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Entrevista com Rosangela Andrade, laboratorista, fundadora do Clube do Analógico e curadora da Imágicas Galeria

My beautiful picture

Nas últimas semanas mostramos aqui alguns cases internacionais de negócios 100% focados na fotografia analógica. Nota-se claramente um ressurgimento desse mercado com adesão de jovens fotógrafos e também de profissionais de várias áreas. A FHOX entrevistou Rosangela Andrade que faz um trabalho de excelência seja no Clube do Analógico – Imágicas Galeria. Aliás, siga: Clube do Analógico (@clubedoanalogico) • Fotos e vídeos do Instagram e Imágicas Galeria (@imagicasgaleria) • Fotos e vídeos do Instagram

FHOX: Fale um pouco sobre a sua trajetória.

Rosangela Andrade: Ingressei no mundo da fotografia aos 15 anos, quando saí das ruas, onde jogava futebol, e entrei em contato com fotógrafos e laboratoristas que abriram caminhos para o meu aprendizado. Em meu desenvolvimento pessoal e profissional, me vi em um ambiente predominantemente masculino e machista, onde buscava formas de adquirir a bagagem necessária para me tornar uma profissional reconhecida no mercado. Trabalhei com o fotógrafo Zé de Boni na Álbum Laboratório de 1989 até 1992, quando abri meu próprio espaço, o Imágicas Laboratório Fotográfico Analógico. Em 30 anos de atividade, ampliei para exposições e livros de grandes nomes da fotografia brasileira, como Cristiano Mascaro, Thomas Farkas, Maureen Bisilliat, Ed Viggiani, German Lorca, Fernando Lemos, entre outros. Me considero uma grande entusiasta da fotografia analógica. Fundei o Clube do Analógico em 2014, espaço coletivo onde ensinamos o processo analógico p&b e fornecemos insumos e materiais para fotografia analógica.

FHOX: Quando você decidiu se tornar uma entusiasta da fotografia analógica? Quando o digital ganhou força, quais foram os seus movimentos? O que aconteceu e pra onde você caminhou?

RA: Sempre estive em contato com a fotografia analógica, mas, a partir do momento em que o digital ganhou força, percebi que meu trabalho se tornou um ato de resistência. Muitos fotógrafos me falaram que o analógico iria desaparecer, que eu deveria aprender a trabalhar com um computador e com a imagem digital. Mas acredito que, desde então, a fotografia analógica passou a ser vista com outros olhos. Muitas pessoas buscavam novamente o tempo do processo analógico. A espera. O descontrole. O cheiro dos químicos, e, principalmente, a imagem palpável. Algo que está fora do nosso alcance quando olhamos através de uma tela. Hoje, meu caminho é resgatar o processo analógico naqueles que já tiveram contato no passado, e apresentá-lo àqueles que nunca tiveram a oportunidade de trabalhar com filme, como uma forma de manter a fotografia analógica viva. O laboratório Imágicas resiste há 30 anos, revelando e ampliando desde trabalhos profissionais até trabalhos dos amantes e amadores. O Clube do Analógico foi fundado justamente para que as pessoas pudessem de fato entrar em contato com o laboratório e para capacitar qualquer um a realizar o processo por conta própria.


FHOX: Há uma retomada do analógico ou você defende que esse processo nunca perdeu lugar?

RA: Ao contrário do que muitos pensam, a fotografia analógica sempre esteve viva. É claro que hoje, assim como acontece com os discos de vinil, vemos uma procura maior por causa de certo modismo, e que muitas vezes o desinteresse surge rapidamente ao se depararem com valores, ou processos “demorados”. Mas também vejo que o espaço e o alcance que a fotografia analógica tem nas mídias atualmente pode proporcionar encontros e experiências muito enriquecedoras, principalmente com os jovens.

FHOX: Qual o futuro da fotografia analógica? 

RA: A busca das pessoas por um estilo de vida mais orgânico e contemplativo dá mais força a esse movimento, que compartilha desses interesses. Baseados nisso, podemos dizer que a fotografia analógica hoje deixa de ser apenas uma modalidade para se tornar um movimento: o movimento analógico.

FHOX: Hoje, quem são os seus clientes?

RA: Helena Rios, Mariana Cobra, Marcelo Greco, Ed Viggiani, Cristiano Mascaro, Juca Martins, entre muitos outros.

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FHOX: Como você enxerga a fotografia digital?

RA: Não tenho nada contra a fotografia digital, inclusive acredito que ela proporciona muita praticidade em áreas como fotojornalismo e publicidade, por exemplo. No entanto, quando falamos do trabalho autoral, e de entrar em contato com aquilo que fotografamos, acho que o digital apresenta um excesso de controle e produz imagens plásticas, facilmente descartáveis e banais.


FHOX: No mesmo local funcionam o laboratório, o Clube do Analógico e a Imágicas Galeria. Fale um pouco sobre a estrutura e as atividades do espaço.

RA: No laboratório, prestamos serviços de revelação e ampliação p&b. A Galeria Imágicas expõe trabalhos autorais, realizados em filme p&b. O Clube do Analógico nasceu com a missão de possibilitar o encontro desses entusiastas, amadores ou profissionais, incentivando a reflexão, a observação e o cuidado pelos métodos tradicionais, oferecendo um espaço de uso coletivo, voltado para atividades que desenvolvam pesquisas e práticas em fotografia analógica.

https://www.imagicas.com.br/