News 2 anos atrás | Redação

Fotógrafo Mario Testino é acusado de assédio sexual

Rainha da Inglaterra e “Vogue” suspendem a colaboração com Mario Testino. Modelos e ex-assistentes o acusam de ter feito investidas.

por Revista FHOX

O fotógrafo Mario Testino, referência no mundo da moda e apreciado por celebridades, foi acusado de assédio sexual por 13 pessoas citadas em um artigo do jornal “The New York Times” no último sábado (13/01).

De 63 anos e origem peruana, ao longo de quatro décadas de carreira Testino foi fotógrafo de dezenas de campanhas publicitárias para grandes marcas e publicou seu trabalho em revistas renomadas, entre elas a “Vogue”.

Foto de 2017 de Mario Testino (Foto: Michael Sohn/ AP)

Vários modelos e ex-assistentes o acusam de ter feito investidas, inclusive tentado iniciar uma relação sexual, mas nenhum disse ter cedido.

“Foi um depredador sexual”, afirmou Ryan Locke, modelo de sucesso no fim da década de 1990. Segundo ele, durante uma sessão de fotos Testino pediu a toda a equipe que saísse da sala para ficar sozinho com ele e, em seguida, teria iniciado o assédio.

O ex-assistente do fotógrafo Hugo Tillman contou que teve uma experiência semelhante, enquanto outro, Roman Barrett, afirmou que Testino se masturbou na sua frente. “O assédio sexual era uma realidade constante”, afirmou.

Consultado pela AFP, Mario Testino não respondeu sobre o assunto.

Rainha da Inglaterra e “Vogue” suspendem a colaboração com fotógrafo

Anna Wintour (na imagem), anunciou a suspensão das colaborações dos fotógrafos com as revistas do grupo.

As denúncias de assédio sexual continuam a aparecer. Depois de três modelos masculinos terem indiciado os fotógrafos Mario Testino num artigo publicado no último sábado pelo New York Times, desta vez foi a rainha da Inglaterra que suspendeu a colaboração que tinha com Mario Testino para fotografar a família real britânica.

Testino trabalhou durante décadas com a monarquia inglesa. Fotografou os príncipes Harry e William desde o seu nascimento, o anúncio do noivado de Kate Middleton com o príncipe William e foi ainda o fotógrafo oficial do batismo da segunda filha do casal, a princesa Charlotte. Este ano, tinha sido escolhido para fotografar o casamento do príncipe Harry com Meghan Markle, mas depois das acusações de assédio sexual de que foi alvo, já não o vai fazer.

O site WWD avança, no entanto, que ninguém da família real inglesa quis comentar este assunto.

A suspensão do trabalho tanto de Mario Testino como de Bruce Weber chegou também à indústria da moda. A diretora da revista Vogue, Anna Wintour, despediu os fotógrafos. Esta segunda-feira, usou o Twitter para se protelenunciar sobre as acusações.

“São os dois meus amigos pessoais e autores de contribuições extraordinárias para a Vogue e para muitos outros títulos da Condé Nast há anos […]. Acredito fortemente no valor do arrependimento e do perdão, mas levo as alegações muito a sério e na Condé Nast decidimos suspender a nossa relação profissional com os dois fotógrafos […]”, afirma Anna Wintour, num comunicado divulgado no último domingo.

Anna Wintour falou não apenas pela Vogue, mas pelo grupo Condé Nast que detém títulos como a GQ, a Vanity Fair, a W e a Glamour. Além de amigos pessoais da diretora, os dois fotógrafos são também ícones da indústria da moda e estão entre os nomes mais requisitados da fotografia nesta área. Além de ter publicado a carta no site da Vogue, a diretora partilhou na sua conta de Instagram.

“Tal como estamos do lado de vítimas de abuso e má conduta, também temos de manter os olhos em nós mesmos — e perguntar se estamos a dar o nosso melhor para proteger aqueles com quem trabalhamos e para garantir que essa conduta nunca se verifica. Por vezes, isso quer dizer que esse tipo de comportamento pode acontecer perto de casa”, explica a diretora da Vogue americana.

No mesmo texto, Anna Wintour refere ainda a existência de um código de conduta que rege todas as publicações do grupo a nível internacional. Além das regras já definidas pelo documento, a Condé Nast anuncia novas medidas:

“Todos os modelos que apareçam em produções de moda comissionadas pela Condé Nast têm de ter 18 anos ou mais. A única exceção são aqueles que aparecem como sendo eles próprios parte de um perfil, de uma peça noticiosa ou de um conteúdo similar, e a esses é requerida a presença de alguém responsável que acompanhe todo o trabalho.”

“Álcool não será mais permitido nos sets da Condé Nast. Drogas para fins recreativos são proibidas.”

“Aos fotógrafos não voltará a ser permitido usar um set da Condé Nast para qualquer trabalho que não seja comissionado ou aprovado pela empresa.”

“Qualquer sessão que envolva nudez, roupa reveladora, lingerie, vestuário de banho, simulações de uso de álcool ou drogas ou poses sexualmente sugestivas têm de ser previamente aprovadas por tema.”

Com informações do G1 e O Observador.