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Fotografando com as câmeras sem espelho – Por Ricky Arruda

Ricky Arruda com sua mirrorless da Sony

Eu fui um dos primeiros fotógrafos do Brasil – e muito provavelmente do mundo – a migrar de forma total e absoluta para o sistema mirrorless, deixando para trás as câmeras DSLR.

Comecei a fotografar com filme, com as Nikon série F e FM. Um tempo depois migrei para a Canon, com a espetacular Canon EOS 3, uma das melhores câmeras com as quais eu já fotografei. Quando a Canon lançou sua primeira DSLR, a EOS 10D eu fiz a transição escalonada e calma para o digital e segui com a linha Canon até a EOS 5D MKIII.

E, alguns anos atrás, fui atraído pelas câmeras sem espelho. Vi a Fuji lançando câmeras muito evoluídas e cheias de tecnologia e qualidade, junto com uma linha de lentes “prime” e “zoom” muito boa e completa.  A fabricante japonesa apostou, desde o início nos sensores XTrans APS-C, cropados e, um pouco depois, também nas câmeras de médio formato, com grandes sensores. Vi a Olympus, apostando nos pequenos sensores micro 4/3. E vi a Sony lançando as câmeras mirrorless com sensor fullframe.

Fotos: Ricky Arruda e Anna Quast

Logo me veio um pensamento claro: “o espelho, em uma câmera, não faz mais nenhum sentido e nem tem mais qualquer necessidade”.  De fato, quando fotografávamos com filme o espelho era necessário para que efetivamente enxergássemos a imagem, reconstruída com o pentaprisma.

As DSLR são as chamadas câmeras reflex. Nelas, temos um espelho, posicionado a 45 graus, que reflete a luz, através de um pentaprisma (que corrige a imagem invertida), para o visor (aí sim de forma “correta”). Este espelho se move, para deixar passar a luz e, durante este movimento, duas coisas acontecem: uma razoável vibração e o tempo de “apagamento” do visor (equivalente ao de exposição). Por força dessa construção, óbvio, essas câmeras são mais volumosas e pesadas. E vale acrescentar que a distância entre sensor e lentes também é grande – o que exige que as lentes também sejam maiores, para que se formem os planos de imagem.

Nas mirrorless, como o próprio nome já diz, não há esse espelho. O sensor fica exposto e a construção da imagem se faz através de visores, sem o pentaprisma. Com isso, permite-se um corpo muito menor, com construção “direta” e sem os inconvenientes da vibração e da “escuridão” das DSLRs e, ao mesmo tempo, se simplifica muito a construção do plano da imagem, o que significa que, estando as lentes mais próximas do sensor elas podem ser muito menores, com menos elementos – e peso também.

Vamos lembrar: enquanto nas DSLRs a imagem que vemos no visor é vista de forma ótica, através do conjunto de espelho e pentaprisma e, por isso, enquanto se opera a exposição, não enxergamos nada pelo visor. Já nas mirrorless, de regra, não enxergamos a cena através de um visor ótico, mas, sim através da tela de LCD ou do EVF – “eletronic view finder”, que são modernos e bastante consistentes visores eletrônicos, de cristal líquido, como se fossem os óticos das DSLR. Sendo assim, com essa engenharia, o conjunto câmera e lente de uma mirrorless é significativamente menor do que um conjunto equivalente DSLR.

Vamos pensar “fisicamente”: A luz, com a qual se “escreve”a foto, penetra na camera através da objetiva. Passa pelo diafragma, que controla o quanto de luz vai entrar. E já no  corpo da camera encontra o obturador, o filme, historicamente, ou o sensor, recentemente, o espelho, o pentaprisma e o visor. Por esse caminho que a luz atingia o filme (ou o sensor)  passando através do obturador, posicionado logo à sua frente.  A “cortina” determinando o tempo de exposição, trabalhando junto com diafragma. Assim que se forma a imagem.

Sobre o espelho. Com o clique, ele sobe.  Sua função é refletir a imagem e direcioná-la para o pentaprisma, que a desinverte para que possa ser exibida no visor, como a enxegramos, ou seja,  como é na realidade.

Resumindo (e simplificando): Quando olhamos pelo visor analógico de uma Reflex, o que vemos é exatamente aquilo que a luz está enxergando, refletido por espelhos e um pentaprisma. Essa imagem ainda não passou pelo filme ou sensor. A luz só vai encontrar o filme, ou o sensor, somente quando o botão de disparo for pressionado, ou seja, quanso executarmos a fotografia. O espelho, então, que refletia a imagem para podermos enxerga-la através do visor analógico é levantado, o obturador se abre e a luz encontra o sensor. Numa camera “analogical”o processo na camera terminava ai e e numa camera digital a imagem é processada para ser mostrada no visor LCD.

Enfim, o que se percebe é que na engenharia de uma camera, quando usávamos filme, o sistema de espelho e pentaprisma era essencial, porque tinhamos um filme a ser sensibilizado pela luz. Mas, se em lugar do filme temos um sensor, não precisamos mais desse sistema todo porque o sensor pode ser simplesmente “ligado” e “desligado”. Os sensores ficam ali expostos e a imagem que enxergamos é feita através de viewfinders elêtronicos (podem ser também óticos, com paralaxe, no case de uma mirrorless rangefinder, como a Xpro2, mas essa é outra estória). O que quero dizer é que não há mais a necessidade física do sistema de espelhos e pentraprisma.

Me interessei pela nova tecnologia, pesquisei bastante e entendi que, àquela altura, a solução mais completa para a  fotografia eram as câmeras da Fuji. Câmeras bem construídas, pensadas para a fotografia, com lentes prime de qualidade ótica e construção impecáveis.  Usei a XE2, XT1, Xpro2, XT2 e mais recentemente a XH1. O sensor e o processador evoluíram bastante a cada lançamento, ficando as câmeras cada vez mais consistentes e precisas.

