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NFT: a revolução para a arte digital começou?

Um termo difícil de explicar ligado com uma tecnologia com base em blockchain parece ser o vislumbre de um futuro promissor para fotógrafos e artistas digitais
Who Is Beeple? The Digital Artist Who Brought Crypto to Christie's. - The New York Times
A obra de Beeple que vale mais do que muitos quadros de Picasso. Feito em JPEG. “Everydays — The First 5000 Days” e a terceira obra de arte mais cara vendida por um artista em vida, apenas ultrapassado por Jeff Koons e David Hockney.

O primeiro contato que tive com NFT foi em uma matéria da Wired de janeiro. O artigo sobre tendências falava dos aspectos promissores da tecnologia. Mas antes é preciso esclarecer: o que diabos é NFT? Non-Fungible Tokens é um ativo digital único. Pode ser traduzido como tokens não fungíveis. O que na verdade só complica mais as coisas. Para explicar de forma simples basta encarar um NFT como um selo que não pode ser substituído. Algo que mesmo digital é único e autêntico. O conceito do NFT está sendo aplicado com obras físicas e digitais e isso é fascinante e ao mesmo tempo polêmico. Na prática vemos artistas criando NFTs de obras reais e vendendo como se fossem ações únicas dessas peças. Imagina que você tem uma foto física e resolve criar NTFs para essa peça impressa. Pois é possível. Isso porque você pode associar o ativo digital a essas obras concretas e definir as condições, valores e quantidades. Por outro lado, temos o aspecto mais valioso na minha visão. Que é a obra digital ser convertida em NFT. O artista define que uma foto ou vídeo será único ou com uma quantidade limitada. Quando você atribui um NFT a uma obra ela se torna única, exclusiva. Vale destacar que a NFT surgiu em 2017, nem é tão nova assim. 

You can now own "authenticated" digital artwork. Is that a good thing? -  Marketplace

O que o blockchain tem a ver com isso? o site Gizmodo explica o conceito muito bem: 

Por ser uma tecnologia 100% digital, o NFT precisa ter um mecanismo de funcionamento mais técnico. E isso é feito baseado nos princípios do blockchain, um gigantesco arquivo digital que computa milhares de transações e distribui os registros de cada uma delas em várias máquinas espalhadas pelo mundo.

O sistema, que ganhou projeção por ser o mecanismo descentralizado usado por moedas criptografadas (como o bitcoin), é formado por blocos encadeados extremamente seguros que carregam consigo uma assinatura única. Cada bloco tem essa assinatura, que é cumulativa — ou seja, o bloco posterior vai conter os dados e a assinatura do bloco anterior mais os próprios dados.

NFT — Everything you need to know about non-fungible tokens - Sebastian Buza's Blog

Cada bloco é ligado ao anterior por um código chamado “hash”. Conforme novos blocos vão aparecendo, o hash cria uma corrente de blocos, formando assim o blockchain. Além disso, toda a “biblioteca” do blockchain, dividida entre várias máquinas espalhadas no mundo, é pública, tornando a tecnologia muito transparente.

Por esse motivo, o NFT viu no blockchain uma maneira prática e segura de completar a venda de ativos entre vendedores e compradores, já que cada obra é autenticada individualmente. A grande maioria das negociações de compra desses ativos é feita usando criptomoedas, embora também seja possível vender ativos NFT por meio de moedas tradicionais.

