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Marina Amaral faz sucesso colorizando fotos históricas

(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts)

 

(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Antes e depois)

 Todos os anos, em algum momento, as pessoas se deparam com imagens da Segunda Guerra Mundial, seja em datas como o 8 de maio, dia em que a Alemanha nazista foi derrotada, ou em períodos de estudo, especialmente entre os vestibulandos. Uma particularidade dessas fotos é que, dado o avanço tecnológico da época, estavam todas em preto e branco. Agora não mais. A brasileira Marina Amaral tem desempenhado um trabalho hiperfocado na colorização desses materiais e já tem reconhecimento mundo afora com seu trabalho.

(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Antes e depois)

Aos 26 anos, Marina Amaral é um dos talentos brasileiros mais apreciados no exterior do que em seu país. A colorista, natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, tem apreço por dar cores a fotos históricas, como as da Segunda Grande Guerra. Tudo começou para a mineira quando ela encontrou uma imagem do general Ulysses S. Grant, herói da Guerra Civil norte-americana e presidente dos Estados Unidos, em 2012, e decidiu colorizar. Com técnicas de Photoshop já conhecidas e o auxílio de fóruns online, ela tentou recriar os processos e retirar o preto e branco das imagens. Não ficou satisfatório, segundo a própria.

Três anos depois, em 2015, Marina tentou novamente após ver algumas imagens da Guerra colorizadas e constatar os avanços da técnica. É neste ponto que a obsessão da jovem pelo processo e pelas histórias daquele povo começaram. “Eu me senti compelida a resgatar as histórias das pessoas nas fotos em preto e branco com as quais me deparava. Além disso, logo reparei em minha qualidade, em como os resultados do meu trabalho estavam muito acima dos outros que eu via na internet”, conta.

Desde então, o trabalho de Marina é frequente, com, pelo menos, uma fotografia colorizada por dia. Ao longo dos cinco anos na área, estima-se que há cerca de duas mil imagens em seu acervo. O foco na tarefa a fez desistir do curso de relações internacionais na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. “Já quase não saio, tenho poucos amigos e não tenho problema em ficar o dia inteiro sozinha no escritório”, ela contou à Revista Piauí. “Não sou espalhafatosa e até tive de aprender a conviver mais com as pessoas conforme meu trabalho teve sucesso e comecei a ganhar seguidores nas redes sociais”, completa.

A colorista já lançou dois livros em parceria com o historiador e apresentador de televisão Dan Jones. O primeiro, The Colour of Time: A New History of the World, 1850-1960 (A cor do tempo: Uma nova história do mundo, 1850-1960, em português), foi publicado em 2018 e tem mais de 100 mil cópias vendidas, sendo traduzido para 12 idiomas. O segundo, The World Aflame: The Long War, 1914-1945 (O mundo em chamas: A longa guerra, 1914-1945, em tradução), chegou ao mundo recentemente, no meio da pandemia, e, por isso, teve sua divulgação focada na venda online. Ainda assim, deverá ter uma turnê de lançamento após o final da quarentena.

Autismo

 

Recentemente, Marina descobriu que está no espectro do autismo, com o diagnóstico tipo 1, o mais leve. Para ela, saber essa particularidade foi importante para entender a obsessão empregada em seu trabalho, com longas horas em frente ao computador mexendo em softwares de edição de imagens, amplamente tutorializados na internet e na faculdade de Design Gráfico.

Marina já convivia com os diagnósticos de ansiedade e depressão, intensificados após o início dos processos de colorização. “Tenho contato diário com imagens trágicas. Isso gera crises agudas de ansiedade e depressão, sinto-me inclusive fisicamente mal. Necessito de acompanhamento psicológico constante. É impossível passar imune diante do sentimento de olhar as pessoas nas fotos, sofrendo, e não ter como ajudá-las”, conta.

 

(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Antes)
(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Depois)

Reconhecimento no Brasil

 A artista, apesar de reverenciada no exterior, é pouco conhecida no Brasil. Segundo algumas análises de especialistas, esse fato acontece, possivelmente, por conta da falta de trabalhos voltados à história nacional. Em 2016, Marina até tentou colorizar uma imagem de Dom Pedro II, mas o material não prosperou. “É insuportavelmente burocrático conseguir qualquer coisa com a maioria dos museus e dos arquivos nacionais”, justificou.

Além disso, nenhuma das obras publicadas estão disponíveis em versões brasileiras por conta da dificuldade em encontrar editoras nacionais com interesse e recursos necessários para investir no projeto, considerado caro por conta da quantidade e grossura das páginas.

Ao final de 2019, contudo, Marina lançou seu primeiro material no Brasil. Trata-se da coletânea online Escravidão no Brasil, 1869, com 12 fotos colorizadas de escravos e ex-escravos feitas por Alberto Henschel, alemão radicado no país.

(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Antes)
(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Depois)

 

(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Antes)
(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Depois)
(Créditos: reprodução/divulgação acervo pessoal / Instagram @marinaarts – Antes)
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