Muitas pessoas me perguntam, o tempo todo, sobre “como é fotografar com as Mirrorless”. E o que eu sempre digo e vou repetir aqui é que o mais importante é a adaptação ao sistema e a compreensão da forma como ele funciona, especialmente com o foco, que envolve pontos de fase e de contraste e muitas variáveis. Compreenda sua câmera, entenda como ela funciona e use os a seu favor. Mas se o fotógrafo deixar uma DSLR de lado e começar a fotografar com uma Mirrorless como fazia com a câmera anterior, certamente ele terá problemas, porque elas funcionam de formas diferentes.

No momento em que fiz minha migração do sistema SLR para o Mirrorless eu entendi que as câmeras da Sony não estavam ainda “prontas” para a fotografia em geral. Vi vários videomakers abandonando as Canon e começado a utilizar as Sony para filmar, com Iso estratosférico e boas soluções para vídeo, mas para a fotografia, na minha opinião, faltava “algo” ainda. E agora não falta mais, com a nova série III da linha A7 e com a nova A9.

Segui fotografando, feliz da vida, com minhas Fuji, com as quais, mais do que tudo, aumentei o prazer do ato de fotografar, até que a Sony me entregou uma das novas A7iii, com um kit de 3 lentes: uma 28 2.0, uma 35 2.8 e uma 85 1.8.

Nos últimos anos as Mirrorless tem tido um crescimento muito sensível e considerável de vendas, como cada uma das 3 marcas apostando em um nicho e tamanho de sensor e com a Sony reinando absoluta nas full frame. Canon e Nikon estão muito atrasadas e, na minha opinião, perdendo o timming do mercado.

A Sony A7III é uma câmera full frame que na minha opinião serve muito bem para quase qualquer uso. Pode-se dizer que é uma câmera de uso geral. Ela tem um sensor CMOS de 24.2 MP, retroiluminado o que, segundo testes da fabricante, melhoraria a resposta de ruído em ISOs altos. Falando em ISO, na A7III ele vai de 100 até 204.800. Ela faz 10 fotos por segundo e tem o sensor estabilizado em 5 eixos, o que garante.

Uma coisa que me chamou bastante atenção foi o sistema de foco. A câmera tem 693 pontos de detecção de fase e 425 de contraste. Há várias formas de foco e eu sempre digo que esse é um ponto que merece atenção dos novos utilizadores, para a escolha do modo correto para cada situação. Uma coisa que me chamou muita atenção na Sony A7III é o sistema de foco no olho, mesmo utilizando-se o modo contínuo de foco. A câmera é capaz de efetivamente localizar e seguir, com bastante rapidez e precisão, os olhos do fotografado. E uma outra coisa bastante interessante é o sistema de detecção de face. Podemos programar rostos prioritários, para que a câmera, em uma foto de grupo, privilegie o foco. É uma função interessante para casamentos, quando podemos escolher, por exemplo, a noiva como nossa prioridade.

O foco funciona muito bem, em geral, cravado, como gostamos. E as fotos apresentam bastante nitidez. Tenho utilizado uma 28 2.0, uma 35 2.8 e uma 85 1.8, todas elas da Sony, sendo a 35 da série Zeiss.

Os menus, confesso, são um pouco extensos e complicados. Mas a Sony oferece a possibilidade de criarmos uma pasta do menu apenas com os itens que nos interessam, para acesso rápido. E o que eu particularmente gostei muito foi a possibilidade de customizar vários botões,  escolhendo parâmetros ou funções da forma como mais nos interessar. Eu customizei totalmente a minha e, assim, tenho à mão (ou à pontas dos dedos) os recursos que preciso.

O LCD é articulado e sensível ao toque. A articulação sempre ajuda em algumas composições. O Touchscreen, para mim, é algo que não despertou maior interesse.

Os arquivos  possibilitam bastante recuperação de informação caso seja necessário. A nitidez que já vem no arquivo é muito boa e sensível. As cores muito precisas e fiéis. Em geral são arquivos bastante “amigáveis” para pós produção.

A Sony tem alguns modelos de flashes. Eu, no meu sistema de trabalho, uso flashes fora da câmera, em monopé com assistente ou, dependendo do evento ou lugar, flashes na própria câmera. As soluções que eu já usava na Fuji eu repeti para a Sony. Flashes Godox AD200 disparados pelos controles X1T ou XPro. Flash V860II, na sapata ou fora da câmera. Tenho também um flash da própria Sony, que funciona muito bem na sapata, quando não necessitamos de muita luz ou reciclagem extremamente rápida, que é o F43M. A Godox tem soluções para todas as marcas. Para quem faz questão do TTL, atentem para a letra após o modelo de cada um, que identifica a marca (S para Sony, F para Fuji e assim por diante).

Fiquei muito feliz e satisfeito com a Sony A7III, seja na experiência de uso e de fotografia, seja com os resultados que ela apresenta. A “pequena notável”, como a chamei, realmente veio para se posicionar de forma muito consistente e interessante. É uma câmera que inspira bastante confiança e está posicionada em uma faixa de preço muito interessante e competitiva.

Para terminar, lembro que além dessa a Sony tem a “prime” A9 e a a7RIII, que possui sensor de 42 MP, para usos específicos que requerem grande resolução. E ao lado disso, há a linha S, com sensibilidade quase infinita de ISO.

Ricky Arruda e Anna Quast fotografam casamentos de alto nível tanto no Brasil como lá fora. Veja mais: http://annaericky.com.br/

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