  • Agora em março, o artista americano Beeple colocou à venda o token único de uma colagem com cinco mil imagens digitais que ele criou diariamente desde 2007. A venda aconteceu pela casa de leilões Christie ‘s. O preço: US $69 milhões (R $382 milhões).
  • Também em março, uma empresa queimou um painel feito pelo artista Banksy. Depois, colocou o vídeo da obra queimando como um NFT e vendeu o clipe por US $380 mil (R $2,1 milhões).
  • O youtuber americano Logan Paul faturou US $5 milhões ao vender um NFT contendo uma arte dele mesmo segurando cartas de Pokémon.
  • O GIF remasterizado do Nyan Cat custou US $548 mil (R $3 milhões) em um leilão online.
  • Jack Dorsey, CEO do Twitter, vendeu… um de seus próprios tuítes. A primeira mensagem enviada pelo executivo na rede social foi adquirida por US $2,5 milhões (R $13,9 milhões). O post foi leiloado em um evento de caridade.
  • A plataforma Top Shot se especializou em vender trechos de vídeos de grandes jogadas no mundo do basquete. Um NFT de um vídeo de LeBron James fazendo uma cesta custou US $208 mil (R $1,1 milhão). Detalhe: o trecho só tinha dez segundos de duração.
  • O vídeo viral do usuário Nathan Apodaca no TikTok, em que ele aparece andando de skate ao som de “Dreams”, do Fleetwood Mac, foi vendido como NFT por US $500 mil (R $2,7 milhões).
WTF Is an NFT? The Latest Cryptocurrency Craze Explained | PCMag

Por que o NFT é promissor e já está bombando? 

O que chamou a atenção na venda da obra Bleep foi que ela foi vendida por uma das casas de leilão de arte mais tradicionais do mundo. Depois a Christie ‘s Sotheby’ s também vendeu algo similar por milhões de dólares. 

A febre e as distorções – claro, quando você vê um GIF sendo vendido por 600 mil dólares parece que tem algo errado. Mas existe um valor histórico e a possibilidade de tornar algo tão digital em único é ousada e ao mesmo tempo uma evolução. 

Why an Animated Flying Cat With a Pop-Tart Body Sold for Almost $600,000 - The New York Times

E se eu tirar um print screen da tela? e se eu salvar aquele arquivo NFT no meu PC. Bem, você pode fazer isso com uma foto famosa do Sebastião Salgado e isso não te faz dono dela. O que o NFT traz com ele é o avanço de plataformas de criação destes ativos digitais únicos. São inúmeras plataformas que convertem sua foto ou arquivo em NFT e você define o valor de venda. Com a popularização disso (que já começou) veremos mais e mais plataformas e mais e mais pessoas comprando. De novo, trata-se de um comportamento que já ocorre. 

Tap In Tuesday: NFTs Explained

O desafio? Primeiro, não é tão fácil de criar e colocar para vender para um leigo em criptomoedas. Isso porque para conectar nessas plataformas você tem que ter uma carteira cripto. Embora já estejam surgindo serviços que até dispensam isso facilitando ainda mais o processo. Por que criptomoedas? Agora, se usa blockchain nada mais orgânico do que pagar e receber nessa moeda. Outro ponto que merece atenção é o gasto de energia. Para gerar NFT´s gasta-se da mesma forma que para “minerar” as criptomoedas com a tecnologia. Ou seja, não é ainda uma arte “limpa”. 

Aqui cabe algo digno de nota. A FHOX foi a primeira publicação do Brasil a falar de blockchain. Algo que abordamos de 2016 para cá e que só vimos crescer. Marketplaces e serviços que estão investindo nisso. Eu vejo com muita clareza que a fotografia digital com essa nova fase do NFT tem futuro brilhante. Que com o tempo isso estará embutido em arquivos e teremos o controle total de nossos trabalhos. Ou seja, se alguém fizer uma cópia eu ficarei sabendo e poderei acionar a pessoa que usa de forma indevida automaticamente. Twitter, Adobe e NYT estão investindo nessa integração com o CAI e daí a juntar com o NFT é um pulinho. Quando chegar nesse ponto teremos ativos digitais únicos de verdade, mas neste momento já existe uma possibilidade real com o NFT para obras artísticas e venda com valores consideráveis. No Brasil isso nem começou direito, o que só demonstra um potencial gigantesco. Talvez não para 2021, mas fico imaginando no espaço de 5 anos como isso estará. Consigo imaginar que finalmente teremos verdadeiros negativos digitais únicos e que fotógrafos poderão cuidar e proteger suas obras de uma maneira segura, online. E assim a era do colecionismo digital será possível de novas formas que nem conseguimos pensar. 

Ps – Adorama (concorrente da B&H) criou um conteúdo em parceria com a fotógrafa Lindsay Adler para tratar do assunto.