News 2 anos atrás | Regina Sinibaldi

O livro sobre newborn que está dando o que falar

“Cultura Newborn”, de Edinara de Freitas Teixeira, é um convite à reflexão sobre a cultura do consumismo e da performatividade

por Revista FHOX

Mestra em Educação pela Universidade Luterana do Brasil e também fotógrafa, Edinara de Freitas Teixeira tem muito a falar sobre fotografia newborn, aproveitando seu conhecimento acadêmico sobre a primeira infância e sua experiência diária ao tratar de miudinhos, com menos de 15 dias de vida, no set do Focare Estúdio, em Canoas (RS).

No fim de agosto, ela lançou o livro “Cultura Newborn – a pequena infância na cultura do consumo e da performatividade!”, que tem dado o que falar (na mesma ocasião sua irmã e também fotógrafa Elisabete lançou o livro “Do Ritual ao Espetáculo: casamento na cultura da imagem).

Noite de autógrafos das irmãs Elisabete e Edinara de Freitas Teixeira, do Focare EstúdioFocare Estúdio
Noite de autógrafos das irmãs Elisabete e Edinara de Freitas Teixeira, do Focare Estúdio

Edinara aceitou o convite de FHOX para um bate-papo rápido sobre a repercussão do livro. Acompanhe a seguir.

FHOX: Seu livro é inédito no segmento newborn, na medida em que amplia os horizontes da discussão acerca desse tipo de sessão fotográfica, com base no consumo e na performatividade. É para chacoalhar a cabeça dos fotógrafos?
Penso que sim. O livro é fruto da minha dissertação de mestrado em Educação e quando fui delimitar o tema tinha a intenção de fazer algo que somasse, tanto como pesquisadora quanto para o nosso mercado.

FHOX – Quais as principais críticas que sua obra tem recebido?
Falando dos leitores do mercado fotográfico, tenho recebido muitos elogios e as críticas que recebi, por enquanto, se tratavam de pessoas que ainda tinham um conhecimento raso sobre o assunto. Porém, quando o tema foi apresentado para intelectuais (da área da educação) estes, sim, fizeram críticas severas à “Cultura Newborn”, por entenderem que um ser tão indefeso como um bebê de 15 dias não deveria “servir” ao consumo e a cultura da performatividade.

FHOX – Quais aspectos de sua pesquisa tem contribuído para o dia a dia de suas sessões newborn?
Posso dizer que durante toda a pesquisa passei por muitos questionamentos acerca do meu ofício e por questões como até que ponto devemos insistir para conseguir as poses mais desejadas; o quanto cada um dos bebês está “permitindo” que se faça essas lembranças dos seus primeiros dias de vida; – o que é “belo” para o nosso mercado respeita a identidade de cada bebê; ou dito de outra forma, será que é correto expor esses pequenos a certas produções para atender aos desejos dos pais?; o romantismo em torno da cultura newborn pode ser validado?

Ou dito de outra forma, a massa de profissionais que se modelou aos pré-requisitos da cultura newborn se promovendo como sujeitos doces, amáveis, carinhosos, nascidos para esse ofício, e alicerçados por seus logotipos e slogans repletos de ícones afetuosos se portam de forma coerente por detrás dos bastidores quando o “bebê fofinho” passa a ser nomeado como mais um cliente e um tíquete médio que a ele se refere? O newborn pode ser muito arriscado, não é apenas um ensaio fotográfico de bebês.

FHOX – Pensa em uma edição do livro em inglês, já que fotógrafos newborn são muitos pelo mundo?
Ainda não pensei nisso.

Serviço
“Cultura Newborn – a pequena infância na cultura do consumo e da performatividade!”, de Edinara de Freitas Teixeira
Editora Prismas, www.editoraprismas.com.br
248 páginas
66 reais

cultura newbornRep.