajudam muito.” Segundo ela, as dúvidas mais comuns dos noivos quanto ao item fotografia se referem a tamanho do álbum, necessidade de foto em preto e branco, ensaio fotográfico e número de fotógrafos no casamento.

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Estúdio de Andréa Leal, em um dos edifícios de Recife: milhares de reais investidos e boa repercussão na mídia. Crédito: Andréa Leal

Sensação – O estúdio de Andréa Leal foi inaugurado com festa no fim de março em Recife e mobilizou a ida até de Simone Silvério, presidente da Associação Brasileira de Fotógrafos Recém-Nascidos, e rapidamente ganhou notoriedade nacional pelo projeto. Até hoje, ela conta, tem gente interessada em visitar as instalações voltadas para fotografia de recém-nascido, gestante e família.

Apesar de não ser divulgado o valor, o investimento foi alto e contemplou itens como desenvolvimento da identidade visual do espaço, projeto olfativo, assessoria de imprensa, marketing, entre outros. Em dois meses de portas abertas, Andréa já fotografou 50 gestantes sem contar os bebês.

Seu trabalho e presença na mídia (já foi assunto na Globo local e no programa “Mais Você”, de Ana Maria Braga) contribuem na construção de sua marca. No fim de junho, o Shopping Recife a convidou para a campanha “Meu pai, meu herói”, em que durante o mês de agosto ela terá um estúdio por lá para retratar pais e filhos em comemoração ao Dia dos Pais. “Também participei da primeira edição da Feira Baby Kids Week, no mesmo shopping. O público recebe muito bem a fotografia newborn.”

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Novos cenários na fotografia newborn de Jaqueline Araújo

Quem também participou da feira de artigos e serviços para bebês foi Jaqueline Araújo. Ela vai à casa dos pais do recém-nascido para as sessões de retratos. “O newborn começa a andar agora; penso seriamente em abrir estúdio. A facilidade de ir à casa deles é que as mamães ficam mais à vontade, porém, a dificuldade é a montagem do set”, comenta. No início de sua carreira, Jak, como é conhecida, não incentivava o cliente a fazer um álbum de fotos. “Mas hoje faço questão, envio o material para o Em Photobooks, em Barueri (SP). Além do álbum, ela aposta nos quadros de fotos feitos pela empresa La Madera para decorar o quarto do bebê.

Atravessando o campo dos estúdios, está a D&M Photo na comercialização de equipamentos e acessórios fotográficos. Pertence ao fotojornalista e professor de fotografia Wagner Damasio que deixou a área para cuidar de sua empresa que hoje patrocina o Sport Clube Recife e Clube Náutico Capibaribe (o contrato não prevê logomarca nas camisas dos clubes).

A 720 quilômetros da capital pernambucana, Petrolina é a sede da rede Foto Imagem, que tem mais um endereço na cidade, e mais unidades nas cidades baianas de Capim Grosso, Jacobina, Juazeiro e Senhor do Bonfim. O laboratório profissional está na sede. Segundo o empresário Luciano Costa, que gosta de trocar conversas com Edison Bertante, da Antares, no interior paulista, “é um mercado de sobrevivência, mas Edison diz que não, que há muitas oportunidades”. Entre o sim e o não, ele está diariamente circulando pela rede e analisando o mercado. Em sua visão, algo a ser resolvido é o fotoproduto. “Não se paga bem o designer”, que é a ‘alma’ dessa modalidade. Definindo-se como um pessimista, ele pretende investir em outra plotter enquanto prepara o primeiro encontro para fotógrafos profissionais em Petrolina, com uma jornada de palestras e workshops. Outra ação foi o investimento da rede no e-commerce. Ao todo, Costa emprega 75 funcionários.

Conexão com a Itália – Lagarto fica no centro-sul de Sergipe e é maior cidade do interior do estado. Pouco provável imaginar que de lá surja um laboratório com encadernadora que se inspira nos álbuns italianos, uma das referências de fotógrafos em todo o mundo. Pois lá está o Claucolor, de Claudio Cardoso. A pouca notoriedade de seus álbuns nacionalmente deve-se à recusa em participar de uma guerra de preços. “Utilizo material importado e os equipamentos da encadernação são todos italianos. Por aqui, o controle da umidade é rigoroso; agora, por exemplo, está em 91 graus. Meu álbum não empena”, argumenta. Segundo ele, a concorrência chega a baixar o preço do encadernado em até 30%. “Para mim, não dá; vivo com pouco e continuo sobrevivendo com pouco”, defende-se.

Indo para a capital, Aracaju, uma das novidades é o estúdio de Jane Angélica. Ex-funcionária de uma estatal, Angélica tomou gosto pela fotografia recém-nascido e família. Não hesitou em largar o funcionalismo público para se dedicar a seu estúdio, que fica nas proximidades do Shopping Jardins, uma das regiões mais privilegiadas da cidade. Seu estúdio passou a ser referência na fotografia newborn nos últimos tempos. Além das sessões, o espaço promove workshops sobre o assunto ministrados por fotógrafos de outras regiões.

Tendo carro-chefe na formatura e no casamento, um dos nomes tradicionais e líder de mercado em Sergipe é o Stúdio Irmãos Andrade (José, Elenildo e Eliano). A empresa tem 28 anos e está sediada na capital. Em 2016, 90% do faturamento do estúdio vieram das formaturas. “Mas este ano a formatura caiu e o casamento responde por 40%”, informa José Andrade. A produção de álbuns é feita pelos laboratórios Claucolor e Francicolor. “Por aqui o álbum parafusado ainda é uma realidade, apesar de incentivarmos o encadernado”, diz.

Consumidor descobre a impressão fine art

Eventos como Casa Cor, festivais de fotografia, têm contribuído na difusão da impressão fine art para o grande público. Em Recife, o Ateliê de Impressão (ADI) tornou-se uma das referências nacionais em impressões artísticas. Foi o primeiro no País a ser certificado pelo programa Canson Certified Printing.

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Recepção do Ateliê de Impressão em Recife – fotos: ADI

Segundo o dirigente Gustavo Bettini, a demanda por esse tipo de impressão cresce e os clientes estão atentos a detalhes do processo e garantia de qualidade. Isso permitiu à empresa, instalada no Centro Histórico da cidade, a investir em mais impressora – Canon de 1,52 m de boca – e maquinário para corte de alumínio. Um dos serviços mais recentes é a confecção de passe-partout. Os papéis utilizados são das linhas Canson, Hahnemühle e Awagami, além de impressões em canvas dos mesmos fabricantes de papéis.

Bettini conta que o ADI participou do Festival de Fotografia Tiradentes, em marco. Lá mostrou o projeto itinerante ADI de Fotografias, que incentiva o colecionismo. Trata-se de uma coleção especial de fotografias de reconhecidos profissionais brasileiros. As fotos são apresentadas ao público em um display, que mescla o design de uma maleta e de um móvel dos anos 50, impressas em tamanho A3 e de tiragem limitada, assinadas pelos autores, montadas em passe-partout e entregues em uma embalagem especial de PH neutro, assegurando durabilidade às imagens.