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Manuk Poladian: legado e referência na fotografia de casamento brasileira

Fotógrafo deixa marcas importantes como referência para a fotografia social do país. Uma história de vida dedicada em registrar memórias para casais com excelência e sensibilidade
Manuk e seus filhos Artur (esquerda) e Ricardo (direita)

Essa semana a fotografia social perde um dos ícones. Manuk Poladian nos deixa em um momento que justamente carecemos tanto de lideranças autênticas. Sobretudo daqueles que lideram pelo exemplo e pelo trabalho. Justamente o caso do Manuk. Lembro das inúmeras vezes que o encontrei em congressos e nas vezes em que ele foi citado pelas outras gerações da fotografia casamenteira. Premiado e realmente apaixonado pela fotografia, Manuk era participante ativo de fotoclubes e um curioso do que ocorria e era feito pelos mais novos. Tive a oportunidade de visitar seu estúdio e conversar com ele algumas vezes. Manuk teve sua última participação na FHOX em uma matéria sobre pais e filhos atuando juntos na fotografia. Separei o trecho abaixo.

Manuk Poladian é uma referência no ramo de casamentos há décadas e possui diversas premiações em seu currículo. Mas sua história na fotografia começa com seu pai, Harutiun, que veio da Armênia em 1928.

Em 1936, Harutiun Poladian abriu um estúdio fotográfico no bairro da Mooca, ao mesmo tempo que também trabalhava com cinema. No entanto, ele desejava que o filho tivesse outra profissão.

“Ele queria que eu estudasse direito. Fiz um ano, mas desisti. A família toda era artista, meus tios eram atores de cinema, minha irmã pintava quadros e meu irmão fotógrafo. No meio de tanta coisa de arte, entrei para a foto”, diz.

Harutiun Poladian

Manuk começou a trabalhar com seu pai em uma época na qual os noivos iam até o estúdio tirar as fotos. “Antigamente os filmes eram só três fotos. Pegávamos uma chapa de 18×24 e fazíamos meia dúzia de cada retrato. Iam somente os noivos e os pais. Não se ia na igreja naquela época, os noivos iam ao estúdio”. Ele explicou que chegavam a fazer 90 casamentos por final de semana. As pessoas faziam fila de carros no Largo da Mooca e o trabalho ia até às 22h.

“Eu aprendi muito com ele essa parte de portret de estúdio. Depois eu comecei a entrar na reportagem. Quando fotografava ia para igreja e para a festa. Foi um divisor de águas entre o que se fazia fora e no estúdio, e o que era a reportagem fotográfica”, conta.

Manuk também teve uma passagem pela TV, como câmera e diretor em algumas emissoras, mas nunca largou da fotorreportagem em casamentos. Da mesma forma em que seguiu os passos do pai, seus dois filhos, Artur e Ricardo Poladian, também mantiveram o ofício, ainda que formados em outras áreas.

“O Ricardo foi para a computação gráfica e o Artur para a revelação de filme, com uma loja de shopping. Mas nunca saíram da foto. E já faz algum tempo que os dois entraram definitivamente como fotógrafos. Para meu orgulho são excelentes fotógrafos, melhores que o pai até”, brinca.

Deixamos aqui nossos sentimentos para os familiares e amigos. Manuk, a fotografia brasileira vai sentir falta da sua experiência e do seu talento.