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Erick: a minha melhor foto

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Erick: a minha melhor foto

Se eu tiver algum reconhecimento a fazer para algum dos meus clientes, certamente este cliente é o meu querido Erick. Ele tinha dois anos e meio quando o conheci. Aliás, primeiro conheci seus pais que, cercados de cuidados, procuravam me preparar para buscar, batalhar e alcançar minha melhor foto. Eu desconhecia a história anterior do menino e nunca havia sido colocado em confronto com uma verdade tão forte e marcante, por isso o diálogo, a transferência de afeto e a importância que o momento tinha para toda a família.

Muito mais que abertura, tempo, filme, câmera e fotografia, o meu envolvimento com Erick me ensinou verdades que influenciaram meu trabalho mais que qualquer aula ou livro sobre o assunto. Aprendi que, para a mãe, o seu filho é perfeito e a mais esperta de todas as crianças. Aprendi que a paciência é talvez o componente principal para uma boa fotografia. Aprendi que espontaneidade é tão importante ou mais que boa composição e aprendi que dedicação produz resultados espetaculares, mesmo em fotografias mais simples.

Erick era um menino que necessitava de cuidados especiais. Com dois nos de idade mal engatinhava. Para deslocar-se pela casa usava seus braços fortes e suas perninhas não tão robustas. Cada metro que avançava era uma vitória. Atravessar uma sala era como se tivesse vencido uma batalha. Ele, Erick, nem percebia o esforço que fazia, mas seus pais, que acompanhavam toda a sua luta, sabiam que aquele empenho consumia parte de suas energias e logo ele necessitaria de repouso. Mas para Erick este desafio estava apenas começando. Pois ao cabo de alguns meses havia conhecido toda a casa e com sua desenvoltura infantil vencia todas as barreiras e distâncias que encontrava.

E foi assim que conheci Erick. Ele entrou engatinhando sala adentro e veio em nossa direção. Sentado, próximo aos pais de Erick, observei a luta imensa daquele pequeno ser para fazer o que nós conseguimos realizar em segundos sem esforço e sem concentração. E isso fazia dele um herói. E foi assim que o recebi na primeira entrevista, como um pequeno gigante de apenas dois anos e meio de idade.

Quando Erick se aproximou o suficiente e ficou iluminado de forma inteira, percebi o tamanho da tarefa que se apresentava. Erick, além da dificuldade de locomoção, tinha outra deficiência, mais grave por sinal. Uma disfunção no seu pequeno cérebro impedia os seus músculos dorsais de sustentarem a sua cabecinha, fazendo com que esta pendesse ora para a direita, ora para a esquerda e tanto para frente como também para trás. Não tinha nenhum controle sobre estes movimentos.