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O mestre Roger Deakins finalmente teve seu trabalho premiado com um Oscar

Roger Deakins (68) traz um currículo invejável. O diretor de fotografia traz na lista de filmes em que cuidou da fotografia as produções “Onde os Fracos não tem vez”, 007 Skyfall, FArgo, Um Sonhe de Liberdade. Para muitos, Deakins é considerado um dos maiores diretores de fotografia em atuação no mundo do cinema. Uma curiosidade, ele teve 13 indicações na premiação do Oscar (de 1996 até 2017). Aliás, em 2008 ele concorreu com melhor fotografia em dois filmes e perdeu nos dois. Tratava-se portanto de um dos mais competitivos diretores de fotografia sem prêmios na famosa competição. Não mais. Deakins levou o Oscar de melhor cinematografia pelo majestoso Blade Runner 2049 em sua décima quarta indicação.

>> Blade Runner 2049: cinema, tecnologia e fotografia 

Para muitos, Blade Runner 2049  é similar ou até supera o visual espetacular do primeiro filme da série. Especialistas e críticos de cinema consideraram a vitória mais do que merecida. Não só pela fantástica carreira do artista, mas sobretudo pelo impacto visual do Blade Runner 2049. Junto com o diretor do filme (o canadense Denis Villeneuve) Deakins já tinha colaborado outras duas vezes. Em Sicario e Os Suspeitos. Em entrevista para o site Deadline ele comentou sobre os desafios de reproduzir e superar o visual de um filme icônico como Blade Runner.


Sobre seguir na trilha de um grande clássicoO processo de fazer uma sequência é interessante. Até pela persistência da visão requerida para essa franquia. O contraste de técnicas que foram inerentes para os dois filmes. Embora 2049 traga o legado do filme original, não é o mesmo filme. Não tem a mesma luz e nem poderia mesmo que eu quisesse. Segui por um caminho de intuição e na inspiração da geometria e na linguagem visual do primeiro filme. Queria um design que desse vida ao ambiente da nova produção.


Sobre inspiração – O roteiro segue a história do primeiro Blade Runner. Isso levou a um mundo parecido, mas o diretor queria mostrar os efeitos da mudança no tempo. Nossas referências foram Pequim e sua neblina de poluição e a paisagem do sul da Espanha. Sempre olho para fotografia e arquitetura. Nesse caso, olhei muito para trabalhos de construções para me inspirar. E como eles usam a luz nesses prédios. Não peguei a referência de nenhum outro filme. Na verdade pegamos uma série de referências de construções da Arábia Saudita e de Sydney. Sobretudo quando tiveram tempestades de areia. Existem imagens da Casa de Ópera de Sydney coberta de uma névoa de areai vermelha. Foram esses elementos que usamos na nossa produção.


Sobre usar digital e não película 35mmTrabalhei com o diretor desse filme outras duas vezes. Usamos Alexa com lentes prime. Não queríamos mexer nisso pois tinha funcionado nos outros dois filmes. Estamos bem satisfeitos com a qualidade digital das nossas produções. Adoraria continuar filmando com película. Só não acredito que existe estrutura para isso. Existe muitas incertezas, nunca tive problemas no laboratórios. Mas recentemente isso mudou e tive algumas ocorrências. E isso vai se acumulando.

Sobre a vantagem do digital para situações de pouca luzA transição do filme para digital aconteceu. Não acho que existe um backup do filme. Não acredito mais no laboratório. Creio que o expertise de revelação deixou de existir. Não tenho mais a confiança. Francamente, são tantas vantagens de gravar com digital. O fato de que você pode filmar em condições de baixíssima luz. E de que posso ver na hora o resultado. Isso é uma vantagem grande.

Sobre filmar os efeitos e gravar em condições extremasfilmamos várias tomadas no México e a luz vista no filme é real. Em cenas gravadas em Las Vegas foi a mesma coisa. A equipe dos helicópteros era ótima pois gravaram em condições extremas.


Filmar na escuridãoNão fizemos as cenas escuras e sombrias só por fazer. Discutimos muito sobre isso. Sobretudo na cena final da tempestade. A ideia era não mostrar muito mesmo. Então o veículo ajuda com a luz, o muro e a própria água ajuda na iluminação. A ideia da escuridão com um grande quadro escuro nas cenas. Com algumas piscinas de luz para ajudar o espectador.

Sobre a luz –  Minha abordagem para a luz para cada cena foi debatida dependendo do que o diretor queria. Eu escolho minhas ferramentas e o visual dependendo da abordagem do diretor. Fizemos tudo seguindo o manual do diretor de fotografia. Muitas luzes em movimento, grandes equipamentos, controles computadorizados, muitos LEDS e também antigos equipamentos de iluminação. Basicamente porque era mais barato. Mesmo em filmes como esse o olhar sobre custos é constante. Em algumas cenas, iluminamos o set só com uma meras lâmpadas comuns. Usamos algum vapor e neblina para criar a atmosfera do filme. Fizemos muitos testes com vapores para chegar no resultado final de uma atmosfera nebulosa. E ainda inserimos chuva, neve e outras coisas. Tinha vezes que não conseguíamos ver nada no set.

A paleta de cores do filmeTudo estava rascunhado no roteiro desde o início. Falamos de como cada cena seria visualmente. Os tipos de cores. Cada cena e local traz uma cor distinta.

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