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Olhar de mãe: o que pensam as mães fotógrafas

Conversamos com três mães que fazem da fotografia algo mais bonito. Mães que se inspiram principalmente em seus filhos e na força de outras mulheres

por Revista FHOX

Por Flávio A. Priori e Thalita Monte Santo

Ser mãe, assim como ser fotógrafa, é ser por inteiro amor. É ter cuidado, atenção e não deixar nada passar despercebido. E se dedicar, oferecer o melhor que tem e, mesmo assim, muitas vezes, não ter reconhecimento. É ter a sensibilidade a flor da pele para enxergar o mundo da melhor forma.

Nós, da FHOX, queremos parabenizar e homenagear todas a mães e fotógrafas que se dedicam, desdobram e oferecem o seu sagrado todos os dias. Para isso, conversamos com três mães que fazem da fotografia algo mais bonito. Mães que se inspiram principalmente em seus filhos e na força de outras mulheres, e que também nos inspiraram.   

Larissa

Larissa Amaral, 30, ganhou sua primeira câmera aos oito anos de idade. Mas profissionalmente começou a fotografar em 2014. De São Paulo, é mãe do pequeno Gael, 6, que, segundo a mãe, esbanja personalidade, carisma e desenvoltura.

“Ele é muito prático. É o primeiro a levantar a mão pra ir na frente falar em público. Acho um barato como ele incentiva os amigos e coloca qualquer um pra cima. Quero muito ser como ele”, conta.

A fotógrafa confessa que não gosta dessa romantização envolta do Dia das Mães, pois “mãe também é gente, mãe chora, mãe bebe, mãe sente, mãe transa, mãe também se cansa”, explica.

Quando se tornou mãe seu mundo mudou completamente. Ela conta que descobriu o maior amor de sua vida, mas também outras coisas que acompanham a  maternidade e que não são mencionadas. Entre elas, “a solidão, a falta de oportunidade e que a sociedade não está pronta pra gente. Pra mim, hoje, ser mãe é lutar. Lutar pelo meu filho, por mim, por todas as crianças e todas as mães. A revolução será materna e feminista”, diz.

Afirma também que depois que se tornou mãe, seu olhar mudou bastante, pois Gael lhe trouxe uma nova motivação.

“Voltei a fotografar por causa do meu filho, da vontade de ter todos os momentos dele guardados. Me voltou tudo o que eu tinha na infância, que parecia que tava escondido dentro de mim. A curiosidade, o olhar sempre atento, a vontade de sempre aprender”.

Sheila

Sheila Signário, 33, é mãe do Luê, de apenas um ano. Começou a fotografar por acaso. Após não conseguir entrar em uma faculdade pública em 2008, e bem chateada com a situação, começou um curso de fotografia. E se apaixonou pela arte.

“Naquele momento foi uma descoberta de mim mesma, do meu território, da minha identidade de vários processos que eu estava passando”.

Ela explica que a maternidade é uma verdadeira montanha-russa, com seus altos e baixos e as dificuldades não são poucas. “Vivemos em uma sociedade machista, que coloca que o cuidado dos filhos seja da mãe. Eu vivo com meu companheiro, pai do Luê, mas por mais que a gente tente partilhar os cuidados, são coisas que diante da sociedade sempre caem para a mulher”, relata.

Apesar de todas as dificuldades, Sheila complementa que ser mãe é um processo de muitas descobertas, de reconhecimento de uma infância e até de um retorno para o seu próprio ser criança. E enfatiza que cuidar de gente é algo extremamente sério.

Quanto às mudanças pós maternidade em seu olhar fotográfico, elas começaram pelo lado biológico, quando Sheila descobriu que a própria gravidez poderia mudar o grau de seus óculos. Mas ao mesmo tempo, outras coisas começaram a entrar em seu foco.

“Comecei a desenvolver um projeto sobre placenta, sobre parto humanizado. Eu acho que meu foco, a minha prioridade mudou, quero mostrar outras coisas. Não sei se o olhar assim mudou, mas meu foco sim.”

Sobre Luê, a fotógrafa explica que apesar de ele ser ainda muito novo, já o vê como alguém forte, persistente. E o que mais admira nele é o poder que têm sobre ela, em fazer com que se encontre de formas diferentes.

“O Luê trouxe o descobrimento da minha potência como ser humano, como mulher, como geradora de vida de alimento. Às vezes a gente vai esquecendo desse lugar. E quando você se torna mãe, acaba descobrindo”.

Roberta

Roberta Martins, 37, é de Fortaleza (CE). Ela conta que começou a fotografar famílias e nascimentos após o seu parto humanizado (domiciliar não planejado). Ela deu à luz a Teodora, que hoje tem 5 anos.

mães

Hoje ela, que também é doula (mas não atua), registra partos e famílias através de fotografias e vídeos. Das coisas que mais a inspiram estão a força da mulher e a sua transformação com a maternidade.

“Acompanhar nascimentos para mim é um privilégio e uma grande responsabilidade. É fantástico ver a vida florescendo diante dos meus olhos e das minhas lentes. Acredito que a fotografia de parto tem dois grandes compromissos, de ser memória afetiva, familiar e de registrar o momento histórico que estamos vivendo no Brasil, em que as mulheres estão buscando o protagonismo dos seus corpos e partos”, diz.

Para Roberta, ser mãe é ser casa, é gestar e cuidar de um universo inteiro. Além de ser o motivo pelo qual ela começou a fotografar.

“Me tornei fotógrafa porque me tornei mãe. Meu intuito é mostrar, pela fotografia, a potência de gestar, parir e cuidar de alguém”, finaliza.