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Fernanda Toigo: talento sensível e versátil na fotografia

A fotógrafa que atua em São Paulo mescla sensibilidade e estilo apurado na fotografia de família, casamentos e retratos

Meu contato com o trabalho de Fernanda Toigo ocorreu em um dos convites para participar do Alfabetismo Visual de Roberta Tavares. Ao ver a criação da fotógrafa (um autorretrato impactante) fiquei curioso para conhecer mais do que ela criava na fotografia. A versatilidade da fotógrafa é evidente, dos casamentos à fotografia de família e também passando pelos retratos. Ela me disse que a maternidade fez com que ela tivesse uma visão distinta e mais apurada para retratar mães e tudo o que envolve esse universo. Ao mesmo tempo, ela investe na busca constante de autoria e uma identidade própria. Uma combinação interessante. Fernanda Toigo (@fernandatoigofoto) • Fotos e vídeos do Instagram

Fernanda Toigo e seu autorretrato que foi destaque na última edição do Alfazine do Alfabetismo Visual

Fernanda contou um pouco de sua história e de como vê seu trabalho na fotografia. Aproveite a leitura. 

FHOX – Como entrou na fotografia?

Fernanda Toigo – A fotografia sempre esteve em mim. Desde que me lembro de ser gente, adoro fotografar e ver fotografias. Inicialmente pegando as máquinas da família, até que no meu aniversário de 15 anos ganhei uma Canon de meus pais que preservo até hoje. Para mim, na época era o máximo, e eu fotografava tudo, até as sombras, afinal, a máquina era só minha. 

Depois fui estudar comunicação na Faculdade de Belas Artes, onde me formei e logo tive a oportunidade de trabalhar em algumas das maiores agências de São Paulo como Art Buyer, me possibilitando estar em contato direto com grandes profissionais de fotografia e cinema, o que me enriqueceu muito.

Mas, profissionalmente, minha carreira começou em 2014 quando uma vizinha do condomínio me pediu para fazer fotos da filha dela. Bom, aí veio a amiga da vizinha, a prima da amiga da vizinha e, de repente todos os meus fins de semana começaram a ficar ocupados. Concomitantemente começaram a vir pedidos para ensaios, casamentos, eventos e assim assumi o lado profissional da Fernanda Toigo fotógrafa!  

FHOX – Como define seu estilo?

Fernanda Toigo – A minha fotografia é próxima-emocional e fisicamente. Eu preciso estar perto para ver o brilho nos olhos de uma mãe quando olha para o seu filho. Para cada vez que ela sente que todas as noites difíceis antes de chegar até ali valeram a pena. A vida é intensa e eu sou intensa porque me sinto junto com os meus fotografados. Cada sonho de maternidade realizado é também o meu. Executo meus trabalhos nos conceitos de lifestyle e de documental, explorando ao máximo a naturalidade e o ineditismo de cada momento. 

FHOX – O que fez para se adaptar à pandemia?

Fernanda Toigo – Tenho clientes muito fiéis. Acompanho algumas famílias desde o nascimento de suas crianças, fotografando mês-a-mês seu crescimento e performance humana. Esse perfil de cliente não foi impactado para mim durante a pandemia pois todos me conhecem bem e desejavam a continuidade dos trabalhos. Apesar do isolamento de muitos, em se tratando de famílias, as que queriam registrar por meio de ensaios seus momentos importantes como casamento, gravidez, batizado ou bodas. No auge da pandemia, combinamos, ambas as famílias, fotógrafo e fotografado, de fazer a quarentena bonitinha por 15 dias para nos encontrarmos com o máximo de segurança possível. Claro, também fiz “centenas” de PCRs e todas as medidas de segurança. Durante as sessões ainda vou toda paramentada!  

Em paralelo vendi produtos fotográficos para todas as minhas clientes que ainda não haviam feito, por exemplo, álbuns, quadros etc. 

Também foquei nos ensaios intimistas, modelo que eu já flertava, mas que acabava não agindo pela agenda cheia. No final a pandemia abriu uma nova porta. 

FHOX – O quanto o Alfabetismo foi importante para você?

Fernanda Toigo – O Alfabetismo foi fundamental para mim na descoberta consciente da minha perspectiva como fotógrafa. Hoje sei exatamente o que me move e o que me diferencia de qualquer outro fotógrafo. 

FHOX – Como vê a concorrência no mercado hoje?

