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Flávia Almeida: por um produto mais lúdico na fotografia

Fotógrafa de família de Belo Horizonte foi uma das vencedoras da primeira turma ao vivo do Foto+Produto de 2021. Ela conta sobre sua carreira e a criação de seu produto vencedor
Foto: Amanda Canhestro

Flávia Almeida é fotógrafa de família pela Clareira Fotografia em Belo Horizonte. Ela define seu trabalho como uma forma de retratar ao mesmo tempo a poesia e o caos do cotidiano. Com foco especial no documental de família e em contar as histórias das famílias. Flávia foi uma das vencedoras da primeira turma ao vivo do Foto+Produto. Ela criou um jogo para crianças que envolve fotografia e que também serve como uma maneira de melhorar a autoestima dos pequenos. Flávia foi entrevistada para contar sobre sua carreira e também sobre a criação dessa ideia.  Flávia Almeida (@clareirafotografia) • Fotos e vídeos do Instagram

FHOX  – Como começou na fotografia?

Flávia Almeida – Quando minha filha nasceu, já comecei a me interessar por fazer fotos melhores dela. Fiz um curso bem amador de fotografia com o celular, e comecei a brincar. Porque o que eu mais queria naquele momento era organizar poeticamente o caos que estava minha vida. E a fotografia do cotidiano permite isto: eu olho para uma foto bonita do meu cotidiano e consigo ver os afetos, os amores, a beleza que pulsa numa cena simples. 

De alguma forma, a arte sempre esteve presente em mim: poesia, teatro, literatura. Então hoje acredito que a fotografia foi a forma que encontrei de manifestar esse olhar sobre o cotidiano.

Depois de um tempo, mudei de cidade e estado, e decidi que faria da fotografia minha profissão. Aí a coisa ficou séria: mergulhei em estudos teóricos e práticos sobre a fotografia e sobre o negócio em si. Esse caminho profissional tem pouco mais de um ano, mas tem sido muito intenso.

FHOX – Como define seu estilo e o que é importante para você no trabalho?

Flávia Almeida – Se eu tivesse que definir com um termo, diria que faço “fotografia documental de família”. Muitas pessoas, não fotógrafos, já me falaram que meu estilo é de “fotos escuras” – o que vai meio na contramão do gosto atual. Não concordo com isso, pois acho que minhas fotos têm contraste, têm luz e sombra. Acho que elas têm a cara da “maternidade real”, da vida como ela é. Por que é isso, né? Somos luz, mas também somos sombra. Algumas pessoas gostam de fotos que sejam só luz, tudo branco, família margarina. Mas acho que o grande diferencial, o que é importante pra mim, é enxergar a beleza na luz e na sombra, no que somos de verdade, nas nossas diversidades. Se você conseguir olhar para o seu cotidiano, caótico do jeito que ele é, e enxergar ali a beleza de ser o que vocês são como família – esse é o ponto para mim. Porque, no fim, é disto que se trata: de contar nossas histórias.

FHOX  – Como vê a fotografia de família hoje?

Flávia Almeida – Com a pandemia, as pessoas passaram a conviver mais com a própria família, com a própria casa. Com o distanciamento social, sinto que a fotografia em geral ganhou importância. Os bebês que nasceram nesse ano só são conhecidos pela família e amigos, muitas vezes, por fotos. Daí a importância da fotografia de parto, do acompanhamento de bebês.

Em termos de estilo, creio que essa pandemia pode nos apontar dois caminhos: ou as pessoas cansaram do próprio cenário, e querem uma fotografia mais “lúdica”, que fuja da casa, ou elas querem ter registros daquela casa, daquela rotina que é tão importante para elas. Acho que até pelo estilo do meu trabalho, tenho conhecido muitas pessoas no segundo caminho. 

FHOX  – você já tem produtos na fotografia. O quanto a foto impressa é importante para seus clientes? O que você oferece?

Flávia Almeida – Eu sou totalmente partidária da foto impressa. Mesmo quando vendo pacotes só com entrega digital, eu não aguento, vou lá e imprimo algumas, ou faço um quadrinho de brinde. Porque acho que isso é o mais importante da fotografia, é a possibilidade de ela contar histórias. E dificilmente as pessoas voltam para rever fotos em arquivos digitais. Eu mesma quase não volto.

Atualmente, eu trabalho de forma fixa com quadrinhos de fotos em madeira, que faço eu mesma de forma artesanal, e com álbuns de fotos, tanto álbuns diagramados, de encadernadoras, quanto álbum para colar fotos.

Eventualmente, também ofereço caixinhas em acrílico para guardar fotos e porta-retratos.

FHOX  – Conte sobre sua ideia para o Foto+Produto? pretende lançar mesmo?

