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Dispo e DeepNostalgia: o poder do passado como tendência

Dispo é uma rede social inspirada nas câmeras analógicas de uso único e Deep Nostalgia um serviço que dá vida a fotos antigas. Ambos com o mesmo apelo nostálgico e comprovando o poder do passado para serviços e ideias inovadoras
Deep Nostalgia: 'creepy' new service uses AI to animate old family photos |  Technology | The Guardian

O filho mostra para o pai a foto do avô animada pelo serviço Deep Nostalgia. Um ente querido que partiu faz muito tempo e que agora faz expressões na tela do filho. A reação do pai é de surpresa e choque. Esse e outros vídeos aparecem nas redes sociais de sites de tecnologia para falar de Deep Nostalgia. O que é curioso dessa ideia é que nem é uma empresa de fotografia. Trata-se de um site de árvore genealógica e a fotografia antiga animada é um marketing poderoso. De uma marca desconhecida, a empresa que idealizou o site se tornou conhecida no mundo inteiro. O NYT escreveu uma matéria trazendo uma avaliação mais aprofundada sobre isso. O questionamento é até que ponto isso é saudável, de dar vida a fotos de pessoas que partiram. O fato é que a tecnologia Deep Fake que está nos bastidores dessa iniciativa vem avançando com força nos últimos anos. Parece coisa de filme de ficção científica. Deepfake Videos of Eerie Tom Cruise Revive Debate – The New York Times (nytimes.com)

Criador de deepfakes de Tom Cruise no TikTok conta como criou vídeos |  Internet | Tecnoblog

Aliás, um ator usou a tecnologia para se passar por Tom Cruise e soltar vídeos da celebridade como se ela estivesse no TikTok. Bombou e ninguém diz que não é Tom Cruise. Vivemos na era da simulação e do metaverso. Na prática, a pandemia nos jogou de vez para esse universo online e estamos mais dentro dele para nos relacionarmos, jogarmos, aprendermos, para nos entreter e trabalhar. A fotografia e a imagem como moeda digital avança nesse sentido como suporte para esses avanços e DeepNostalgia é comprovação disso. Eu confesso que fiquei com medo de fazer qualquer teste com a foto de alguém que já partiu. De qualquer forma, é uma tendência que me parece incontrolável. Sobretudo pelo apelo do que é animado, da foto que se torna um vídeo. Uma atração ainda mais forte.

What Is Dispo? David Dobrik's Photo App Recreates The Disposable Camera  Experience And Aesthetic - Culture

Dispo é o Clubhouse da fotografia? enquanto isso existe outra rede social fotográfica crescendo. E ela cresce de forma mais escondida. É o Dispo, criação de um YouTuber. Um app que por enquanto só funciona por convites (tipo Clubhouse) e que cresce fortemente. A ideia é simples e nem tão inovadora assim. Você fotografa hoje e só vê o resultado no dia seguinte. Lá pelas 9:00 da manhã. O que chama a atenção é a capacidade de criar projetos fotográficos com pessoas selecionadas. Como um coletivo e também esse poder da surpresa. Um detalhe: a imperfeição das imagens no app também fazem sucesso. Algo que vai na contramão da estética perfeita do Instagram e afins. O negócio vai tão bem que já recebeu aporte milionário e tem gente dizendo que vai bombar ainda mais. Nova rede de fotos, Dispo quer se opor à ‘perfeição’ do Instagram (estadao.com.br)

TikToker claims David Dobrik stole his designs for Dispo app - Dexerto

O que essas duas iniciativas tem em comum é a força do legado que nos move a todos. O nosso passado. Seja como inspiração para ideia de produto de um app que mais funciona como câmera analógica ou como dar vida as fotos antigas. Roupagens novas para coisas antigas em plataformas novas, na palma da mão. Para negócios de foto em geral esse apelo e diferencial parecem muitas vezes ignorados. Parece que esquecemos da força de duas palavras que caminham bem com a tecnologia em tempos tão online: o poder da surpresa e da nostalgia.