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Olhar feminino da fotografia

A moda possui um grande impacto em como a mulher é representada na mídia e na fotografia, e atualmente vejo com esperança as ações que algumas empresas estão fazendo em direção a trazer um olhar mais atento a este público tão importante.

Primeiramente quero chamar atenção ao trabalho que Maria Grazia Chiuri está fazendo na Maison Dior. Ela é a primeira diretora criativa da marca e chegou com uma proposta muito ousada: contratar somente fotógrafas para as campanhas da Dior. Sua ideia é mostrar a mulher em um ponto de vista diferente: “mais como um assunto do que como um objeto”, como ela fala em sua entrevista ao podcast Dior Talks.

Nesta entrevista ela conta que não se sente a vontade em ser fotografada por um homem, pois parece que sempre existe uma tensão no ar. Com uma mulher ela sente como um diálogo, onde a fotógrafa consegue se colocar no lugar da outra, tornando este momento menos desconfortável, pois entende que ficar na frente de uma câmera é algo intimidador e vulnerável para muitas pessoas. É preciso criar uma relação de confiança entre quem está sendo fotografada e quem está fazendo a foto.

Por isso ela quis trazer este olhar feminino para suas campanhas, mostrando a feminilidade com diferentes pontos de vista através do olhar de várias mulheres. Em sua visão a moda é um reflexo do momento atual e a mulher tem um papel muito importante nisso. Ela pode ser representada de diversas formas, não somente de uma maneira.

Exemplo disso foi a campanha da coleção outono/inverno de 2018 em que a inspiração era representar a atmosfera revolucionária de 1968. Para isso chamou Christine Spengler, fotógrafa que dedicou sua vida a documentar as mulheres na guerra. Para a coleção Cruise de 2019 convidou a artista e fotógrafa alemã Viviane Sassen para registrar a atriz Jennifer Lawrence e na de 2020 chamou somente fotógrafas africanas. O resultado são fotos com perfis diferentes, mas que buscam destacar a força e versatilidade das mulheres.

Outra empresa que segue na direção de valorizar a mulher é a Victoria´s Secrets que anunciou a troca de suas icônicas “angels” (modelos super famosas) por mulheres engajadas. A ideia é tornar a marca uma “advogada” para o empoderamento feminino. Para isso criou um time chamado VS Collective, composto por sete mulheres famosas pelas suas realizações valorizando as mulheres. Além de serem a nova “cara” da marca terão voz ativa em suas publicações. Entre elas estão uma jogadora de futebol, uma refugiada, jornalista e a modelo trans brasileira Valentina Sampaio. 

Trazendo esta visão para a nossa realidade é muito importante refletirmos sobre como a moda e a fotografia possuem forte influência e são responsáveis pela forma como a mulher se vê. No meu trabalho ouço constantemente as frases “não me gosto em fotos” e “não sou fotogênica”. Por quê? Existe a tendência constante de se comparar com o que está nas redes sociais, campanhas, influencers, entre outros. As mulheres acreditam que é obrigação delas sair bem em uma foto e, ao não conseguir, se sentem decepcionadas e deprimidas. Não percebem que é necessário muito conhecimento técnico e, principalmente, treino para conseguir fazer aquela pose que pode parecer natural. 

O grande fotógrafo alemão Peter Lindbergh escreveu a seguinte introdução de seu livro Shadows in the Wall: “Deveria ser o dever de todo fotógrafo usar sua criatividade e influência para livrar as mulheres e, finalmente, todo mundo do fervor da juventude e perfeição. Beleza, estou certo, não deveria ser definida pela rápida mudança de valores da moda, sempre pensada no aspecto comercial e outros interesses. Beleza é uma ideia frágil e ligada intimamente a cada indivíduo único.” O que pode ser mais importantes e belo do que valorizar a essência de cada um? Por isso vejo a fotografia como um instrumento para as mulheres se redescobrirem, e mudar a forma como se veem. E você? Qual sua visão sobre o impacta da fotografia nas mulheres?

Bruna Veratti é especialista em retratos femininos e de perfil profissional e consultora de imagem. Seu estúdio está localizado no Espaço Duas Marias, em São Paulo, um local destinado ao autoconhecimento da mulher. Considera sua vocação auxiliar as mulheres a se descobrir através das fotos e do autoconhecimento. Pessoa de camisa branca

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