News 3 anos atrás | Regina Sinibaldi

“Empreendedor da imagem”

Kiolo faz sua primeira exposição individual em São Paulo; "Geometrias Insuspeitas do Cotidiano" fica até 8 de dezembro

por Revista FHOX

O título “empreendedor da imagem” saiu da boca do fotógrafo Gabriel Wickbold após conhecer o acervo de Kiolo e assinar a curadoria da primeira individual do soteropolitano cuja produção fotográfica chama atenção de arquitetos de todo o País; somente em 2017, Kiolo participou da Casa Cor em São Paulo, Salvador e Vitória.

“Talvez seja um título maior, não no sentido de ser mais importante, mas de ter um zelo mais global pela obra. Não me preocupo apenas como a obra foi produzida e como vai ficar, mas no todo. Talvez seja algo possessivo querer ter a rédea da operação toda na mão, já que não comercializo minhas obras via galeria”, analisa Kiolo.

Ele bateu papo com FHOX antes de encerrar a exposição. Leia trechos da conversa.

FHOX – Há quanto tempo está na carreira artística?

Kiolo – Costumo dizer que a carreira artística existe desde 2002, quando entrei na faculdade de design gráfico. Na faculdade me encontrei para trabalhar no ramo de arte. Só não sabia para aonde ia. Logo que me formei na Faculdade Jorge Amado, vim para São Paulo trabalhar em uma agência de design. Trabalhei por muitos anos com identidade visual, embalagem, editoriais e por aí vai. Mas sempre fotografei. Durante a faculdade, estudei um ano e meio de fotografia. Depois voltei para Salvador, montei agência e comecei a fotografar. Em 2012, amigos que tinham uma galeria de arte pediram para ver algumas fotos minhas. Eles acharam que tinha tudo a ver com décor.

FHOX – Fale de seu processo de criação.

Kiolo – Minha fotografia nasceu na foto urbana, sempre gostei. Até então a fotografia de paisagem nunca tinha sido minha ‘praia’, até que um dia cheguei de ‘paraquedas’ nos Lençóis Maranhenses. Então ‘espremi’ meu olhar de geometria, de ver encontros de água com céu, de ver esses dégradés, nuances de texturas, e por aí vai. Quando comecei a divulgar esse olhar, houve uma aceitação muito grande. Vi também que o landscape combinava muito comigo. Foi assim que juntei um acervo. Também sobre gostei da fotografia de detalhes. Isso tem aqui na exposição.

FHOX – Como está o mercado da foto para decoração?

Kiolo – A fotografia tem se tornado cada vez mais presente na decoração e vive um momento muito aquecido. Um dos fatores é que os fotógrafos estão mais ousados, misturando técnicas, o tradicional com o contemporâneo, fazendo intervenções, etc. O que acho legal também são os materiais e as superfícies em que são aplicadas. A fotografia ganhou de presente muita tecnologia, máquinas incríveis.

FHOX – Qual é o suporte desta exposição?

Kiolo – Papel algodão, cem por cento.

FHOX – E o laboratório?

Kiolo – Lucas Cravo. Ele tem bureau em Salvador. É meu impressor, confio de olho fechado.

FHOX – Sua obra é representada por Gabriel Wickbold em São Paulo?

Kiolo – Não, nesta exposição fiz em parceria. Ele fez a curadoria e este acervo está sendo comercializado em parceria com ele. Muitas obras minhas são comercializadas diretamente comigo. Sei do papel e da importância de uma galeria, tenho muito respeito obviamente, mas tenho como filosofia estar com um galerista para determinado trabalho.

FHOX – Lojas de decoração o procuram?

Kiolo – Meu maior contato no segmento decoração não é o lojista, mas o arquiteto. Ele faz toda a parte de projeto do cliente e finaliza pensando a imagem que vai entrar em cada lugar. Então, ele me procura pelo meu acervo.

FHOX -Tem obras suas em edições da Casa Cor?

Kiolo – Sim, desde 2014. Se for falar das mostras de decoração, este ano foi delas. Fiz a Casa Cor Salvador, São Paulo e Vitória.

FHOX – Há regionalismos entre elas?

Kiolo – Percebo que cada arquiteto procura inserir arte em uma atmosfera que ele está propondo. Por exemplo, em São Paulo tem mais atmosferas urbanas ou campestres. E lugares litorâneos tendem a colocar atmosferas litorâneas. Em Salvador, por exemplo, tem sempre algo mais tropical. A Casa Cor Vitória, apesar de ter praias, o ambiente que participei foi um meio adega, meio padaria, algo mais conceitual. Tinha uma foto minha de um funcionário em uma fazenda de cacau. Claro que existe também a visualização máxima da tendência. Todo ano a Pantone faz a cor do ano. Outra coisa que  ‘rolou’ na fotografia, em 2016, foi muita foto de paisagem, textura; este ano, o salão de móveis de Milão fez muitos ambientes com retrato. Acho que veio para o Brasil e você poderá ver lá na frente muita gente usando fotografia de retrato.

Kiolo

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