Flávia Almeida – A minha proposta para o Foto+Produto foi uma linha de brinquedos com fotos, “Foto pra brincar”. Quando vi no curso F+P sobre “a vingança dos analógicos”, pensei: “esta é a minha praia”. Estou muito cansada do digital, talvez porque essa pandemia nos lançou radicalmente na vida online. E com a minha filha, que estuda em uma escola de metodologia Waldorf, sempre buscamos criar experiências táteis, sensoriais, de presença efetiva, evitando o uso de telas.

Aproveitando que já trabalho com quadros de fotos em madeira, pensei em uma versão brincável, com cubos de fotos em madeira, que podem trazer a árvore genealógica, quebra-cabeças de fotos, enfim, várias possibilidades. Não é o “cubo enfeite”, é o “cubo brinquedo”.

E também pensei em uma versão de jogo de tabuleiro, para envolver todas as idades.

Pretendo lançar as duas ideias. A primeira, dos cubos, já estou trabalhando no protótipo. A segunda requer um pouco mais de elaboração, de pesquisa de fornecedores. Mas pretendo lançar, sim.

FHOX – Como vê esse último ano desafiador para a fotografia e para todos nós com a pandemia?

Flávia Almeida – Desafiador é mesmo a palavra, em vários sentidos. E esse tempo longo de pandemia vem testando nosso poder de resiliência, de adaptação, nossa sanidade mental, física, nossas relações pessoais. Sei de muitos negócios que cresceram com a pandemia, sei de tantos outros que fecharam. Embora pessoalmente eu considere que o último ano foi de muito crescimento para mim (estudei muito, consegui manter minha fotografia viva, meu negócio crescendo), isso não veio sem angústias, sem medos, sem vontade de sair correndo. E também sei que é um lugar de privilégios, de poder me manter em casa, cuidar da minha família, ter paciência com o cenário externo. 

Penso que, se tem algo que podemos aprender com isso tudo, é a imprevisibilidade da vida, e a necessidade de trabalhar nossa capacidade de adaptação. 

FHOX – como se manter criativa com tanta pressão?

Flávia Almeida – Sinto que não é uma constância. Tem vezes que bate o desânimo mesmo. Mas tento reinventar meus caminhos, lanço projetos novos. No início da pandemia lancei uma campanha de ensaios solidários em prol de uma maternidade pública aqui de BH. Isso movimentou muito meu negócio e me conectou com uma rede de esperança. Fora isso, tenho uma filha pequena em casa. A criança não deixa a gente desanimar muito, né? Então sigo fazendo do meu dia a dia em família minha maior fonte de inspiração.

Também foi importante para mim encontrar mentores, pessoas que me colocavam provocações para seguir em frente. Em 2020, entrei para o Alfabetismo Visual da Roberta Tavares, e acho que ali foi um divisor de águas.

FHOX – o que espera para 2021?

Flávia Almeida – Espero vacina! Espero que em primeiro lugar tenhamos condições mínimas de saúde, vida e trabalho. Estamos em um cenário de muitas incertezas e inseguranças. Mas espero realmente que em 2021 esse cenário mude um pouco. 

E, pessoalmente, para o meu trabalho, espero que meu negócio de fotografia seja sustentável.

FHOX – qual o seu sonho para a carreira?

 Flávia Almeida – Tenho uma trajetória ainda breve na fotografia, mas longa em outra área (na carreira acadêmica, na área de Literatura). Por ter pouco chão percorrido, as minhas metas vão mudando um pouco com o tempo. Hoje sinto que minha fotografia está um pouco mais sólida, em termos de técnica e de gosto pessoal mesmo. É claro que isso ainda pode e deve mudar. Mas a longo prazo quero desenvolver projetos autorais, participar de exposições, quem sabe um livro. E também quero ainda me aprofundar no estudo teórico sobre a imagem, que é algo que me conecta com minha carreira anterior, mas que ainda não consegui fazer na fotografia.

Paralelo a isso, quero e preciso que meu negócio seja financeiramente sustentável, o que ainda não é completamente, até pelo momento em que comecei, logo antes da pandemia.

FHOX – Parabéns pelo produto e pelo trabalho que vem fazendo. 

 Flávia Almeida – Só agradecer mesmo a você, Leo, e à Fhox, pela oportunidade de participar do curso, de me desafiar mais uma vez a repensar meu negócio. Descobrir os conteúdos da Fhox foi uma grande oportunidade de crescimento para mim: sinto que você nos faz pensar fora da caixa, com conteúdos de diferentes áreas, de diferentes países. É como uma ótima curadoria de conteúdos e notícias interessantes da área.

Fotografia de família e parto, Belo Horizonte, Clareira Fotografia

A próxima turma ao vivo do Foto+Produto será nos dias 13 e 14 de abril. Saiba mais aqui: Foto+Produto ao vivo – Sympla