News 2 anos atrás | Regina Sinibaldi

IMS Paulista, o mais novo centro cultural

Nove andares dedicados às artes, com ênfase na fotografia.

por Revista FHOX

Por Regina Sinibaldi

O cartão-postal da cidade de São Paulo, a Avenida Paulista, ganhou mais um centro cultural: o Instituto Moreira Salles (IMS), inaugurado em setembro passado. São nove andares, projetados pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos, para realização de exposições, filmes, palestras, debates, cursos e shows entre outros; quatro deles dedicados exclusivamente a exposições.

Foto: Bruno Fernandes
Foto: Bruno Fernandes
Foto: Bruno Fernandes
Foto: Bruno Fernandes
Foto: Bruno Fernandes

Na área relacionada à fotografia, o destaque na abertura do IMS Paulista é a exposição “Os Americanos”, de Robert Frank, que vem pela primeira vez ao Brasil, já que a série de 80 fotografias pertence à Maison Européenne de la Photographie, de Paris. Trata-se de uma viagem do fotógrafo por várias unidades federativas dos Estados Unidos nos anos 50, que resultou em mais de 28 mil fotografias. Com essa série ele inaugurou a fotografia de rua (street photography), tornando-se uma referência. Faz parte da exposição o projeto “Os livros e os filmes” – montagem que combina foto e cinema –, desenvolvido pelo fotógrafo suíço em parceria com o editor e impressor Gerhard Steidl.

(Foto: Bruno Fernandes)

Entre as outras mostras que integram a inauguração do instituto está a videoinstalação “The Clock”, de Christian Marclay, premiada com o Leão de Ouro na Bienal de Veneza 2011. Tem 24 horas de duração e é composta por milhares de cenas de cinema e televisão que aludem ao horário do dia. Em todos os casos em que a hora é mencionada ou surge na tela, a cena está sincronizada com a hora local do espaço em que a obra está sendo exibida, combinando o tempo cinematográfico e o real. Esta videoinstalação já foi exibida em mais de 20 instituições pelo mundo, como Centro Pompidou, em Paris, e Museu de Arte Moderna, em Nova York.

Em “Corpo a Corpo”, o espectador pode apreciar um recorte da produção brasileira contemporânea em fotografia, cinema e vídeo por meio de trabalhos de artistas e coletivos – Bárbara Wagner, Jonathas de Andrade, Mídia Ninja, Sofia Borges, Letícia Ramos e Garapa – que foram convidados pelo IMS a pensar sobre o retrato, individual ou coletivo, e como as imagens auxiliam as pessoas a enxergar os conflitos sociais que permeiam a sociedade brasileira atualmente.

O espaço “Estúdio” abriu com a projeção “São Paulo: três ensaios visuais”, que mostra fotografias da cidade, feitas a partir de 1862 até a atualidade. Entre os fotógrafos estão Militão Augusto de Azevedo, Alice Brill, Claudia Andujar, Cristiano Mascaro, Hildegard Rosenthal, Mauro Restiffe, Thomaz Farkas e Vincenzo Pastore.

Em “Câmera aberta”, o IMS propôs ao artista alemão Michael Wesely, em 2014, instalar câmeras, digitais e analógicas, nas fachadas dos edifícios vizinhos à obra do IMS Paulista, que capturaram continuamente imagens das quatro faces do edifício em construção por três anos.

O IMS Paulista ainda brinda a fotografia com uma biblioteca inteiramente dedicada a publicações fotográficas. É uma iniciativa única no País. O acervo prioriza a produção brasileira, mas abarca a internacional, através de livros, catálogos, revista de importância histórica, fotolivros, zines, folhetos de exposições e recursos multimídia.