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Fotos raras mostram intimidade de David Bowie numa de suas mais bem-sucedidas turnês

bowie-bangkok-1983_dj“Estávamos em um avião assistindo a Blade runner antes que ele decolasse. David tinha medo de voar, mas tinha de fazer isso por causa da turnê. O piloto, que estava no bar conosco na noite anterior, saiu da cabine e disse que um dos motores não estava funcionando, mas que íamos decolar mesmo assim. O avião tremeu inteiro na decolagem. Todos pensamos que íamos morrer. Quando nos estabilizamos, eu olho para David na mesa de jantar e ele tinha ficado branco como uma folha”, conta, rindo, o fotógrafo Denis O’Regan. É apenas uma das lembranças que ele tem das inúmeras viagens que fez durante nove meses com David Bowie durante a turnê Serious moonlight, que seguiu o lançamento do emblemático álbum Let’s dance, em 1983. Milhares de pessoas invejam O’Regan por isso.

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O’Regan viu Bowie pela primeira vez em 1973, aos 20 anos, numa apresentação do show Ziggy Stardust, o álbum conceitual no qual o cantor interpretava um alienígena que veio à Terra para salvá-la, mas em vez disso encontrou o rock. “Nunca tinha visto nada como Ziggy Stardust, muito menos associado à música”, diz. Um ano depois, numa ocasião, O’Regan esperou na frente de um estúdio onde Bowie gravava em Londres para tirar apenas uma foto do ídolo. Ao contar a história a Bowie em 1983, quando já o conhecia bem e queria acompanhá-lo em turnê, ouviu o seguinte: “Você provavelmente dirá o mesmo para o Bono [Vox, do U2] amanhã à noite”.

[Na foto de abertura desta página, David Bowie durante um passeio de barco em Bangcoc, na Tailândia. Ávido pelo diferente, ele explorou a cidade, visitando até o distrito da Luz Vermelha. O álbum Let’s dance foi uma das várias mudanças de rumo que se impôs na carreira.]
bowie-and-jagger-new-york-1983_djÀquela altura, os dois já tinham intimidade suficiente para que tanto Bowie não visse O’Regan apenas como um fotógrafo colado 24 horas por dia nele, quanto O’Regan não visse mais Bowie como ídolo. Durante a viagem, a convivência aproximou os dois ainda mais. Artista complexo, multidisciplinar e vanguardista nato, Bowie tinha uma visão ampla das dimensões de seu trabalho. Senhor de si, topou ser observado em momentos francos e desprotegidos – algo impensável hoje, em que agentes e empresários mantêm controle absoluto sobre músicos que não têm 1% do talento e da importância de Bowie.

As fotos de O’Regan apresentam um Bowie despreocupado, relaxado nos bastidores, bronzeado e feliz pelo sucesso da turnê que o transformou num astro, atraindo multidões aos estádios e colocando-o no patamar de bandas como os Rolling Stones, de seu amigo Mick Jagger. Mas acesso irrestrito não era liberdade total. Bowie fazia questão de ver as fotos depois de reveladas. “Eu entregava os rolos de filme em uma cidade e eles eram devolvidos para mim algumas cidades à frente. Eu fazia uma pré-edição e exibia para David as imagens escolhidas num projetor em meu quarto. Ele dizia sim, não, eu odeio, amo”, diz O’Regan.

Bowie se foi em 2016. Das imagens da turnê saiu o livro Ricochet, David Bowie 1983, que será lançado pela Penguin Random House no início de 2018. Pesando 15 quilos, a edição de colecionador terá um LP remasterizado por Nile Rodgers – outro gênio, fundador do Chic e, não por acaso, produtor da obra-prima Let’s dance. O nome é uma referência a uma canção homônima de Bowie, crítica ao capitalismo – uma bela ironia para um livro que custará € 3 mil ou 13 mil reais.
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