News 10 meses atrás | Flávio A. Priori

Modelagem 3D ajudará em restauração arqueológica do século XI

Designer brasileiro ajudará na reconstrução digital de crânios que contam história do povo húngaro.

por Revista FHOX

Uma união entre o designer brasileiro Cícero Moraes e a Embaixada da Hungría deverá render um bom trabalho no campo da arqueologia. O profissional usará técnicas de reconstrução e impressão 3D para modelar e restaurar crânios encontrados em um cemitério húngaro datados dos séculos XI e XII. O trabalho será exibido durante a Campus Party 2019.

Cícero Moraes é um 3D designer brasileiro especializado em modelagem facial forense. Foi ele quem entrou em contato com a embaixada oferecendo ajuda para trabalhar com os restos mortais encontrados na fronteira de Pusztaszentlászló (Província de Zala, Hungria).

modelagem
Cícero Moraes

O trabalho separado para exibição na CP 2019 será o de um crânio de uma jovem de 25 anos encontrado na década de 70. A face da húngara de aproximadamente 900 anos será apresentada no dia 15 de fevereiro durante a palestra “Reconstruindo Faces e Vidas com a Computação Gráfica 3D”, proferida por Moraes, no Palco Feel the Future, às 11h00.

Fotos para restaurar o passado

Para o processo de modelagem, 145 fotos foram enviadas e digitalizadas em 3D com o auxílio de um software desenvolvido pelo próprio Moraes. Após a obtenção do crânio, o artista seguiu com as fases seguintes do processo: colocação de músculos principais e escultura digital. Para isso ele utilizou como base a média da espessura de pele da população. Por fim foi feita a pigmentação do rosto e colocação de cabelos e indumentária.

As técnicas de reconstrução facial podem ser aplicadas na documentação tridimensional de patrimônio histórico e arqueológico. O designer fala sobre o projeto: ”Quando desenvolvemos projetos como esses, onde o crânio foi digitalizado a partir de fotos, por exemplo, nós informamos aos leitores sobre como tudo aconteceu e mostramos como eles podem fazer a sua parte para o mantimento da memória”.

modelagem

Cícero complementa: “Qualquer indivíduo munido de um celular pode fazer uma sequência de fotos de um objeto e, se tudo for efetuado dentro de um protocolo, o mesmo poderá ser reconstruído em 3D. Veja o caso do Museu Histórico Nacional, se muitas pessoas tivessem aplicado à técnica de fotogrametria em muitas das peças expostas, poderíamos talvez, ao menos ter documentado em 3D parte considerável delas e “trazê-las de volta à vida” com a impressão 3D”, explica o especialista.