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Fotojornalista Sérgio Silva é considerado culpado por tiro de PM que o cegou

O parecer saiu após três anos do pedido de indenização ao poder Judiciário de São Paulo

por Revista FHOX

Em junho de 2013, o fotojornalista Sérgio Silva foi às ruas da capital paulista para cobrir uma das manifestações contra o aumento da passagem de ônibus. Ao tentar registrar as imagens ele foi atingido por tiro de bala de borracha disparado pela Polícia Militar. Na ocasião ele veio a perder a visão do olho esquerdo.

fotojornalista-sergio-silva-feita-por-alexsilvaAlex Silva

 

Mesmo sendo vítima de uma ação do Estado, o profissional foi considerado culpado segundo decisão do poder Judiciário de São Paulo, emitida na segunda semana de agosto deste ano, quase três anos depois do ocorrido, pelo juiz Olavo Zampol Júnior, da 10ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, que negou os pedidos do fotógrafo e foi considerado “culpado” por assumir o risco “ao se colocar entre os manifestantes e a polícia”, conforme diz a decisão.

O pedido, a resposta

Silva moveu ação contra o Estado por ter ficado cego. Ele solicitou indenização de R$ 1,2 milhão por danos materiais, estéticos e morais, além de ajuda de custo mensal superior a R$ 2 mil, conforme cita o site Conjur em reportagem assinada por Tadeu Rover.

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“No caso, ao se colocar o autor entre os manifestantes e a polícia, permanecendo em linha de tiro, para fotografar, colocou-se em situação de risco, assumindo, com isso, as possíveis consequências do que pudesse acontecer, exsurgindo desse comportamento causa excludente de responsabilidade, onde, por culpa exclusiva do autor, ao se colocar na linha de confronto entre a polícia e os manifestantes, voluntária e conscientemente assumiu o risco de ser alvejado por alguns dos grupos em confronto (policia e manifestantes)”, deferiu Zampol Júnior.

Em entrevista para a BBC Brasil, Silva informa que vai recorrer para a segunda instância e tentar um novo julgamento, entretanto sabe que este processo poderá demorar o mesmo tempo ou o dobro até o caso ser resolvido. Cliquei aqui e leia a sentença completa.

Com informações do Conjur e BBC Brasil