News 2 meses atrás | Leo Saldanha

No dia do repórter fotográfico um olhar sobre os desafios da profissão

Matéria recente do The Economist e publicada também no Estadão mostra que a vida dos fotojornalista não é nada fácil e repleta de dilemas morais e éticos

por Revista FHOX
man in black jacket holding white printer paper
Koshu Kunii

A FHOX já tinha abordado a transformação do trabalho de fotógrafos pelo mundo diante da pandemia. Não se trata só de usar máscara, mas de cuidar também da limpeza de equipamentos. Da preocupação constante em sair para cobrir algo e se contaminar. E o obstáculo natural de retratar algo invisível (um vírus) sem cair nos clichês tão fáceis de retratar nessas condições. Mais recentemente os fotojornalistas vem encarando outros problemas. Como fotografar o rosto de quem protesta nas ruas nos Estados Unidos. Algumas pessoas acusam esse trabalho como de exposição de identidades quando por acaso o retratado em um evento desses está sem máscara.

man in gray and black sweater taking photo of people walking on pedestrian lane during daytime
Zhang Kenny

Os dilemas éticos são tema da matéria da The Economist. Talvez a grande questão seja o olhar de algo privado dependendo das condições. Sobretudo de mostrar o sofrimento. Seria invasão de privacidade? O exemplo de uma enfermeira que também é fotógrafa e que foi convidada pela revista The New Yorker para narrar visualmente a rotina dos pacientes exemplifica bem os desafios morais desse momento. Como a matéria ilustra ela aceitou a tarefa enquanto cuidava dos pacientes. Outros pontos importantes como qual a linha entre observação e intrusão são levantadas. No caso da fotógrafa enfermeira ela decidiu clicar para alertar sobre aquele cenário em um momento crítico na cidade de Nova York. Como um serviço de utilidade pública. Luto, cenas duras e outras situações delicadas pedem decisões rápidas que os fotojornalistas em diferentes condições tem que encarar. A matéria está disponível para assinantes do Estadão, mas dá para fazer o cadastro e ler de graça. Vale a pena e não deixa de ser uma forma de valorizar esse trabalho tão importante. Sem os fotógrafos jornalistas, a reportagem fotográfica não existiria. E os questionamentos morais e os dilemas éticos são necessários justamente por esse ser o papel do jornalismo. Questionar inclusive a si próprio para evoluir e relatar de forma imparcial. Com textos, imagens e muita prudência e sensibilidade. Leia a matéria aqui: Estadão/The Economist 

Em tempo: o dia 2 de setembro celebra o Dia do Repórter Fotográfico porque nesse dia em 1880 o jornal Daily, em Nova York, publicou a primeira fotografia em uma publicação de notícias.