Fernanda Toigo – Eu tenho me agarrado cada vez mais à minha perspectiva e aos meus valores como fotógrafa. 

Acredito que cada vez que o fotógrafo levanta sua câmera, com ela, emerge todo o seu conhecimento. Ele move toda a sua bagagem visual, cultural e de vida, tornando-o único. 

E isso acontece consciente ou inconscientemente com todos os profissionais. 

Mas o ser humano é heterogêneo, carrega bagagens diferentes e sonhos desiguais. Os clientes é que escolhem o profissional da maneira à sua semelhante e à sua cultura.

FHOX – Qual o grande desafio que vem enfrentando hoje?

Fernanda Toigo – Como 99% das mulheres sempre convivi com aquela constante briga com o espelho. Em um daqueles diálogos comigo mesma, pensei; “como eu me veria pelas minhas próprias lentes?”

Hoje meu grande desafio tem sido fazer autorretratos. Meu mantra: 

“Não há ruído sem respiro.
Caos sem força.
Presença sem ausência.
Que a vida te ensine a olhar para si mesmo com a mesma empatia que você olha o outro.
E que você seja luz. Sempre luz. Sem esquecer que a luz perfeita é aquela que vem com sombras.”

Eu nunca tinha feito um autorretrato, o primeiro foi em maio de 2021. No último concurso de autorretratos da Fine Art Association, em agosto deste mesmo ano, tive duas fotos premiadas: uma autorretrato com longa e dupla exposição e outra híbrida

FHOX – Como busca inspiração para criar seus trabalhos?

Fernanda Toigo – A minha grande inspiração é a minha família. Tanto as memórias da minha infância com as brincadeiras com a minha irmã quanto ao acompanhar o crescimento dos meus filhos (que são a concretização do meu maior sonho).

FHOX – Como faz o marketing hoje? 

Fernanda Toigo – Ninguém melhor do que um cliente para falar bem do meu trabalho. Mas é claro que ninguém vive apenas de propaganda boca a boca. Utilizo ferramentas de relacionamento com clientes, faço pré e pós-venda, o que considero fundamental e uso o site e Instagram como meios de comunicação para prospectar novos clientes. Tenho também participado de concursos, cujas premiações têm agregado valor ao meu nome. 

FHOX – Fotógrafo de casamento também é fotógrafo da família?

Fernanda Toigo – A cerimônia de casamento é uma das formas para o início do ciclo familiar. 

Quando eu fotografo um casamento, minha perspectiva é a de registrar o afeto, a conexão, e as emoções geradas pela expectativa do novo começo. 

FHOX – O que é uma sessão perfeita para você? 

Fernanda Toigo – A sessão perfeita para mim é aquela que eu consigo me conectar com meus fotografados, deixá-los à vontade consigo mesmos e em conexão comigo. 

FHOX – Os clientes dão valor para a fotografia?

Fernanda Toigo – Como já comentei, tenho clientes que estão comigo há vários anos. E sim, estes dão valor para a minha fotografia. Entretanto, há os que veem a fotografia como commodities, ou seja, compram pelo preço. Fotografia para mim, é mais que apertar o botão e vai muito além da técnica, trata-se uma prestação de serviço e uma forma de comunicação, onde o fotógrafo é o narrador. Por isso a importância da escolha, pois é o fotógrafo que vai contar a história em forma de imagens. 

FHOX E o produto impresso, o quanto é importante?

Fernanda Toigo – Hoje a nova geração é a mais fotografada da história. Com câmeras em celulares qualquer um pode fotografar e se auto fotografar. A questão é: essas imagens ficam na nuvem e quase nenhuma delas é impressa. A fotografia nos ajuda a construir a imagem de nós mesmos, como nós percebemos no mundo. Mas o mais tem sido menos, pois no mundo virtual, tudo é disperso, parece que passageiro. Eu sempre incentivo os clientes a fazerem álbuns, quadros ou até mesmo as 10×15, porque ao imprimir temos a fotografia de forma concreta. Ao pegar uma foto temos a sensação de tangibilizar uma memória. E isso para mim, não tem preço! 

FHOX – O que sonha para sua carreira?

Fernanda Toigo – Como carreira, eu gostaria de me tornar referência pelas minhas fotos e pela minha perspectiva como fotógrafa. Pessoalmente sonho daqui 20 ,30 anos em poder reencontrar as crianças que hoje fotografo e ouvir delas a sensação que elas têm a se verem as fotos que tirei.